Trickle down ou trickle up eis a questão. E qual tem sido a opção? Parte II – 1. Os ETFs (Exchange Traded Funds – fundos de índices cotados em bolsa ) ou rastreadores (2ª parte-conclusão). Por Fimarkets

Uma nova série sobre as novas tempestades que se vislumbram já no horizonte

Imagem 2 Trickle-Down CADILLAC

 Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Parte II – 1. Os ETFs (Exchange Traded Funds – fundos de índices cotados em bolsa [1]) ou rastreadores (2ª parte-conclusão)

Por Trickle down Parte II texto 1 em 24 de maio de 2012

(…)

Replicação sintética

O mecanismo descrito acima corresponde a uma chamada replicação “física” do índice: o emitente do ETF obtém os ativos constituintes do índice, nos pesos relativos fornecidos por este índice, para constituir o ativo da sua carteira. Estes são ETFs “vanilla” (básicos), os primeiros a aparecer no mercado. Esta é a forma dominante nos Estados Unidos, onde são geridos principalmente por grandes gestores de ativos independentes (por exemplo, BlackRock). Este é o modo de replicação mais transparente que, no entanto, exige que o gestor reproduza com exatidão a composição do índice e, portanto, ajuste constantemente a composição do portfólio. Isso, portanto, gera inevitavelmente “custos de fricção” e erros de rastreamento (intervalo entre o valor liquido do ativo do ETF e o valor de referência).

É possível proceder de outro modo através de replicação “sintética”. Neste caso, os ativos do fundo podem conter qualquer tipo de instrumento e o objetivo de desempenho visado é obtido através de um swap de ativos (swap de retorno total [2]) negociado com uma contraparte, geralmente um banco de investimento. Este tipo de replicação abrange quase metade do mercado ETF europeu, e estes resultam, sobretudo, das sociedades de gestão serem filiais de grupos bancários e o banco comporta-se exatamente como a contrapartida do swap de ativos. Isto é possível graças ao facto de a legislação europeia ser bem mais flexível do que a dos Estados Unidos no que diz respeito à utilização de derivados pelos fundos da gestão coletiva. (fonte: FSB, veja as referências no final).

No caso de ETF sintéticos, o portfólio (ou colateral) pode conter qualquer tipo de ativos, incluindo ativos que não têm nenhuma correlação com o índice replicado. A replicação do índice é assegurada por meio do swap de ativos e, portanto, dispensa a intervenção de corretores. Note-se que, neste caso, o ETF está exposto ao risco de contraparte em relação à contraparte do swap.

A replicação sintética permitirá criar ETFs que seguem índices que são mais difíceis de replicar do que os índices de ações tradicionais, tais como índices de matérias primas ou índices que agrupam um número muito grande de valores. Também permite acompanhar mais de perto a evolução do índice. Com efeito, a contraparte do swap compromete-se a pagar ao ETF exatamente o desempenho do índice em cada dia.

No entanto, a estrutura do instrumento é muito menos transparente para o investidor. Além disso, o ETF fica exposto ao risco de contraparte em relação à contraparte do swap. Esse risco foi limitado pelo regulador ao exigir que o valor de mercado do swap não represente mais de 10% do valor total dos ativos mantidos na carteira. Por outro lado, os ETF emitidos na Europa (quer eles usem replicação física ou sintética) geralmente respeitam a norma UCITS (Undertakings For The Collective Investment Of Transferable Securities – Obrigações do Investimento Coletivo de Valores Mobiliários Transacionáveis)[3].

ETF alavancado

O uso de derivados permite que as sociedades de gestão ofereçam aos investidores produtos mais complexos, que não se limitam a replicar um índice, mas que também podem:

  • Gerar o desempenho inverso do índice: o preço do ETF sobe quando o índice desce e vice-versa.
  • Introduzir um efeito de alavancagem: por exemplo, o ETF gera o dobro do desempenho do índice.
  • … e qualquer combinação mais complexa dos efeitos acima (por exemplo, um ETF que gera o dobro do inverso do desempenho do índice…).

Note-se que estes instrumentos, cada vez mais complexos, requerem uma boa compreensão do investidor dos mecanismos subjacentes e dos riscos envolvidos. Em particular, é importante ter em conta que o objetivo de desempenho apresentado é calculado numa base diária.

O mercado dos ETFs

Os ETFs são emitidos principalmente nos Estados Unidos e na Europa, com diferenças significativas entre os dois mercados:

  • Nos Estados Unidos, o mercado é animado pelos grandes gestores de ativos independentes emissores de ETFs tais como State Street. Como resultado da regulação, a replicação física é a mais comum.
  • Na Europa, os gestores de ativos emissores de ETF são geralmente filiais de grupos bancários, como a BlackRock (iShares) ou a Lyxor (filial da Société Générale). A replicação sintética é utilizada massivamente em que a contrapartida do swap é muitas vezes o banco de investimento do mesmo grupo. Em contrapartida, a maioria dos ETFs cumprem as normas UCITS (Undertakings for Collective Investment in Transferable Securities) que impõem uma certa transparência: se pretender tomar conhecimento em detalhe e compreender o folheto do fundo, o investidor final pode compreender os riscos a que está exposto.

O mercado dos ETF está em muito forte progresso a ponto de que algumas pessoas estarem preocupadas por verem nele a próxima “bolha” financeira. Na verdade, este mercado nasceu no início dos anos 90 e atravessou a barra do “milhão de milhões” de dólares americanos em ativos nos ativos de emitentes de ETFs em 2010 (fonte Blackrock).

Além disso, os reguladores também apontam o dedo à crescente complexidade dos produtos distribuídos e dos riscos associados. Para se ter uma imagem precisa da situação consultar os documentos abaixo citados.

Outras ligações na Web

  • Para se conhecer tudo sobre os ETFs no mercado americano:

http://www.investopedia.com/university/exchange-traded-fund/#axzz1vcbBevmj

  • Ponto de vista das entidades reguladoras:

http://www.bis.org/publ/work343.pdf (annex 1.7 Echange traded funds: mechanics and risks)

 

 

Texto original disponível em https://www.fimarkets.com/pages/etf_exchange_traded_funds.php

 

Notas

[1] Designação adotada por Meilleurs Brokers.com (vd. https://www.meilleursbrokers.com/definition/etf.html. Os ETFs são também designados de fundos de investimento abertos negociados em bolsa (vd. https://www.linguee.pt/ingles-portugues/traducao/exchange+traded+funds.html). Sobre fundos de investimento aberto vd. também https://www.investopedia.com/exam-guide/cfa-level-1/alternative-investments/open-closed-end-funds.asp

[2]  NT. Swap de retorno total – Total de derivativo de crédito, no qual a contraparte recetora de risco (vendedor de proteção) recebe o rendimento de um ativo subjacente mais a variação positiva que ocorra durante um prazo especificado e paga, à contraparte transferidora de risco (comprador de proteção), o custo de “financiamento” de um valor nocional e a variação negativa que ocorra durante o mesmo prazo.

A diferença entre este tipo de derivativo de crédito e o swap de crédito consiste no facto de que no swap de taxa de retorno total existe a troca de fluxos de caixa, havendo ou não um evento de crédito (por exemplo, inadimplência); enquanto que no swap de crédito, o pagamento está vinculado à ocorrência de um evento de crédito.

Vd. https://www.fortes.adv.br/pt-BR/termo/glossario/548/swap-de-taxa-de-retorno-total.aspx

[3] NT. vd https://www.investopedia.com/terms/u/ucits.asp

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