UM MUNDO VERSÁTIL, por JOÃO MARQUES

 

 

Quando há sete anos, mais precisamente no dia 10 de março de 2011, o intocável Kadhafi anunciava em direto na televisão estatal ter dado o dinheiro necessário ao candidato presidencial francês Sarkozy para ele ganhar as eleições de 2007 – o que veio a acontecer – não imaginava o que se iria passar sete meses depois, com o seu assassinato, o desmembramento do país e uma crise incontrolável no Médio e Grande Orientes.

De facto e depois das primeiras intervenções da NATO, a Líbia foi entregue ao trio Obama, Cameron e Hollande com o intuito de colocar um ponto final no regime líbio e eliminar o seu dirigente máximo, até então, tão querido dos regimes ocidentais, a começar pelo seu “irmão” italiano Berlusconi.

Acontece que o ex-Presidente francês foi detido para interrogatórios, na manhã desta terça-feira, em simultâneo com o intermediário financeiro Alexandre Djoubri, em Londres, enquanto o ex-diretor do gabinete de Kadhafi, refugiado na África do Sul, foi hospitalizado em estado crítico, depois de um atentado ainda inexplicado. Considerando ser demasiado cedo abordar a história macabra do “veneno do Kremlin”, vamos procurar retomar, como prometemos, o artigo anterior, introduzindo o início da governação alemã, seis meses após as legislativas e com a estratégica pasta das finanças a ser entregue ao social-democrata Olaf Scholz, que geria a cidade-estado de Hamburgo.

No plano interno é curioso que o programa aprovado prevê um orçamento de €4 mil milhões para a construção de habitação social e incitações para acesso à propriedade, enquanto a educação e investigação dispõem de €6mM, sendo o somatório equivalente ao abandono definitivo do imposto de solidariedade com a parte leste (ex-RDA).

A nível europeu, além de um conjunto de iniciativas financeiras, como a passagem do Mecanismo de Estabilidade Financeira para Fundo Monetário Europeu, é na esfera política, com uma aproximação estratégica à França de Macron, que se irá configurar a próxima década europeia a duas velocidades inequívocas, uma para esta dupla conjugal, com os vizinhos do norte e, outra, para os “austeros do sul”, com uma Itália visivelmente antieuropeia, que não consegue sequer superar os recentes resultados eleitorais, pelo que talvez seja o “momento ideal” para consultar o Vaticano.

Quando evocámos, há quinze dias, o “novo imperador” da China, temos de relevar sucintamente, as centenas de páginas lidas sobre a concentração do poder em Xi Jinping, cujos contornos se situam já no final do anterior mandato. Concentrando a informação até as alterações constitucionais que lhe proporcionam um estatuto vitalício na chefia do partido e, consequentemente, do estado chinês, 1,3 milhões de militantes foram colocados atrás das grades por alegados atos de corrupção, ao ponto de deixar a prisão de Quincheng – reservada para as elites políticas e financeiras, desde os finais da “revolução cultural”, personificada pela mulher de Mao Tsé-Tung – em completa rutura, já que por lá não há nenhum Ritz-Hotel, como na Arábia Saudita.

Selecionando alguns dos detidos e deixando os que foram executados, fácil é compreender que o caminho superiormente seguido por Xi Jinping se transformou numa autoestrada para o poder absoluto. Por exemplo, Lu Wei, vice-diretor da Agência Nova-China, censor do regime, controlador oficial da net e das redes sociais com 730 milhões de utilizadores, nomeado, em 2013, como o número dois do partido para a informação e propaganda, foi afastado do comité central (junho,2016) até ser encarcerado por corrupção. E que dizer de Sun-Zhengeai, membro do comité central desde 2012, acusado de utilizar a sua amante para ganhar concursos nas obras públicas e cuja “veracidade” confirmou em pleno julgamento. Concluindo e para apagar qualquer equívoco, quero aqui deixar expresso o meu profundo apreço pela cultura ancestral e a história chinesa.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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