Trickle down ou trickle up eis a questão. E qual tem sido a opção? Parte II – 22. Aproveite isso enquanto pode (1ª parte). Por John Mauldin

Uma nova série sobre as novas tempestades que se vislumbram já no horizonte

Imagem 2 Trickle-Down CADILLAC

 Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Parte II – 22. Aproveite isso enquanto pode (1ª parte)

Por John Mauldin  john mauldin

Publicado por mauldin economics logo em 3 de fevereiro de 2018

Se viajar tanto quanto eu, passará a valorizar os voos sem escala. As ligações entre linhas introduzem incerteza e potenciais atrasos, para não mencionar o que muitas vezes se sente como tempo desperdiçado; mas às vezes as ligações são inevitáveis. Mas ninguém quer que sejam muito à justa. Aquelas corridas de cinco minutos de um corredor para outro nunca são divertidas. É melhor termos um pouco de espaço para respirar.

Também é assim com os ciclos económicos. Raramente nos movemos diretamente de uma situação de forte expansão (parte alta do ciclo) para uma situação de forte contração (a parte baixa do ciclo); mas quando a mudança chega, ela pode desenvolver-se bastante rapidamente, embora a transição não seja geralmente óbvia em tempo real. Ao olhar para os dados e conversar com as pessoas dos meus contactos, estou a começar a concluir que nos estamos a aproximar de uma dessas fases de transição. Eu acho que quando olharmos para trás veremos 2018 como um ano de transição … dos bons tempos para algo que, eventualmente, não será tão bom.

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Getty Images

Agora, deixem-me sublinhar que não estou a prever uma desgraça iminente. Como se poderá ver mais abaixo, acho que a festa pode durar mais um ano, talvez até mais. Mas eu vejo nuvens de tempestade no horizonte, e elas estão a soprar na nossa direção.

Esse horizonte sinistro significa que alguns ajustamentos de estratégia estão na ordem do dia. Devemos estar conscientes que a volatilidade que vimos no mercado de ações nos últimos dias se irá transformar mais em norma. Falaremos disso mais tarde. Comecemos por considerar onde estamos agora.

O alívio no ano 2000

Até agora, economicamente e em termos de PIB, 2018 parece não ser muito diferente de 2017.

Economicamente, as primeiras estimativas sobre todo o ano de 2017 mostram que o PIB real dos EUA aumentou 2,3%, ou 4,1% em valor corrente (nominal, não ajustado pela inflação). Isso não é um grande desempenho mas também não se pode dizer que seja horrível. Eu espero poder dizer o mesmo sobre 2018, e possivelmente veremos um crescimento ligeiramente mais forte nos primeiros seis meses, mas esse crescimento pode ser um crescimento concentrado no início e, portanto, menor no segundo semestre.

Um ótimo gráfico do Fed de Atlanta na sua página relativa ao PIB mostra o consenso das empresas importantes sobre o crescimento em 2,6%, num intervalo acima de 2% mas inferior a 3%.

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Mas observe a linha verde situada no canto superior direito. Essa é a previsão do PIB do Fed de Atlanta agora, que foi aumentada apenas nesta semana de 4,2% para 5,4% para 2018. Isso é enormemente mais otimista do que o consenso das grandes empresas que acabámos de referir. Para aqueles que não estão familiarizados com a metodologia de previsão do Fed de Atlanta, devo notar que os seus valores estimados foram mais baixos do que os dos analistas sobre estas empresas nos últimos anos. Este é o valor mais alto que eu me lembre de todos os publicados até agora desde que o FED criou essa metodologia há alguns anos atrás.

Se este tipo de pensamento infecta o resto dos investigadores do FED então cada um de nós pode esperar que eles apresentem mais três aumentos de taxas neste ano. Só que …

De momento, porém, a declaração do Comité Federal de Mercado Aberto desta semana resume bem a situação: “Os ganhos no emprego, na despesa das famílias e no investimento fixo das empresas foram sólidos e a taxa de desemprego permaneceu baixa”.

Recentemente apesar da volatilidade, as ações ainda apontam no sentida da alta à medida que os analistas aumentam as estimativas de ganhos quase que incessantemente. Os investidores não estão a afastar-se dos ativos de risco. Muito pelo contrário: The Conference Board informou que os americanos agora estão mais otimistas sobre o valor das ações do que estiveram desde janeiro de 2000 – apesar da queda de 666 pontos de ontem (-2,54%) no Dow.

Vamos parar aqui mesmo. O que é que estava a acontecer em janeiro de 2000? Tínhamos acabado de passar por um susto com a crise do ano 2000 como sendo apenas um episódio económico ou social, muito a contragosto dos pessimistas que se abasteceram e armazenaram cereais, balas e produtos de cuidados de saúde. Eu tinha escrito um livro onde dizia estar á espera de alguns contratempos mas não de um desastre. Como isto acabou, até eu estava demasiado pessimista.

Mas as pessoas tiveram outras razões para se sentir bem em janeiro. O índice NASDAQ 100 tinha acabado de dobrar em 1999 e parecia vir a ser ainda mais alto. Isso aconteceu – até março de 2000, quando a imagem mudou dramaticamente para pior.

Avancemos rapidamente 18 anos, e agora temos, além de ações tecnológicas, Bitcoin e todas as suas pequenas primas criptos. Eles estão fora dos carris mas poucos são os fãs que atiram a toalha ao chão. Eu suspeito que em vez de competirem entre si, Bitcoin e as ações podem estar a alimentar-se mutuamente. Ambas contribuem para a atitude geral de “risco em” entre os investidores. Esta reação pode transformar-se num problema se se verifica entre estes dois “ativos” um efeito de arrasto à baixa, mas também, isso ainda não está a acontecer.

Os cortes nos impostos republicanos têm muito a ver com as boas expetativas atuais. O impacto do pacote legislativo sobre as empresas é já evidente. Numerosas empresas anunciaram bónus, aumentos de salários e planos de expansão. Uma grande mudança na taxa de tributação das empresas está por detrás de grande parte desta atividade: as empresas podem agora deduzir imediatamente as compras de equipamentos nos lucros tributáveis em vez de amortizá-los ao longo de vários anos. Essa mudança simplifica o planeamento e incentiva as decisões rápidas. Existem inúmeras histórias sobre as empresas que compram equipamentos para que possam registá-los este ano e reduzir os seus custos fiscais em vez de adiarem as compras.

A desregulamentação também está a ajudar – ou pelo menos a promessa de desregulamentação. Alguns leitores lembraram-me corretamente que a maioria das alterações desejadas pela Administração Trump ainda estão em curso para serem colocadas em forma de lei. Embora seja verdade, acho que falta aqui uma questão mais relevante: a perceção é importante. Os donos das empresas podem não ver ainda nenhum benefício específico, mas acreditam que estes chegarão. Os empresários estão a ouvir o otimismo das suas respetivas associações empresariais. Eles também veem uma atitude mais cooperadora das agências reguladoras. Essas mudanças dão-lhes a confiança de que o peso regulatório, pelo menos, não irá piorar, e essa confiança aparece nas suas decisões de investimento.

Então, tudo isso são boas notícias. Penso que isto é suficiente para manter a fase de expansão até ao final de 2018. E porque não mais ainda? Vários motivos – um dos quais paira sombriamente mais que todos os outros.

 

(continua)

Disponível em http://www.mauldineconomics.com/frontlinethoughts/enjoy-it-while-you-can

John Mauldin: reputado especialista financeiro, com mais de 30 anos de experiência em informação sobre risco financeiro. Editor da e-newsletter Thoughts from the Frontline, um dos primeiros boletins informativos semanais proporcionando aos investidores informação e orientação livre e imparcial. É presidente da Millennium Wave Advisors, empresa de consultoria de investimentos. É também presidente de Mauldin Economics. Autor de Bull’s Eye Investing: Targeting Real Returns in a Smoke and Mirrors Market, Endgame: The End of the Debt Supercycle and How It Changes Everything, Code Red: How to Protect Your Savings from the Coming Crisis, A Great Leap Forward?: Making Sense of China’s Cooling Credit Boom, Technological Transformation, High Stakes Rebalancing, Geopolitical Rise, & Reserve Currency Dream, Just One Thing: Twelve of the World’s Best Investors Reveal the One Strategy You Can’t Overlook e The Little Book of Bull’s Eye Investing: Finding Value, Generating Absolute Returns and Controlling Risk in Turbulent Markets.

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