Trickle down ou trickle up eis a questão. E qual tem sido a opção? Parte II – 22. Aproveite isso enquanto pode (3ª parte-conclusão). Por John Mauldin

Uma nova série sobre as novas tempestades que se vislumbram já no horizonte

Imagem 2 Trickle-Down CADILLAC

 Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Parte II – 22. Aproveite isso enquanto pode (3ª parte-conclusão)

Por John Mauldin  john mauldin

Publicado por mauldin economics logo em 3 de fevereiro de 2018

(3ª parte-conclusão)

Rebobinar a fita para 1987

Na verdade, vamos olhar para dois anos, 1987 e 1994. 1987 é instrutivo porque o prelúdio do colapso do mercado em outubro foi uma venda no mercado de obrigações que se tinha iniciado alguns meses antes, combinado com o enfraquecimento do dólar. Soa a qualquer coisa de familiar?

Devo ressaltar que os mercados de tendência à baixa como 1987 ou 1998, quando não são acompanhados por uma recessão, são tipicamente em forma de V e rapidamente ultrapassados. É quando se tem um mercado com tendência à baixa, não importando o quão profunda é esta tendência, que é acompanhado por uma recessão que temos que ficar preocupados com a lenta recuperação do mercado.

O ano de 1994 é instrutivo porque o Fed iniciou um ciclo de pressão na oferta de moeda e houve receio quanto à inflação. Não ajudou nada que houvesse uma grande alavancagem no mercado obrigacionista, o que causou muito sofrimento durante a venda dos títulos. Os historiadores notarão que embora o rendimento das obrigações a 10 anos tenha aumentado significativamente, a inflação nunca retomou de facto a sua trajetória anterior. E o mercado recuperou-se de forma relativamente rápida.

Probabilidades de correção a aumentarem

Dito isto, não deve surpreender que as correlações entre classes de ativos sejam de até 90% (fonte: Deutsche Bank). Toda a gente parece estar jogando no crescimento global e da reflação global. Em quase todas as classes de ativos, todos os traders estão no lado otimista do barco – ou pelo menos estavam até há poucos dias.

Esse nível de correlação significa que a dor numa dada classe de ativos poderia facilmente traduzir-se em dor noutras classes de ativos, mesmo que as notícias sobre a evolução económica aparentemente melhorassem. Porque, e se o Atlanta Fed estiver certo? O Fed terá que se inclinar perante o mercado com mais do que três aumentos de taxas ainda este ano e com mais aumentos depois, no próximo ano. Outros grandes bancos centrais também teriam que iniciar ciclos de pressão, ou dito de outra forma, de restrição monetária. Nós estamos a ficar viciados em dinheiro fácil e em taxas de juros baixas há já tanto tempo que a mudança de regime é assustadora. Não somos diferentes dos viciados que finalmente percebem que terão que desistir da droga da sua escolha.

Nos mercados acionistas americanos, a exposição dos fundos mútuos atingiu o seu mais alto nível em seis anos, enquanto a taxa de juro de curto prazo de ações e ETFs caiu para o nível mais baixo desde 2007.  Como os investidores procuram o mesmo de transações, o consenso é que quase tudo está conduzido por padrões históricos. As posições longas líquidas no petróleo mais do que triplicaram desde junho, impulsionadas pela queda do dólar e pelo aumento da procura global. A exposição dos fundos é agora cerca de 2,8 de desvio padrão acima da média. (Fonte Bloomberg)

Grande parte do bom pressentimento atual depende da despesa dos consumidores, que está em alta. Este aumento na despesa reflete a confiança no futuro, mas o outro lado da questão é que a taxa de poupança é menor. O Departamento de Comércio informou na semana passada que a taxa de poupança era de 2,4% do rendimento doméstico disponível, a menor desde setembro de 2005. Esse foi um ano de grande expansão da habitação quando as pessoas se estavam a lançar na compra de casas e a desfazerem-se das ações de uma forma quase selvagem. Muitos arrepender-se-iam alguns anos depois.

O meu amigo Steve Blumenthal acaba de publicar uma nota em que fala sobre o que considera os seus dez melhores indicadores de recessão. Nove deles não sinalizam qualquer problema  pelo menos durante os próximos nove meses. Os sinais não vão além disso. O crescimento do PIB não é o problema este ano.

O problema é os mercados estarem saturados e o potencial de o Fed ir demasiado longe. Nós simplesmente não sabemos o que acontecerá quando o Fed começar a retirar US $ 150 mil milhões por trimestre do seu balanço até ao final deste ano. Talvez tenham razão, e isso não signifique nada. Talvez a execução de um défice anual de US $ 1 milhão de milhões não faça nenhuma diferença. Talvez quatro aumentos nas taxas de juros não sejam importantes.

Nenhum destes fatores são ainda sérios, mas eles somar-se-ão ao longo do tempo. Talvez o mercado os ignore, veremos a projeção de crescimento de 25% dos lucros feita pelos analistas, e o S&P será muito mais alto este ano.

Qualquer número de eventos de risco de cauda [N.T. risco associado a eventos raros mas que podem provocar perdas extremas] poderia mudar a imagem rapidamente: guerra na Coreia ou no Oriente Médio, um grande incidente terrorista ou um ciberataque, conflitos comerciais em espiral, uma falência bancária – bem, a lista é conhecida. O mundo pode mudar rapidamente.

Agora é um bom momento para planear a sua estratégia de redução de risco. Quer equilibrar a sua posição e permanecer envolvido em ativos de crescimento, se eles fizerem parte do seu plano. Ao invés de tentar diversificar as classes de ativos, que estão tanto a subir como a descer, eu tentaria diversificar as estratégias de negociação sobre títulos. Pense sobre o que quer fazer como investidor quando o mercado se virar contra si.

A esperança não é nenhuma estratégia. Como investidor é preciso ter um plano, ou precisa de encontrar alguém que tenha um plano com o qual como investidor se sinta confortável.

Para resumir, não espero um mercado em grande baixa, mas uma correção é uma possibilidade real. Este será um ano muito mais volátil do que 2016 ou 2017. Os mercados densos em compradores e saturados movendo-se concertadamente são a adequada poção mágica das bruxas para que ocorram correções voláteis. Só estou a dizer …

Sonoma, San Diego e SIC, e em algures mais

Dentro de três semanas, Shane e eu iremos a Sonoma, onde falarei na conferência anual de clientes dos meus amigos da Peak Capital. Então regressaremos a Dallas e continuarei os preparativos para a Conferência de Investimento Estratégico [SIC-Strategic Investment Conference]. Esta será realmente a melhor conferência que já fizemos, e não queiram perder este evento. Mantivemos teleconferências com os vários oradores sobre o que eles vão apresentar e como trabalhamos quer como moderadores quer nos painéis de questões e estamos a ajustar um pouco mais a programação para melhorar o fluxo das ideias.

Esta será a nossa 15ª conferência anual, e aprendemos algumas coisas sobre a forma como tornar a SIC mais interessante e permitir aos participantes uma maior interação com os oradores. Além disso, usamos agora software que permite que os participantes façam perguntas e que as pessoas votem sobre as questões que desejam mudar para o topo da fila de espera das perguntas. Funciona incrivelmente bem, e os participantes veem as questões mais importantes a serem respondidas.

Na noite de domingo é o Super Bowl, e Shane e eu estamos a organizar a nossa quarta festa anual do Super Bowl. Nós não fazemos mais de três ou quatro festas por ano (e Shane faz agora a maior parte do trabalho), mas a nossa casa está realmente configurada para nos divertirmos e as festas são em si mesmas uma enorme diversão. Além disso, temos aqui muitas TV e isso é então como viver num grande bar desportivo. É realmente perfeito para que as pessoas vejam o jogo, aproveitem um pouco de picante, batatas fritas e guacamole, etc. Eu realmente não tenho um clube preferido neste jogo, o que significa que provavelmente vou torcer pelo perdedor, que é obviamente Filadélfia. Mas na maior parte, vou passar o meu tempo passeando, conversando com amigos e curtindo a diversão.

Um ultimo comentário sobre o mercado. O meu amigo Steve Blumenthal enviou-me este link do MarketWatch. É sobre a “parede de maturidade” para a qual as obrigações de alto rendimento se estão a preparar para entrar nos próximos três anos. Se por algum motivo vemos uma recessão durante esse período, será difícil para estes emissores de obrigações de alto rendimento refinanciarem as suas dívidas a um qualquer valor próximo do que são hoje a taxas de que eles desfrutam. Os sinais de venda foram ativados em vários grandes serviços a trabalharem sobre obrigações de alto rendimento e alto risco nos últimos dias, e há pouca liquidez no mercado de títulos de alto rendimento tal como ele está. Se chegarmos a uma recessão real, a liquidez restante irá secar e os títulos de alto rendimento cairão em valor ainda para bem mais longe do que na última recessão. Dodd-Frank mudou os níveis em que os bancos podem ser criadores de mercado de obrigações e eles têm sido a principal fonte de liquidez. As ofertas simplesmente desaparecerão, e será uma derrota. Talvez não aconteça esta semana ou na próxima; mas se alguém tiver investido em obrigações de alto rendimento, então esse investidor terá necessidade de ter a sua estratégia de saída e planeada a tempo. Apenas para registo, esse é o tipo de coisa que costumo cobrir no meu serviço Over My Shoulder. Over My Shoulder é uma maneira barata de ter informações tratadas com seriedade e fornecidas diretamente na sua caixa de entrada de computador. Neste caso, recebe as notícias e os relatórios que considero serem os mais interessantes e confiáveis.

E com isto termino, carrego na tecla send e desejo-vos uma boa semana. E espero que a vossa equipa ganhe!

O vosso analista financeiro à espera que haja mais volatilidade.

John Mauldin

 

Disponível em http://www.mauldineconomics.com/frontlinethoughts/enjoy-it-while-you-can

 

John Mauldin: reputado especialista financeiro, com mais de 30 anos de experiência em informação sobre risco financeiro. Editor da e-newsletter Thoughts from the Frontline, um dos primeiros boletins informativos semanais proporcionando aos investidores informação e orientação livre e imparcial. É presidente da Millennium Wave Advisors, empresa de consultoria de investimentos. É também presidente de Mauldin Economics. Autor de Bull’s Eye Investing: Targeting Real Returns in a Smoke and Mirrors Market, Endgame: The End of the Debt Supercycle and How It Changes Everything, Code Red: How to Protect Your Savings from the Coming Crisis, A Great Leap Forward?: Making Sense of China’s Cooling Credit Boom, Technological Transformation, High Stakes Rebalancing, Geopolitical Rise, & Reserve Currency Dream, Just One Thing: Twelve of the World’s Best Investors Reveal the One Strategy You Can’t Overlook e The Little Book of Bull’s Eye Investing: Finding Value, Generating Absolute Returns and Controlling Risk in Turbulent Markets.

 

 

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