NÃO QUERO A RODA por Luísa Lobão Moniz

Crianças mortas à nascença pelas próprias mães.

Como se pode explicar?

Crianças mortas à nascença por asfixia, ou com objectos cortantes!

Como se pode antever que uma mulher possa assim reagir à nascença de um filho? Porque a fúria do mundo se volta contra um ser indefeso?!

Como um ser indefeso pode ser uma tão forte ameaça que leve a mãe a matá-lo, assim que nasce?

Li várias descrições de como as crianças são mortas que são de tal maneira violentas que nem as consigo reproduzir. Já é suficientemente chocante que se matem bebés.

Meninos e meninas não desejadas, com deficiências físicas, geradas às escondidas não chegam a ver a luz do dia, não chegam sequer a chorar.

Será que a assassina tem lágrimas suficientes para viver com este pesadelo?

O caso mais recente do conhecimento público é tão medonho que nos apetece dizer, avisar       “ se não queres o teu filho dá-o para ser adoptado”.

Já lá vai o tempo em que estas crianças não desejadas eram acarinhadas pelas mães e depois postos “na roda”, à porta de uma casa onde viviam pessoas de bem, ou entregues a alguém de confiança.

Matar?!

Há quem as deposite nos caixotes do lixo.

Conheci um menino que foi encontrado num caixote do lixo, de madrugada, por um vendedor ambulante. Pegou no menino com o todo o carinho e levou-o para casa onde foi recebido por um colinho cheio de ternura…

O menino cresceu, estudou, sabia a sua origem e vivia feliz por ter sido encontrado por aquele pai e por aquela mãe. E se tivesse sido morto pela mãe biológica?

Como podemos explicar que ao mesmo tempo que existem mães que matam os filhos, outras os recebam com todo o afecto e que lutem pela sua vida?

A mente humana fabrica comportamentos que não vêm do nada, tudo tem a sua explicação quer seja neurológica ou social. Como se pode prevenir o trágico destino de um ser que vive ainda na barriga da mãe?

Pediatras, psicólogos, pedopsiquiatras, neurologistas, o senso comum tentam compreender o que se passa na cabeça destas mães.

Deve ser algo de tão assustador que…

Não, não quero a “roda”, não quero que chorem nos caixotes do lixo, não quero que tremam de frio e fome à porta da casa de alguém.

Quero uma sociedade em que o bem supere o mal, em que todos tenham acesso à saúde mental ou social.

Quero ver as pessoas felizes, mas como quando caem bombas que destroem vidas?

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