Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Um acontecimento sob bandeira falsa é a distância que nos separa da terceira guerra mundial
Caitlin Johnstone, We Are One False Flag Event Away From World War 3
Medium.com, 25 de Março de 2018
Em Setembro do ano 2000, o extremamente influente centro de reflexão e de pressão neoconservador Project for the New American Century publicou um relatório intitulado “Reconstruindo as Defesas da América”, que estabelecia uma agenda para garantir aos Estados Unidos o domínio mundial num mundo pós-guerra fria. Este apelava a enormes mudanças, a mudanças radicais no modelo atual da política externa americana, sobre o qual nos dizem:
“Além disso, o processo de transformação, mesmo que traga mudanças revolucionárias, é suscetível de ser um processo longo, na ausência de algum evento catastrófico e catalisador -como um novo Pearl Harbor.”
Um ano depois, os neoconservadores têm o seu “novo Pearl Harbor” na forma do 11 de setembro.
A seguir à página de título de “Reconstruindo as Defesas da América”, o leitor encontrará uma introdução intitulada “Sobre o Projeto para o Novo Século Americano”, que começa da seguinte forma:
“Estabelecido na Primavera de 1997, o Projeto para o Novo Século Americano é uma organização educacional sem fins lucrativos cujo objetivo é promover a liderança global americana. O Projeto é uma iniciativa do Projeto Nova Cidadania. William Kristol é o presidente do projeto, e Robert Kagan, Devon Gaffney Cross, Bruce P. Jackson e John R. Bolton atuam como os seus diretores. ”
O leitor pode notar que eu mencionei alguns desses nomes no meu trabalho, ultimamente com um foco especial em John Robert Bolton, que recentemente foi nomeado como novo Assessor de Segurança Nacional do Presidente Trump. Bolton foi uma das principais vozes que defenderam a causa das guerras neoconservadoras de George W. Bush, e permaneceu como o mais agressivo especialista neoconservador sobre a guerra nos meios de Washington, enquanto continuava a defender a invasão do Iraque, que tem continuado a defender a agressão militar contra todo e qualquer governo que se recuse curvar face ao império centralizado nos EUA.
Hoje, a jornalista Abby Martin colocou em relevo uma citação de Trump em Janeiro deste ano, a menos de três meses antes do presidente escolher um dos principais arquitetos de Project for the New Americana Century que é um insaciável defensor da guerra para a mais importante posição como consultor no atual Executivo. A citação perdeu-se na confusão das muitas notícias e não recebeu tanta atenção quanto deveria. A citação diz o seguinte:
“Eu gostaria de poder levar o nosso pais de novo a alcançar uma grande forma de unidade. Sem um grande acontecimento grave em que as pessoas são levadas a unirem-se isso é difícil de fazer. Mas gostaria de o fazer sem ser necessário um grande acontecimento, porque geralmente um grande acontecimento não é uma boa coisa.”
A Autorização para o Uso da Força Militar Contra Terroristas foi aprovada pelo Congresso na sequência do 11/9, permitindo aos EUA colocar estacionar indefinidamente tropas em qualquer país com uma presença terrorista, mesmo que esses terroristas tenham sido armados e financiados pelo governo dos EUA. O trauma infligido aos americanos naquela manhã de Setembro foi utilizado para encurralá-los e apoiar não apenas uma, mas duas invasões terrestres em grande escala no primeiro mandato de Bush, que mataram um milhão de pessoas, desestabilizaram uma região inteira e criaram um dilúvio de fações terroristas para a máquina de guerra dos EUA jogar com eles e utilizá-los para dizimar a Líbia e a Síria.
Não sou especialista no ataque de 11 de Setembro, mas sei de fato que as agendas preexistentes dos belicistas ocidentais beneficiaram imensamente com isso, que a história oficial está repleta de buracos de enormíssimos enredos e que o império centralizado tem uma extensa história na utilização de mentiras, propaganda e falsas bandeiras para fabricar o apoio a atos depravados de violência militar. Não há razão para dar-lhes o benefício da dúvida neste momento da história, e há todos os motivos para não o fazer.
O império centralizado nos EUA agora está de acordo com os seus próprios dados entrando num estado de “pós-primazia”, o que significa que, para avançar a agenda neoconservadora de dominação global, algo de drástico terá que ocorrer. Na minha opinião, é para isso que estamos a ser preparados com toda essa ininterrupta propaganda anti Rússia, hoje.
Esta preparação tem sido necessária. Se em 2015 os nossos senhores de Washington nos dissessem que uma guerra contra a coligação do Irão, Rússia e China era inevitável por causa de algum novo evento traumático, o público teria dito: “Não, bolas, não estamos disponíveis para a fazer”. Isto realmente teria sido um caso de guerra e ninguém apareceria. A ilusão teria sido quebrada, a confiança no establishment teria sido destruída, a confiança na máquina de propaganda dos media nunca mais seria restaurada, e uma larga porta seria aberta para todos nós jogarmos fora as maquinações das estruturas de poder existentes e construirmos algo de novo e saudável.
Assim, eles têm necessidade de nos preparar, e têm-no feito com um sucesso notável. Antes do final de 2016, o americano médio raramente pensava na Rússia, quase nunca pensava em Vladimir Putin e não fazia ideia do que era o Kremlin. Agora, o ódio pela Rússia está na vanguarda da consciência na América, e agora também infetou o Reino Unido e está rapidamente a espalhar-se por toda a Austrália e Europa. A madeira tem sido lentamente secada para algum grande evento futuro, e um evento de bandeira falsa será como um fósforo aceso em lenha rapidamente inflamável. Os media vão pegar nessa bandeira e fazê-la espalhar pelo mundo com uma enorme força e rapidez e as pessoas serão arrebatadas pelo medo em direção à saída pela guerra.
Não terá que vir do governo dos EUA. O novo império ocidental é virtualmente sem fronteiras, e qualquer governo ou grupo que lhe seja leal pode ser recrutado para ajudar a desenvolver uma tal agenda, dificultando a identificação de uma bandeira falsa. É provável que seja necessária muita clareza interior para ver o engano em primeiro lugar.
Mas ainda podemos dizer não. Todos nós podemos trabalhar para fazer circular a consciência de para onde tudo isso parece estar a caminhar, de modo que, quando o evento finalmente acontecer, ainda possamos dizer “Não, bolas, não estamos disponíveis para fazer isso”. Precisamos começar a plantar as sementes de dúvida agora, no entanto, teremos que inocular o maior número possível de pessoas relativamente a um futuro psicopata militar. Façamos com que as pessoas saibam quem é John Bolton e o que representa, contem-lhes sobre o PNAC, sobre a história da América na utilização de mentiras, propaganda e falsas bandeiras para fabricar apoio a operações militares. Eles ainda podem vir a ter uma guerra para a qual ninguém apareça.
Se pudermos fazer isso, podemos livrar-nos da máquina de opressão como de um casaco pesado num dia quente e construir um mundo saudável juntos. Nós apenas temos que acordar rápido como um todo antes deles deixarem cair o martelo.
Caitlin Johnstone, We Are One False Flag Event Away From World War 3, editado pelo sítio Medium. Disponível em:
https://medium.com/@caityjohnstone/we-are-one-false-flag-event-away-from-world-war-3-fe9244e70fb8




