AINDA SOBRE OS TEXTOS SOBRE PLATÃO E ARISTÓTELES DEDICADOS À MINHA NETA, ALÍCIA MOTA, E AOS JOVENS DA SUA IDADE – por JÚLIO MARQUES MOTA

 

 

Os textos publicados e dedicados à minha neta Alicia e aos jovens da sua idade podem servir  como contraponto ao clima que se vai viver em Coimbra na próxima semana, a semana da Queima das Fitas, uma semana de álcool, muito álcool, de moitas longas, muitos longas com tudo o que isso pode implicar, e com uma tenaz pressão para a expandir aos jovens de 14 anos para cima.

Com efeito, a Queima das Fitas aproxima-se e com elas as noites de ruídos, de berros e outras coisas piores na noite de Coimbra, com ela gastar-se-ão milhares de litros e litros de cerveja bebidos sofregamente e  que se irão transformar e despejar como urina, pelas ruas desta cidade, com algumas delas transformadas ocasionalmente em verdadeiros mictórios. Com ela ouvir-se-ão os sons das sirenes a atravessar a cidade dia e noite, com ela ver-se-ão dezenas de jovens a serem transportados em coma alcoólico para os Hospitais da Universidade. Com ela temos o mais inquestionável exemplo de que como a indústria da noite invade as nossas próprias vidas, assim como as dos nossos filhos ou netos, à procura das mais-valias presentes pelos consumos de agora e à procura de mais-valias futuras pela moldagem de jovens, ainda muito jovens, a serem consumidores dos produtos a que os querem habituar a consumir, sejam eles álcool sejam eles drogas, ou outros.

Falamos de um mix terrível sobre o qual ninguém quer falar, ou se se falar somos imediatamente apelidados de velho do Restelo ou de reacionário, e falamos de um mix que se pagará bem caro, depois, ao longo da vida para muitos que entrem a fundo nesse mix. E isto na cidade que se quer Cidade da Cultura, aos jovens oferece-se-lhes o seu oposto, com rios de dinheiro à mistura a serem depois devolvidos com altas taxas de retorno no futuro. É a lei do capital e esta só se expressa em taxas e valores de retorno.

A Queima das Fitas representa o “capital” da nossa juventude sem futuro, é a expressão dessa sua insustentabilidade na vida, é a expressão da sua própria volatilidade, dessa alegre cultura de predação desde há alguns anos bem instalada nos nossos modos de vida e instigada nos jovens desde muito cedo. Alegre e trágica pela normalidade que dela escorre e em que se fecham Faculdades para que os estudantes se possam divertir melhor, a Queima das Fitas é também a expressão do nada em toda a sua extensão, na Cidade que deveria ser a Cidade do Conhecimento mas que a passos largos está a caminho de se tornar a Cidade do Desconhecimento. Alguém fala por exemplo em degradação do ensino universitário, por exemplo, ou em utilizar esta semana como espaço de debates sobre a situação dos jovens, sobre as perspetivas de futuro que lhes são oferecidas?

Não. Em vez disso, em vez de debates sobre a situação critica da insustentabilidade em que vive o país, tal como está desenhado o seu modelo de produção e de vida, caracterizado pela política imposta pela Troika e, para nossa estranheza, não alterada nas suas estruturas fundamentais pela geringonça, debates esses que seriam inseridos num espaço repleto de um outro conjunto de atividades culturais, como ateliers de pintura, bailado, poesia, cinema teatro, desporto, oferece-se aos jovens a cultura de festa, do mix acima, para não irmos mais longe.

A cultura da festa é assim exercida num espaço que lhes disponibilizamos e que tomam depois como seu, numa apropriação daquilo que é de todos, para nele se produzir uma infantilização de que os jovens não são os responsáveis mas sim as vítimas, uma infantilização que abafa as angústias que derivam de uma precariedade presente e futuramente também garantida, uma precariedade não desejada por eles e da qual também sabem que não irão sair tão cedo.  Por isso podemos considerar que a Queima das Fitas representa a expressão máxima do vazio em que acantonamos os jovens de hoje, para os anestesiar da falta de futuro, a única certeza que deixamos às gerações futuras. E esta festa assume assim foros de anestesia contra a rebelião de gerações, contra aniquilação daqueles que consideram a política como espaço de intervenção e de realização cultural também. Este último espaço é substituído pela festa e pelo vazio que resta depois dela!

Contra esta visão sobre a época dourada quanto à aquisição de conhecimentos que agora se pratica, onde a festa funciona como meio, e contra o carácter efémero das amizades pontuais e instantâneas que a festa produz, entre todos aqueles jovens que têm como missão a aquisição de conhecimentos e por aí também a possibilidade de relações de amizade duradoiras, contra essa cultura da ignorância que é transversal a todos os estratos da sociedade portuguesa, publico dois textos, sobre Platão e Aristóteles, que à minha neta, Alícia Mota, e a todos jovens da sua idade, jovens que como ela tomam agora os primeiros contactos com a Filosofia, com os autores gregos citados.

Trata-se de dois textos que têm muito a ver com os nossos filhos e netos de hoje, dois textos que, por essa razão, dedico a sua publicação à minha neta Alícia, em particular, e a todos os jovens da sua idade, em geral. Dois textos cujos ensinamentos, espero eu, sejam ou venham a ser uma espécie de lição, de guia, para os mais novos e que, uma vez interiorizados, lhes sirvam como um pequeno farol na subida da caverna para a luz do sol.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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