MPPM – ASSOCIAÇÃO PROMOTORA DO MUSEU DO NEO-REALISMO – ASSOCIAÇÃO ALVES REDOL – FILME “THE IRON WALL”, de MOHAMMED ALATAR, sobre a situação na PALESTINA – HOJE, 9 de MAIO, às 21.30, na JUNTA DE FREGUESIA DE VILA FRANCA DE XIRA

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THE IRON WALL

(O MURO DE FERRO)

Realização: Mohammed Alatar /Duração: 52:32 m/ Palestina, 2006

Quando o pai da direita israelita, Vladimir Jabotinsky, formulou a irredutível estratégia do “muro de ferro”, em 1923, foi dito que o diálogo com os árabes palestinos só seria empreendido quando eles estivessem totalmente derrotados.

O filme aborda a história da implantação sionista na Palestina, acompanhando o crescimento da construção dos colonatos e o seu impacte no processo de paz. Foca, ainda, os mais recentes projectos para tornar permanentes os colonatos – a construção do Muro e o seu efeito na vida da população palestina.

Os colonatos e as infra-estruturas com eles relacionadas atingem a vida da população palestina em todos os aspectos: expropriação de terras, roubo de recursos naturais, privação dos direitos humanos básicos e criação de um sistema de segregação social, baseado no factor étnico racial, semelhante ao apartheid que vigorou na África do Sul.

Em 29 de Novembro de 1947 a Assembleia Geral da ONU aprova a partilha da Palestina em dois Estados., segundo a Resolução 181 – que Israel vai ignorar para, recorrendo à guerra, proclamar unilateralmente em 15 de Maio de 1948 a independência em 78% do território. Centenas de milhares de palestinos serão pelo terror expulsos da sua terra e dos seus lares. Foi a Nakba (a catástrofe) cujos efeitos altamente desumanos e destabilizadores continuam a fazer-se sentir.

Assim, sucederam-se mais cinco mortíferas guerras israelo-árabes. Na de 1967, Israel ocupou os restantes territórios palestinos: Jerusalém Oriental, Cisjordânia, Faixa de Gaza (e outros territórios árabes). Na década de 1990, “pós-guerra fria”, foram encetadas negociações sob a hegemonia dos EUA para “resolver o conflito israelo-palestino” – da Conferência de Madrid, e dos Acordos de Oslo, à actualidade – dada a permanência da política de dominação colonial de Israel. Entre os problemas que têm permanecido em cima da mesa destacam-se a situação de cinco milhões de refugiados palestinos dispersos pelo mundo, a definição das fronteiras que separam os dois territórios, o controlo futuro das fronteiras com os países limítrofes e o estatuto de Jerusalém. Mas um dos maiores obstáculos, ou o maior, a uma negociação genuína, é o da existência continuada e em expansão de colonatos judaicos em todo o território palestino da Cisjordânia, hoje cerca de 200, ocupando 40% do território e habitados por 450.000 judeus. Na realidade, o Estado de Israel não aceita o estabelecimento de um Estado palestino livre, independente, soberano.

Daí a política de colonização israelita, praticamente desde o início da ocupação dos territórios palestinos. Na Cisjordânia, o primeiro colonato foi estabelecido algumas semanas após a Guerra de 1967, em Kefar Etzion. Em 1968, um grupo de colonos instalou-se em Hebron (onde se encontra o túmulo dos patriarcas), tendo combinado com o exército que ficaria apenas durante a Páscoa Judaica, mas ainda hoje lá permanece. Foi também em Hebron que em 1994 um judeu de origem americana, Baruch Goldstein, entrou na mesquita local e abateu a tiro 29 palestinos que rezavam.

A questão dos colonatos estava fortemente enraizada na ideologia sionista, e desde a criação do Estado de Israel existia um plano para os judeus se apoderarem progressivamente do território atribuído aos palestinos pela partilha de 1947. Mas só a partir de 1974 essa expropriação assumiu um carácter nitidamente religioso, já que o Movimento Sionista Internacional era laico na sua origem. Foi o grupo ultra-ortodoxo Gush Emunim, criado em 1967 pelo rabi Abraham Kook e por seu filho Yehuda, e que veio a transformar-se em organização em 1974 (influenciando altamente o Partido Nacional Religioso), que transformou em religiosa uma questão política, Este grupo fundamentalista considera que lhe foi confiada por Deus a tarefa de prolongar as fronteiras de Israel desde a Jordânia até ao mar: “Deus deu a terra ao povo judeu (a Terra Prometida) e nenhum homem ou organização tem o direito de ceder uma parcela dessa terra aos não judeus”.

A política de desenvolvimento dos colonatos iniciou-se em 1977 com a eleição do primeiro-ministro Menachem Begin e a subida ao poder, pela primeira vez na história de Israel, do partido da direita Likud. Begin, e o seu ministro da Agricultura, Ariel Sharon. Eles elaboraram um plano de estabelecimento de colonatos, dotados de importantes infra-estruturas, com a finalidade de, através da criação de factos consumados, impedirem para sempre a criação de um Estado Palestino com continuidade territorial. Yitzhak Shamir (também do Likud), que sucedeu a Begin em 1983, prosseguiu igual política, e mesmo os primeiros-ministros do Avoda (Partido Trabalhista) que lhe sucederam, Yitzhak Rabin e Shimon Peres mantiveram a política anterior. Em 1996 o Likud voltou ao poder com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, cuja política extremista chocou profundamente os palestinos, e até os próprios israelitas e a comunidade internacional. A Cimeira de Camp David (2000), com Bill Clinton, Ehud Barak e Yasser Arafat não produziu quaisquer resultados práticos, continuando a política de colonização.

Aliás, a intenção de desmembrar o território palestino está bem expressa na declaração de Ariel Sharon de 15 de Novembro de 1968, registada neste filme: “Todos se devem apressar para se apoderar de um máximo de cumes das colinas para aí estabelecerem novos colonatos, pois ficaremos com tudo o que temos agora… Tudo o que deixarmos para trás ficará para eles”. Fiel aos seus princípios, Ariel Sharon, que chegou a primeiro-ministro (2001-2006), decidiu em 2002, na sequência da 2ª Intifada (levantamento, revolta) de fins de 2000 (que ele próprio tinha provocado), construir um MURO para cercar a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, com o pretexto de prevenir os atentados terroristas. Esta cintura de cimento armado, que em alguns pontos atinge oito metros de altura e noutras zonas é constituída por uma barreira de arame farpado permanentemente vigiada por soldados e controlada por câmaras de vigilância, veio evocar outras cercas de trágica memória.

O MURO dividiu aldeias, vilas e cidades, destruiu milhares de oliveiras, arrasou casas e campos de cultivo, separou famílias, tornou dificilmente comunicável o acesso a escolas e hospitais e esbulhou ainda mais o já reduzido território palestino, percorrendo-o aos ziguezagues de forma a apropriar-se das zonas mais férteis da região. A Linha Verde, que é a fronteira de referência internacionalmente reconhecida, tem 315 km de comprimento, o Muro tem 670 km. A 9 de Julho de 2004 o Tribunal Internacional de Justiça declarou ilegal o MURO e os colonatos e pediu a Israel que o desmantelasse. Este acórdão foi aprovado por 14 votos contra um, o do juiz norte-americano. Como habitualmente, Israel não cumpre qualquer resolução das instituições internacionais e conta sempre com o apoio incondicional dos Estados Unidos.

Em Portugal, um protesto espontâneo contra este MURO deu origem ao abaixo-assinado “NÃO AO MURO DE SHARON!” que por sua vez levou à formação actual do MPPM:

Durante a realização do presente filme (2005) Israel procedeu a uma primeira evacuação de 8.000 colonos da Faixa de Gaza, mas instalou mais 14.000 israelitas na Cisjordânia. A retirada de Gaza está hoje concluída – numa manobra do governo israelita que transformou o território, cercado e bloqueado, na maior das prisões a céu aberto – mas prossegue o afluxo de novos colonos judeus à Cisjordânia.

Este filme ilustra, de forma sucinta, mas esclarecedora, a sistemática e brutal acção repressiva de Israel sobre o Povo Palestino.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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