CARTA DE BRAGA – “Onde morrem os pássaros?” – por ANTÓNIO OLIVEIRA

 

 

 

 

Baudelaire dizia que o poeta pode ser qualquer coisa, menos não ser contemporâneo, porque ser contemporâneo é olhar o que se passa em volta e saber contá-lo!

Creio que a contemporaneidade talvez resida nisto, na convivência entre a natureza histórica que permite o saber olhar e a natureza artística para o saber contar ou cantar.

Esta curta recordação do poeta percursor do simbolismo, vem a propósito de uma entrevista do psicólogo, filósofo e linguista Georges Colleuil, vinda à luz num diário europeu, no passado 25 de Abril.

Respigo algumas frases – “o homem é um ser simbólico, cria símbolos, tanto nas cavernas desde há quarenta mil anos, como na filosofia que explica tudo o que somos. E a poesia é a chave para voltar a dar encanto ao mundo! É a inspiração”.

E acrescenta “proponho que aprendam de memória os poemas que gostem e os digam em voz alta quando não se sentirem bem. Façam-no também num jantar aborrecido com uma pesada discussão sobre política vulgar. Se não acreditam, leiam ou recitem Victor Hugo e toda a gente se acalma! A arte é medicamento universal!

Mas estamos no Eucaliptal onde também não faltam bardos, mesmo contemporâneos, nesta terra de poetas e suicidas, como Unamuno lhe chamou um dia!

Por isso basta escolherem um deles, os gostos pessoais são os que contam nestas coisas, pois também sei que, se nomeasse alguns, omitiria muitos mais!

E experimentem!

Isto vem a propósito de uma outra questão, também a merecer primeira página num outro periódico, “está a internet mudando-nos como seres humanos?

Não há citações, nem reflexões de técnicos ou filósofos, apenas as considerações de um cidadão aturdido com os avanços tecnológicos, temendo os automatismos e as mudanças que eles arrastam, refugiando-se na improbabilidade de também o poderem vir a fazer às emoções.

Mas dizendo saber-se já a viver numa sociedade ‘smartphone-cêntrica’, afirma que uma ainda maior digitalização, também impõe uma maior necessidade de recuperar o humano tanto no off como no online, para concluir que “o homem, a sociedade inteira, tem à frente talvez o mais importante desafio de toda a sua existência e a criatividade, a imaginação, a curiosidade e o amor serão essenciais para o novo humano que já aí está!

Afinal, está em causa apenas a noção que cada um tem ou venha a ter daquela enorme palavra que tanto incomoda, mas a determinar toda a nossa agitação, felicidade!

Mas até nisso a sociedade ‘smartphone-cêntrica’ dita leis, pois um estudo feito através de 2.400 milhões de posts no Facebook, garante que o ânimo numa qualquer povoação é óptimo quando a temperatura é de cerca de 25º durante o dia e 10º durante a noite, mas só se não chover, se a humidade for moderada e houver poucas nuvens no céu.

Talvez seja por isso – voltando a Colleuil – que “o símbolo é uma forma pedagógica para encontrarmos as partes de nós mesmos que já esquecemos!

E alguém sabe onde morrem os pássaros?

António M. Oliveira

 

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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