Sempre que se sabia alguma notícia do resgate dos meninos presos, numa gruta na Tailândia, os corações das gentes batiam mais depressa.
Todas as pessoas falavam destes meninos receando que eles e o seu treinador não conseguissem ser salvos.
Estes meninos viviam em paz com as suas famílias, eram felizes com o seu treinador, com as suas escolas e amigos.
Na sua cidade não caíam bombas, ninguém fugia da guerra e da fome… são meninos anónimos para o mundo, mas com individualidade e visibilidade comunitária.
O mundo rejubilava quando se conseguia salvar um menino e quando todos já estavam em terra firme com o seu treinador. Sentiu-se um enorme sopro de alegria, parecia que todos nós tínhamos participado neste salvamento!
Mas, logo a seguir muitas, muitas pessoas começaram a pensar nas milhares de crianças que morrem de fome, que morrem na guerra e para as quais não se encontram “mergulhadores”.
O que se vê então? Vêem-se milhares de papéis para legalizar crianças que nem sabem o que é ser ilegal, que não sabem porque é que os pais têm medo de se afirmar como cidadão. Trabalham ilegalmente, não têm os direitos de cidadão, não descontam para a segurança social porque não têm contrato de trabalho, por vezes têm um invisível contrato de escravatura.
Nestes dias, os meninos presos numa gruta fizeram o mundo reflectir. Divulgar a acção destes voluntários, divulgar outra forma de serenar as crianças quando estão em situação de alto risco, divulgar o pedido de desculpa do treinador aos pais e às crianças, divulgar a declaração de confiança no treinador feita pelos pais, é divulgar o que o ser humano tem de bom. É divulgar a responsabilidade de se ser adulto.
É divulgar que são precisos muitos “mergulhadores” voluntários para tirar milhões de crianças da fome, da guerra, da solidão, dos maus tratos.