
A extrema-direita mundial quer Bolsonaro no Palácio do Planalto. Tanto que David Duke, ex-líder do Ku Klux Klan, afirma: “Soa como nós, é um candidato muito forte e um nacionalista, além disso é totalmente um descendente europeu, ele parece-se com qualquer homem branco nos Estados Unidos, em Portugal, em Espanha, em França ou na Alemanha”.
O fascista norte-americano não é o único que quer ver Bolsonaro no “Planalto”. Há muitos mais. A extrema-direita quer o poder e tem uma palavra de ordem: “Fascistas de todo o Mundo, o futuro pertence-nos!”. Steve Bannon, ex-conselheiro de Trump, é um dos ideólogos da besta. Para já o seu objectivo é tomar de assalto o Parlamento Europeu – o coração da Europa. Para isso, Bannon criou o “The Movement”, O Movimento; e quer criar uma fundação que espalhe o “pensamento” de Erdoğan, Netanyahu, Le Pen, Viktor Orbán, Nigel Farage e Salvini.
A estratégia está a resultar. A extrema-direita já assumiu o poder nalguns países europeus e entreabriu a porta doutros. A enxurrada fascista também já se manifesta na Ibéria. Em Espanha, os saudosos do franquismo cerram fileiras num partido criado por um dissidente do PP; e em Portugal, o Ventura escolhido por Passos para concorrer à presidência da Câmara Municipal de Loures anuncia o “Chega”.
Eles, todos eles, leram o “evangélio segundo Hiter”. Quer o apregoem em português açucarado do Brasil, em português abagaçado de Portugal, em castelhano toldado por “rioja” marado ou no inglês-twiteriano de Trump e Bannon. Todos eles são racistas, xenófobos, homofóbicos; defendem a prisão perpétua e a castração química. E dizem-se anti-sistema e anti-corrupção, pois sabem que isso agrada aos “Ninguéns”, que “custam menos do que a bala que os mata”, como escreve Eduardo Galeano (1940/2015) n’O Livro dos Afectos e do qual aqui reproduzo este pequeno excerto:
Os ninguéns: os filhos de ninguém, os dono de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam superstições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não tem cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.
Atente-se, a título de exemplo, no que escrevem nas redes sociais o tal Ventura do anunciado “Chega” e um tal Olavo, que é um dos ideólogos de Bolsonaro. Confira, sff, por esta ordem:
“Só seremos um país realmente justo quando deixarmos de ter uns a trabalhar para o ócio de outros e um sistema fiscal que castiga aqueles que mais se esforçam.”
“A nossa querida comuno-tresloucada Isabel Moreira diz estar cansada dos Venturas desta vida. Um amigo meu psicólogo diz-me que se pode tratar de uma espécie de obsessão amorosa ou de um síndrome de exterminação política. Se se tratar de obsessão amorosa, já sou casado, Isabel Moreira vem tarde. Se se tratar de um desejo de eliminação política tenho uma má notícia: ainda estamos no início. E vamos até ao fim!”
“Se achas que os presos devem trabalhar obrigatoriamente para pagar a estadia nas prisões, subscreve o CHEGA. Começamos a recolha de assinaturas no país todo já na próxima semana.”
“Continuem a olhar para o lado e depois digam que é tarde!
Castração quimica já!”
“O meu (verdadeiro) pai ensinou-me que responder a inúteis é uma perda de tempo, mas desta vez vou violar o ensinamento: Daniel, deixa de fumar essas coisas rápido porque quando eu ganhar vai dar pena de prisão!” (reação a um artigo de Daniel Oliveira no Expresso que o acusou de ser “filho de Passos”)
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“Malgrado toda a simpatia e confiança que o Príncipe Luiz Philippe me inspira, estou contente com a escolha do general Hamilton Mourão* para candidato a vice-presidente na chapa Bolsonaro. Para enfrentar os tremendos desafios que o esperam, o futuro presidente precisará de todo o apoio da classe militar, que decerto não o negará ao general Mourão. Dias atrás, consultado por amigos do Príncipe, afirmei que sua possível candidatura era boa para a chapa, mas ruim para ele. No trono ou fora dele – entendo eu -, a Família Real tem de permanecer acima das disputas políticas imediatas, exercendo pela palavra e pelo exemplo uma liderança intelectual, espiritual e moral para a qual o Príncipe Luiz Philippe é, como aliás também o nosso querido D. Bertrand, especialmente qualificado.”
“Com 30 armas de fogo para cada mil habitantes, a Virginia é o quinto Estado mais armado da América, e um dos mais pacíficos. O sangrento Illinois é um dos dez MENOS armados.”
“Caetano é um pulha, um canalha em toda a linha.”
“No meio do chilique, o Caetano não consegue esconder o segredinho do seu coração: ele daria o cu para escrever como eu.” (Reacção a um artigo de Caetano Veloso na “Folha de S Paulo” em que Caetano o acusou de incitar à violência.
“Dizem que o Marco Antonio Vil tentou parasitar a minha discussão com o Caetano Veloso. Não vou nem ouvir o que ele disse. Só depois da eleição. Não posso interromper uma caçada de rinocerontes para desperdiçar munição num macaquinho enxerido.”
