“ASCENSÃO E QUEDA DO SOCIALISMO” e “ASCENSÃO, QUEDA E FUTURO DO SOCIALISMO” – por Mario Nuti – II (2/2)

20181212_MarioNuti

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Texto II (2/2)

ASCENSÃO, QUEDA E FUTURO DO SOCIALISMO

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Domenico Mario Nuti

(continuação)

5. Populismo versus democracia

Nos últimos anos, esta perversão do projeto social-democrata foi rejeitada pelos eleitorados de um grande número de países, desde o referendo do Brexit à eleição de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos, a muitos países europeus independentemente de serem ou não membros da UE (como na Alemanha, Suécia [4], França, Espanha, Áustria e recentemente Itália) e aos países da Commonwealth (Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Canadá). Nos 15 países da Europa pós-comunista, hoje, sete deles têm partidos “populistas” no poder, dois têm-nos como membros de uma coligação e em outros três são a maior força da oposição. Hodgson (2018) fala de Wrong Turnings – How the Left Got Lost; Kennedy e Manwaring (2017) perguntam “Porque é que a esquerda perde”. Existem múltiplas causas: a redução da base eleitoral dos trabalhadores industriais e manuais; o surgimento de partidos mais comprometidos à esquerda (por exemplo, Die Linke) ou à direita (como a Frente Nacional ou a AFD); a crescente falta de confiança nos partidos políticos, muitas vezes conducente à abstenção dos eleitores; o descontentamento e o desinteresse pela política devido à crise económica. Facto significativo, o fenómeno é particularmente acentuado em países dirigidos pelos sociais-democratas em coligação com a direita, caracterizados por uma elevada imigração, pela redução e agravamento dos serviços sociais e do Estado Providência, e, mais genericamente, pelo empobrecimento absoluto ou relativo das classes médias: a Alemanha é o melhor exemplo mas não o único.

Muitas vezes, a perda de apoio eleitoral por parte dos partidos sociais-democratas é atribuída ao “populismo”, num sentido pejorativo. Rodrik (2018) distingue entre o populismo político, que compromete o pluralismo e as regras democráticas liberais, e o populismo económico que, pelo contrário, encontra justificação nos fracassos das políticas dos governos, incluindo os progressistas, e que pode ser um necessário e, por vezes, único caminho de evitar o populismo político.

Em geral, podemos definir como populismo a promessa de políticas impossíveis ou não sustentáveis, acompanhadas pelo apelo aos sentimentos egoístas do eleitorado. Na verdade, este populismo é indistinguível da democracia, sendo simplesmente a expressão do descontentamento eleitoral relativamente às políticas governamentais, mesmo que apoiadas ou toleradas pelos sociais-democratas, e mesmo quando incentiva injustificada mas legitimamente preconceitos do eleitorado (por exemplo xenofobia, que enquanto simples medo do estrangeiro ou do diferente é um direito inalienável do cidadão). Este populismo pode ser incentivado ou literalmente comprado com concessões e promessas dos dirigentes políticos sem escrúpulos; o perigo da ditadura da maioria temida por Toqueville não pode ser evitado sem se limitar ou destruir a democracia totalmente.

O atual descalabro da social-democracia não se deve à recusa do modelo social-democrata enquanto tal, mas à sua perversão na sequência do hiperliberalismo, das tendências austeritárias e globalistas, não só no comércio internacional mas também em termos de movimento de capitais, de investimentos diretos estrangeiros, de deslocalização de produção para economias emergentes de salários baixos e de migrações de trabalhadores. Estas tendências favorecem grandes empresas multinacionais, secam as receitas fiscais, incentivam a concorrência fiscal entre os Estados, facilitam a evasão e a fraude fiscal com a proliferação de paraísos fiscais e reduzem consideravelmente o espaço político dos governos nacionais. Esta é a social-democracia que hoje perdeu o apoio eleitoral na maior parte de todo o mundo desenvolvido.

6. O renovar do socialismo para enfrentar grandes desafios globais

Hoje em dia está-se a assistir a um renovar das ideias socialistas devido aos vários graves desafios postos ao desenvolvimento e à sustentabilidade da economia mundial no âmbito das atuais políticas nacionais e globais:

– a gestão da globalização do comércio internacional e do investimento: os prejuízos resultantes da globalização são difíceis de compensar através da incidência da tributação sobre os lucros brutos, embora os lucros líquidos sejam positivos, levando a guerras comerciais dispendiosas e ao aparecimento de um novo protecionismo;

-as migrações em massa dos trabalhadores, que na prática são ilimitadas e que também conduzem aos mesmos problemas de redistribuição de benefícios e custos associados a outras formas de globalização. Num mundo sem fronteiras, a vantagem líquida das migrações tem sido muitas vezes sobrestimada, mas mesmo as avaliações mais sóbrias ainda são apreciáveis: Docquier et al. (2012) estimaram que a liberalização da migração aumentaria o PIB mundial entre 7,0 e 17,9 por cento, equivalente a 11,5 – 12.5 por cento a médio prazo. Mas os ganhos dos migrantes e dos seus empregadores, e os ganhos dos trabalhadores no país de origem, não podem ser aproveitados para compensar os perdedores, isto é, os trabalhadores do país de acolhimento e os empregadores no país de origem, sem transferências internacionais que não são viáveis ou sem transferências dos mais pobres para os mais ricos, o que também não é desejável. Uma alternativa socialista terá de distinguir entre refugiados e migrantes económicos, e ser capaz de conter e controlar os fluxos migratórios dentro dos limites da vontade e da capacidade dos vários países para os acolher e financiar a sua integração – quer diretamente quer graças à contribuição financeira dos países que preferem pagar em vez de assumirem a obrigação de os receber, o que deve ter como base os critérios da ONU.

-a necessidade de um investimento massivo em infraestruturas públicas, nos países desenvolvidos dirigido à manutenção de obras públicas em vias de degradação ou em obras novas, nos países em desenvolvimento dirigido sobretudo à criação de novas infraestruturas, bem como em todos os lugares dirigido a investimento em novas habitações, tendo em conta que um quarto dos 4 mil milhões de habitantes das cidades no mundo estão a viver atualmente em favelas, percentagem esta que poderá atingir 50% em 2050.

-o desenvolvimento da tecnologia de digitalização, incluindo a robotização, a Internet das Coisas, o protocolo de confiança Blockchain (para criptomoedas e outras transações seguras), a inteligência artificial, os Grandes conjuntos de dados, bem como campos tão diversos como computação em nuvem, as impressoras a 3-dimensões (ou fabricação aditiva, com desenvolvimentos associados da biotecnologia), drones e carros sem condutor, portáteis e interfaces vocais (ver UNCTAD, Information Economy Report – Digitalization, Trade and Development, novembro 2017). A digitalização irá gerar oportunidades extraordinárias, especialmente no longo prazo, mas no curto prazo, levanta grandes perigos de desemprego em massa, reestruturação das necessidades, requalificação em larga escala e redistribuição. Por exemplo, Frey e Osborne (2017), investigando 702 qualificações profissionais nos Estados Unidos, estimam que cerca de 47% dos empregados dos EUA estão em risco de serem substituídos por máquinas; os estudos recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) também consideram riscos semelhantes.

– A regeneração de poluição acumulada e, mais genericamente, a conservação de recursos naturais não reproduzíveis, que atualmente estão a ser consumidos a taxas não sustentáveis;

-a redução dos “gases com efeito de estufa” que contribuíram para o aquecimento global (eufemisticamente rotulado de “alterações climáticas”); essa necessidade é controversa, mas cada vez menos, e as implicações negativas de tal conjetura, sendo certas, são tão catastróficas que vale a pena levar a cabo medidas de compensação mesmo que haja algumas dúvidas residuais sobre esta matéria.

É verdade que as previsões apocalípticas do passado provaram estar todas erradas, como o esgotamento das reservas mundiais de carvão previsto por Irving Fisher na obra Limites ao Crescimento editado pelo Clube de Roma ou as previsões demográficas malthusianas de uma explosão populacional global. Mas nunca antes houve tantas e tão sérias causas de preocupação. Além disso, a lei de Stein (1976) está destinada a funcionar: “se alguma coisa não pode continuar para sempre, tarde ou cedo parará”. A incapacidade de lidar com estes desafios gera ainda mais desigualdade no rendimento e na riqueza, agravando assim os riscos envolvidos.

7. Os Países Europeus

Na União Europeia surgem problemas adicionais devido ao mau funcionamento das políticas e das instituições europeias, especialmente na zona euro.

As linhas de fracasso são exemplificadas pelo Brexit; pelas tendências de desintegração entre o Norte e o Sul assim como entre o Oriente e o Ocidente, ou ainda as forças centrífugas internas dentro dos Estados; pela política comercial (com um défice democrático que permite que 3,5 milhões de valões bloqueiem um tratado que afeta 545 milhões de cidadãos europeus, ou a imposição do Acordo Global de Economia e Comércio (CETA) com o Canadá depois de 7 anos de negociações secretas em termos particularmente favoráveis aos investidores internacionais que contém o mecanismo dito de Resolução de Litígios entre Investidores e o Estado protegendo os seus lucros da legislação regulamentar; pela abolição das fronteiras internas da UE (Schengen) sem reforçar as fronteiras externas da UE e sem adotar uma política comum de migração, permitindo assim praticamente as migrações sem fronteiras; por um orçamento ridiculamente minúsculo da ordem de 1% do PIB, sempre equilibrado ex post, em comparação com o orçamento federal dos EUA de mais de 20%; pelo “estúpido” (veredicto de Prodi) conjunto de restrições de austeridade relativamente ao défice público e à dívida; pela concorrência fiscal entre os países membros; pela divergência das políticas de bem-estar (com ampla dispersão entre os países do índice de justiça social, calculado pela Fundação Bertelsman com base na prevenção da pobreza, educação equitativa, acesso ao mercado de trabalho, coesão social e não discriminação, saúde, justiça intergeracional -que atingiu o seu ponto mais baixo em 2012-14 e ainda está abaixo do nível de pré-crise); a tolerância dos regimes iliberais de Estados-Membros, bem como de candidatos à adesão e aliados; a falta de uma política externa comum e de uma política de defesa comum.

Além disso, a criação de uma moeda comum foi prematura (antes da integração política, orçamental e bancária), prejudicada pela incapacidade do Banco Central em atuar como Emprestador de último recurso à União (muito menos aos Estados-Membros), foi distorcida pela divergência progressiva entre os membros, devido tanto à negligência dos parâmetros que deveriam ter sido verificados na admissão e não o foram, como à divergência gerada pela incapacidade de coordenar as políticas nacionais e de observar as obrigações estatutárias (como o excedente máximo da balança comercial de 6% do PIB).

Separar um país membro da União é bastante difícil como se mostra com a Grã-Bretanha, um país que manteve a sua própria moeda; é particularmente difícil para um membro da zona euro, dada a ameaça de especulação financeira adversa ao mais ligeiro indício de uma possível saída ou mesmo de sugestões de possível reforma. Existem soluções possíveis, como a exclusão do investimento público do cálculo do défice público; a exclusão do défice do pagamento de atrasados das despesas públicas devidos às famílias ou às empresas o que implica uma mudança de credor e não um aumento da dívida pública; a adoção de uma metodologia diferente na linha das propostas da OCDE para o cálculo do rendimento potencial, o que conduziria a uma determinação mais flexível do défice admissível; a penalização dos excedentes comerciais acima do limite máximo (de preferência reduzido a 4% do PIB simetricamente ao que deveria ser considerado com o défice comercial máximo admissível) não com uma coima simbólica como é no momento mas sim com a obrigação de passar a ter um défice orçamental pelo menos tão grande como é excessivo o excedente; a emissão pelos países membros de dívida indexada à sua taxa de crescimento, o que permitiria a uma agência da União investir num valor equilibrado em títulos destes emitentes, subsidiando os países que crescem menos do que a média e fazendo-o com os rendimentos obtidos sobre a dívida emitida por países que crescem mais rapidamente do que a média; Por último, o reembolso da dívida pública pendente de todos os países acionistas do BCE em proporção das suas ações no BCE, financiado a partir do atual ganho de senhoriagem do BCE ou da titularização de futuras receitas de senhoriagem, o que reduziria o endividamento de todos os membros sem implementar uma “União de Transferências “, porque não haveria nenhumas transferências dos membros mais fortes para os mais fracos.

O problema é que as vozes dos países membros do Sul da zona euro têm muito poucas possibilidades de serem escutadas e bem recebidas e os seus apelos insistentes para a reforma podem desencadear uma crise financeira. A única saída deste impasse parece ser uma recusa consistente, feita pelo menos por dois países membros, de implementar políticas comuns (por exemplo, sobre o orçamento da UE ou acordos comerciais) não importa quão vantajosas estas possam ser: a supressão dos poderes de voto de um Estado-membro exige a unanimidade de todos os outros e, por conseguinte, uma coligação de dois ou mais Estados-Membros que não as desejam aplicar, pode paralisar uma maior integração e, possivelmente, ultrapassar a hegemonia nórdica-alemã que bloqueia uma reforma mais funcional da UEM.

A preocupação geral, mesmo que difusa, sobre estes problemas gerou uma oposição política às políticas e instituições atuais, levando ao aumento constante e espetacular dos partidos e movimentos da oposição, geralmente rotulados como “populistas”, mas que, na realidade, representam o funcionamento da democracia representativa.

Estes partidos “populistas” têm ocasionalmente conseguido formar governos, como em Itália, mas é pouco provável que tenham sucesso na implementação de mudanças radicais capazes de enfrentar os problemas aqui enumerados, porque estes partidos representam camadas diferentes da população, são inspirados por ideologias diferentes, e têm objetivos contraditórios que se chocam com os duros constrangimentos orçamentais.

Com o passar do tempo, pode-se esperar que os sucessos “populistas” possam favorecer movimentos e partidos de inspiração social-democrata tradicional, também auxiliados pelo progresso das comunicações pela Internet. Na Alemanha, por exemplo, o aparecimento do movimento Aufstehen (De pé) é uma aliança dos Verdes com gentes de esquerda, eurocética e anti-imigração. e com preocupações sociais internas sobre as escolas, habitação e a pobreza. Outras iniciativas deste tipo, menos controversas e mais promissoras, podem surgir.

8. Que socialismo no futuro?

Que tipo de socialismo poderia ser adequado para lidar com os desafios e problemas aqui levantados?

Não o “socialismo realmente falhado” do planeamento central do tipo soviético, com o monopólio político do Partido Comunista, a nomenklatura e os privilegiados altos funcionários, com uma economia da escassez que tende a ser basicamente autárcica. Ou o socialismo cubano igualmente fracassado que Che Guevara imaginou, como dependendo da criação de um homem novo socialista: o sistema terá de aceitar os seres humanos como eles são.

Nem o modelo chinês contemporâneo, extremamente bem-sucedido economicamente mas que o está a ser cada vez menos, antidemocrático, autoritário e repressivo, congenitamente corrupto devido à necessidade da discricionariedade na aplicação da lei para manter os capitalistas privados sob controlo. Embora seja certamente necessário replicar toda a panóplia dos instrumentos da política económica utilizados com sucesso pelo governo chinês para manter o controlo macroeconómico sobre a sua economia, apesar da sua exposição à concorrência no mercado interno e internacional.

Nem do tipo jugoslavo de economia de mercado “micro-socialista” autogerida, devido à sua desigualdade entre regiões, sectores, empresas, em que também se reproduz a maioria dos inconvenientes do capitalismo, em termos de desemprego, pressões inflacionistas, flutuações, migrações. É claro que haverá espaço para instituições de autogestão como a alemã Mitbestimmung, para as empresas cooperativas, as organizações sem fins lucrativos e a participação dos trabalhadores na propriedade da empresa e nos seus resultados, mas não com um papel dominante e sem as expectativas exageradas criadas por exemplo por Weitzman (1984) quanto a uma “economia de acionistas”.

O que tenho em mente nas minhas recomendações é um modelo económico social‑democrata, caracterizado pelas suas instituições e políticas, em vez de ser um “sistema” específico de afetação de recursos. Fundamentalmente, tratar-se-ia de uma economia de mercado, totalmente equipada, no entanto, com todos os instrumentos tradicionais de política económica (à Tinbergen 1952 e 1956): política orçamental pela determinação do nível e da estrutura das receitas públicas e das despesas; política monetária através da gestão do nível de crédito, da taxa de juro e da taxa de câmbio (de preferência flutuante), atuando também como emprestador de último recurso aos bancos comerciais e ao governo, em coordenação com a política orçamental e responsável pela gestão da dívida nacional; utilização das políticas de preços e de investimento das empresas estatais, embora limitadas a sectores estratégicos de importância nacional; sempre que necessário, os controlos diretos como último recurso.

Este modelo seria caracterizado por uma política de nível de emprego elevado e estável, um Estado Providência de pleno direito, com disposições relativas ao seguro de desemprego, à redução da pobreza, ao seguro de saúde, pelo menos para os tratamentos básicos (o custo da assistência médica sem limites leva a custos proibitivos e mais elevados custos teriam de ser contributivos ou sujeitos a seguros dispendiosos), educação de base gratuita e com o ensino universitário a ser pago ao seu custo efetivo, exceto com generosas bolsas para os estudantes delas merecedores [5], oferta pública de habitação social de baixo custo (em vez de subsídios para aquisição de casa própria ). As pensões podem ser estabelecidas numa base contributiva ou numa base distributiva, mas com uma pensão mínima garantida pelo Estado e sem nunca terem de enfrentar os pesados custos de se deslocarem da base distributiva (regime de repartição) para o regime de capitalização, mesmo se este último sistema de pensões for considerado preferível em regime pleno.

Haveria instalações generosas para o consumo público (bibliotecas, piscinas, ginásios, parques, hospitais, em preferência a um rendimento básico universal, o que levanta a possibilidade deste ser desperdiçado pelos beneficiários, que apresenta o perigo de forçar os cidadãos a comprar serviços sociais fornecidos por instituições privatizadas e, talvez, a serem disponibilizadas a preços inacessíveis para a maioria das pessoas). Haveria uma política industrial, com o Estado não a “escolher os vencedores” arbitrariamente entre as empresas individuais, mas a estimular o progresso técnico e a inovação em geral, e estimulando atividades caracterizadas por alto valor acrescentado per capita, e atividades orientadas para a exportação.

O leitor não deve pensar que eu sou um otimista, na realidade sou profundamente pessimista: a alternativa a esta conjeturada evolução sistémica que delineei é demasiado sombria para a poder mesmo contemplar, porque envolve a certeza dos nossos filhos, se não nós mesmos, acabarem muito em breve por estar a enfrentar uma monumentalmente injusta desigualdade de rendimento e de riqueza; envolve a existência de um mundo conflituoso com regiões, religiões e grupos étnicos em conflito; envolve um planeta empobrecido, desertificado e inviável, dominado pela miséria, ignorância, necessidade, ócio e doença.

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Notas

[4] Nas eleições parlamentares da Suécia, de 9 de setembro, as sondagens de opinião contemplam a possível derrota dos sociais-democratas suecos, então no governo em coligação com os Verdes, pelos Democratas Suecos, “populistas”, “soberanistas”, anti-imigração, e eurocéticos”. Por fim, os Democratas Suecos obtiveram menos apoio do que as sondagens tinham previsto-também porque os social-democratas passaram a adotar uma linha mais rígida relativamente à imigração – mas alcançaram a terceira posição aumentado a sua percentagem eleitoral de 12,9% para um valor recorde de 17,6%, com os Sociais-Democratas a situarem-se no seu mínimo eleitoral e com um Parlamento paralisado em que os grupos da Esquerda e da Direita reúnem, cada um deles, aproximadamente 41% dos votos.

[5] Nota de Tradutor: diz-me Domenico Mario Nuti, à margem do texto, que ter o ensino universitário gratuito ou tendencialmente gratuito é estar a dar um subsídio aos ricos.

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FONTES: The Rise, Fall and Future of Socialism, Domenico Mario Nuti, Warsaw set2018    e L’Ascesa, Caduta e Futuro del Socialismo, Domenico Mario Nuti, Warsaw set2018.

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Um postal de Boas Festas

Um amigo meu mandou-me esta bela mensagem de Natal:

“É pelo “Canto de Véspera” (expressão de Vitorino Nemésio) que se preparam as grandes expectativas das grandes manhãs. Como desejar um NATAL FELIZ e um NOVO ANO, senão como a expectativa de uma nova manhã?

«depois, como um menino leve, o dia

é novo para a gente o carregar

da verdade ou do escuro que fazia» (Nemésio)

esperando que a Estrela de Natal nos ajude a sair do escuro!”

Acontece que nestas coisas o escuro é obra dos homens, dos homens que o fazem e dos homens que o consentem, por incapacidade de reação ou por ignorância de encontrar sítios onde haja luz.

Neste sentido, ou seja, o de encarar perspetivas para “sentir e ver um outro futuro” que não aquele da escuridão a que o poema se pode referir, aqui vos deixo um texto de Domenico Mario Nuti, editado em formato livro para poder ser assumido como “prenda” de Natal, onde se discute socialismo, capitalismo e social-democracia.

Bom Natal e Feliz Ano Novo

Júlio Marques Mota

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Em seguida deixamos a ligação para a brochura (booklet) da edição dos dois textos pela A Viagem dos Argonautas: “Ascensão e Queda do Socialismo” e “Ascensão, Queda e Futuro do Socialismo”, Domenico Mario Nuti

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