Louvados sois por mais esta época que por vós se roça. Espero que não vos tivésseis esquecido de preencher os espaços ainda existentes por entre as filas (ou bichas, como de antanho se dizia) dos simpáticos automóveis que se interpõem entre vós e os maravilhosos e espaçosos centros comerciais a que, corajosa e dedicadamente acorrestes, tendo também, com certeza e graças a Deus, evitado a blasfémia, quando algum ou outro (infiel, por certo) honrado cliente vos passava à frente naquelas tão buliçosas e divertidas filas (ou bichas) de alguns poucos quilometrozecos que tão agradáveis se tornam à medida que passam as horas, preenchendo de algum modo as vossas vidas, em momentos como estes, dedicados à família e ao amor.
E é nestes momentos de transe e de trânsito que cantam os nossos corações, em uníssono com o filho da puta que que vai ali à frente, não faz sinal e vira para a esquerda de repente (ao contrário do eleitorado) estando-se materialmente defecando para os princípios cristãos que a todos norteiam, obrigando alguns de vós (poucos, pois o povo é sereno e razoavelmente crente) a emitir palavras menos bíblicas e expressões menos fraternas, afinal tão a propósito com o clima do perdão e da transigência que deve iluminar a quadra que nos entra pelo lar adentro, em consonância com o respectivo subsídio.
Não quero deixar, ao terminar este meu sermão, de vos desejar um Feliz Natal, pelo menos tão parecido com o anterior como com o próximo. E um Ano Novo cheio de crescimentos, breafings, budgets e estimates a condizer.
E mesmo que ao chegardes a casa verificásseis que o simpático cãozito vos houvera mijado na Árvore de Natal, ou que o gatinho querido deixara um minúsculo mas importante presente no Presépio, não invocaríeis, estou certo, em vão o nome do Senhor.