CARTA DE BRAGA – “a medida de todas as coisas” – por António Oliveira

 

 

O ser humano é a medida de todas as coisas’ afirmou Protágoras, ‘das que são enquanto são e das que não são enquanto não são’.

Embora se tenha perdido quase a obra toda do sofista grego (o que se sabe vem das críticas e análises de outros) nada impede que esta sentença seja catalogada materialista, por também poder ser interpretada como as ‘causas fundamentais de todas as coisas encontram-se na matéria

De qualquer maneira, aproxima-se muito do relativismo actual, por se poder entender ‘as coisas são boas ou más pelo modo como cada um as vê’, ignorando obviamente o facto de poderem ser boas para uns e más para outros.

Basta percorrer os órgãos de informação de todos os tipos, dos canais televisivos e radiofónicos aos ‘manhas’ de todas as manhãs, para a primeira das conclusões a tirar, poder ser ‘a verdade parece ter deixado de existir!

Aliás é caricato e risível ver, ouvir ou ler, como tanta gente ao saber-se com um ecrã, uma câmara ou um microfone à frente (mormente os comentadores afeitos às ‘cores’ de cada um dos donos desses chamados órgãos de informação) se desfaz em frases ambíguas ou ambivalentes, podendo significar tanto uma coisa como até o seu contrário.

Sabem perfeitamente o tipo de ‘clientela’ que têm do outro lado e o palavreado ou a dose de confusão a destilar, com frases produzidas à medida será apenas, como já ouvi afirmar, ‘para chegarem com serenidade directamente ao cérebro e outras carregadas de fanatismo e animosidade para irem logo parar no intestino

Estamos no inverno deste mundo muito alterado pelas alterações climáticas, mas é (ainda é!) época natalícia e a ver pelo que acabei de escrever, acabaremos por ter de avaliar em breve, os prejuízos causados pelas borrascas e os outros, os provocados pelo destrambelhamento de muito profissional do ecrã, da câmara e do microfone, seja ele quem for.

E devemos estar de sobreaviso para os próximos tempos porque, como garante o jornalista e escritor Manuel Vicent ‘a inconstância do tempo, não se pode comparar com o perigo que supõe a estupidez humana

O professor Ricardo Costa do blogPonteiros Parados’, dá uma explicação a condizer:no Fausto de Goethe, quando Mefistófeles tira Fausto do seu mundo de escolásticos alfarrábios para levá-lo a ver o mundo, começa, sintomaticamente, por uma taberna. Hoje, Mefistófeles nem sequer precisaria de tirar Fausto de casa, para fazer a sua iniciação pelo lado mais sórdido da natureza humana e da mundaneidade. Bastaria pegar num computador e ligá-lo à Internet’.

Mas esta é uma questão antiga, pois já vem de muito longe! A quantidade de deuses que os romanos tinham para tudo era tanta, que a Cloaca Máxima, o esgoto gigante que atravessava o Forum até desaguar no Tibre, tinha também uma deusa própria, a Cloacina. Era a deidade das latrinas e dos esgotos e, a haver tempo, também deusa da pureza e protectora do coito no matrimónio, talvez para prevenir venéreas conjugais.

Parece que esta tão abrangente deusa, foi agora substituída pelos senhores dos novos escoadores mediáticos e, até por isso, mas sem pretender com este texto simples contestar Protágoras e o sofismo, custa muito aceitar o homem como medida de todas as coisas!

Bom Ano, apesar de tudo!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: