EDITORIAL – PODERÁ 2019 SER UM ANO MELHOR? – por João Machado

A pergunta formulada no título deste editorial está com certeza nos pensamentos de muita gente. Os dias em que se comemora a passagem do ano não são diferentes dos outros, mas, pelo menos a algumas pessoas, possibilitam uma pausa para reflectir sobre como fazer para obter melhorias na vida das pessoas nos tempos mais próximos. Mas também é verdade que muitos a quem se põe a questão consideram um esforço vão ocupar tempo a pensar sobre como as nações e os povos em geral poderão melhorar as suas vidas, se isso implicar alterações significativas ao status quo.

O que motiva a desistência desta reflexão por muita gente, na maior parte dos casos, é sem dúvida a constatação da grandeza dos obstáculos a essas alterações de envergadura ao status quo. Desde uma ordem (?) internacional cada vez dominada por uma pseudo globalização, que não é mais do que a consagração do direito às livres acção e circulação por parte de uma minoria de privilegiados, e que, apesar do descrédito em que tem caído, continua a pesar muito sobre o cidadão comum, até às dificuldades que este sente num dia a dia condicionado em todos os aspectos, no trabalho, nos transportes  e em casa, com que os restantes (os não privilegiados) têm de se defrontar, incluindo crenças neles implantadas de que têm de estar gratos quando conseguem usufruir desses três factores, e sentirem-se culpados quando falham o acesso a eles. Situações como os dissabores que têm sido infligidos aos povos da União Europeia, cada vez mais desacreditada, e que não é abandonada por boa parte dos países que a integram claramente devido ao receio das penalidades e represálias de que seriam alvo, são o corolário inevitável da concentração de meios e de poderes que está subjacente à chamada globalização. E que tem implicações ainda maiores e mais profundas noutras partes do mundo, Ásia, África e Oceânia.

Se a ideia da vantagem de viver em democracia tem feito caminho nos tempos mais recentes, pelo menos numa parte dos povos e nações, será necessário ter uma noção muito mais completa sobre as componentes da vida social que é necessário integrar no tal dia a dia para que essa ideia adquira um mínimo de substância, e o paradigma democrático não continue reduzido a permitir que o comum dos mortais escolha periodicamente uns cavalheiros (eles ou elas!) sobre os quais pouco se sabe, e que inevitavelmente, quando pegam na cana da leme, esquecem as promessas feitas e os verdadeiros interesses das pessoas. Exemplo notório das limitações destes sistemas tidos como democráticos é a chegada ao poder através de eleições de figuras como Donald Trump, Jair Bolsonaro, Viktor Orbán e outros menos falados. Estas figuras propõem-se resolver problemas imediatos dos povos, como a insegurança e o desemprego, por processos que assentam sobretudo na hostilidade contra outros povos, minorias sociais, étnicas e religiosas, agravamento das diferenças, incluindo as diferenças inatas, mitificação do passado histórico e outros aspectos. Chegam mesmo a recorrer à incitação à violência, de que um exemplo é a liberalização do uso de armas de fogo e outras. A concentração de meios e poderes em poucas mãos, públicas e privadas, é outro dos caminhos a usar, com destaque para o domínio dos meios de comunicação social, e das novas tecnologias.

Neste panorama, sem dúvida que, cada vez mais, é imprescindível o papel de entidades como A Viagem dos Argonautas, reunindo e divulgando informação, procurando promover o debate de ideias, e defendendo a liberdade e a igualdade, que não são ideias opostas, mas sim complementares, e também a fraternidade, que forma o cimento entre aquelas duas. Vamos em frente, superando os obstáculos que se nos vão deparando.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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