CARTA DE BRAGA – “smartphones e sobrancelhas”- por António Oliveira

Achei uma palavra nova!

Vai ser a minha palavra do ano para 2019! Creio ter também direito a uma só para mim e escolhi esta por ser curta, sonora, difícil de esquecer e fácil de dizer!

Nomofobia

Diz o digital Priberam, o dicionário de mais fácil acesso, ser ‘o medo causado pela possibilidade de ficar sem contacto através do telemóvel

Até tem derivados, nomófobo ou nomofóbico, que mudam de género se lhe trocarmos a última vogal, sem ser necessário escrever

o’ 

com tinta azul e

a

com tinta rosa!

Tais alarvidades não chegaram ainda à isenta aridez do dicionário, com também não chegaram aos núcleos de investigadores dos institutos e universidades que estão a analisar os perigos e prejuízos provocados por esta demolidora e açambarcante dependência.

Alguns dos estudos trazem conclusões, às vezes dolorosas, de casos mais ou menos dramáticos, mas outros alertam para danos basicamente mentais, como transtornos de ansiedade e maior fragilidade depressiva, levando a ampliar a dificuldade de concentração.

Também são os estes os mais facilmente recusados por ninguém os querer levar a sério, como é notório neste comentário ‘quem é que quer saber de um pouco menos ou de um pouco mais de concentração neste mundo meio maluco em que vivemos?

E, umas linhas mais abaixo, mais duas perguntas também incomodativas ‘quem quer saber do agravamento da saúde mental de alguém, neste império da imagem, do culto ao corpo, ao físico e à juventude?’ e ‘Quem quer saber da ansiedade quando ela pode ser controlada pelo número de ‘likes’ num tweet com trinta letras? Não há paciência para pensar nisso!’

 

Outros estudos apontam para o isolamento e para a solidão daquele que nunca larga o telemóvel nem no banho, ou daquele que sempre se esquece de olhar em volta, mas convive com a rapidez dos relacionamentos aceitando bem a precaridade da vida e também a ajudar este mundo a mergulhar bem fundo na ‘modernidade líquida’ referida por Bauman, onde só se dedica tempo às pessoas com quem se pode conectar.

É uma das consequências da era digital que nos transforma em dependentes psicológicos de lugares imaginários através de vinculações e encontros, uma virtualidade a recusar aparentemente o facto de sermos seres sociais e interdependentes, existindo só devido à (e pela) relação com o ‘outro’.

Mas é ridículo e até motivo de troça falar disto hoje a um nomófabo pois, afirma-se num dos tais estudos ‘uma minúscula informação a dizer que o uso excessivo do smartphone seria uma das causas da queda das sobrancelhas, seria mil vezes mais efectiva do que um argumento razoável para acabar com tal dependência

Escusam de franzir o sobrolho, encolhendo as ditas! Basta olhar em volta! É mesmo assim!

‘Beber café poupa as sobrancelhas’

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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