CARTA DE BRAGA – “pensamento crítico, likes, selfies e monstros” por António Oliveira

‘Facilitar a vida da gente’ garantiram e depois plantaram caixas multibanco por todo o lado!

Maravilhas e benefícios do avanço tecnológico’ adiantaram e, agora querem aumentar as comissões que já ganham, para podermos usar o dinheiro nosso que lá têm e de que cobram já, outras e não baratas comissões!

Uma atitude que me levou até uma entrevista de Franco Berardi ao ‘Jornal Económico’, vinda a público há uns tempos, sobre a conflitualidade entre os processos tecnológico e económico onde se mostra e se confirma ‘quem sempre se lixa é o mexilhão

Tudo começou há já uns bons anos pois ‘A função da UE tem sido, e continua a ser, a de obrigar as pessoas a trabalhar mais em troca de salários cada vez mais baixos. Estamos a falar num empobrecimento sistemático

O autor desta sentença, prefiro chamar-lhe assim, é Franco Berardi, um italiano filósofo e professor de ‘História Social dos Media’, ainda autor de uma vastíssima obra sobre media e tecnologia de informação.

Mais afirma Berardi que ‘os processos económico e tecnológico geraram em simultâneo, a aniquilação digital do «outro»

Quanto mais nos comunicamos, menos presentes estamos – física, erótica e socialmente – na esfera da comunicação porque ‘no fundo, o capitalismo financeiro assenta no fim da amizade’ pois a tecnologia digital ‘é o substituto da amizade física, erótica e social através do Facebook, a permanente virtualização da amizade

É o predomínio dos likes dos amigos, só das e nas selfies, independentemente da sua posição social ou política pois, nos ícones dos phones, são exactamente iguais.

Tal situação leva à homogeneização, todos a ter de usar calças curtas, roupa cingida e casacos apertados, esfregonas no alto da cabeça, tatuagens inenarráveis, assistir à mesma hora às mesmas séries e discutir os mesmos casos sociais divulgados pelos mesmos ‘manhas’, de patronos diferentes mas eticamente iguais.

É o fim do pensamento crítico, até devido à estrutura modular do tempo, composta apenas por uma sucessão continuada e interminável de ‘agoras’ sem qualquer ligação com o que lhe sucedeu, com o que lhe vai suceder ou mesmo com o que tem ao lado.

Exactamente a cópia do noticiário e do episódio de uma qualquer série, de picos emocionais com intervalos pré-marcados e pré-definidos, para manter sempre o ‘cliente’ de olho aberto.

É o mundo do ‘quando o futuro chegar logo vejo!’ a resposta que ouvi muitas vezes quando tentava alertar os alunos para a necessidade de o pensarem e terem presente.

Aparentemente é uma mistura tóxica de ‘não querer saber para onde vai o mundo’ com outra mais pessoal e preocupante ‘não saber para onde quero ir

É também o caldo de cultivo dos fenómenos populistas e radicais, vazios de ideais utópicos, mas usando os mesmos símbolos históricos que tanta desgraça e miséria provocaram num passado ainda bem recente e cujo significado não sabem nem querem compreender.

Hoje apela-se à identidade, mas só a das redes, a das homogeneidades e dos consumos, dos likes e das selfies.

E as palavras (poucas, curtas e nadas) autorizadas pela dimensão dos tweets, também não são conscientes dos riscos que comportam ou das oportunidades que podem gerar – uma palavra cordial atrai sempre simpatia e uma palavra vexatória só atrai ódio e dor.

Mas são as últimas as mais usadas por quem defende a identidade dos nacionalismos e das diferenças entre ‘nós e os outros

São assim estes tempos de mudança, onde a realidade se confunde com o fantástico e, muitas vezes, já vemos este a tomar o lugar daquela.

É também aí o império das identidades, algumas inventadas, dos niilismos e fanatismos que, tudo parece indicar, são só as máscaras usadas para encobrir a exacerbação e o agravamento de ideologias.

Chamei estes temas a esta Carta porque ‘os agora donos disto tudo’ querem criar mais comissões para podermos usar o que é nosso, com as facilidades que eles nos (se) arranjam!

Mais um pretexto para outras expressões ‘simpáticas’ nos tweets ou nas caixas de comentários que os media também usam para irem arregimentando clientes.

Assim e ainda por todas estas coisas, também me lembrei de outra sentença de um ‘especialista’ em matérias tremebundas, o romancista Stephen King, mesmo sem saber se ele só se refere ao patético presidente lá do sítio, ‘Os monstros e os fantasmas são reais; vivem dentro e de nós e, por vezes, eles ganham!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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