‘O senhor Sarkozy mais alto que a senhora Sarkoza?’ Ou perguntado de outra maneira, ‘A senhora Bruni mais baixa que o senhor Bruno?’
As duas perguntas são possíveis face à idiotia de uma polémica tal, que levou o ‘Paris Match’ a ter de explicar porque mostrava a Senhora reclinada no ombro do Senhor, quando ela lhe leva uma boa dezena de centímetros.
E num diário cá do sítio, dos sérios, havia outra questão a acompanhar a foto da tal Senhora e do tal Senhor ‘O homem tem de ser mais alto?’ quando deveria ter usado ‘marido’!
Mas um ‘golpe’ de 253.000 euros a envolver o ‘mais sério dos portugueses e que nunca tinha dúvidas’ já só circulava praticamente entre cartoonistas!
Este é bem tipo de problemas que enchem os ‘manhas’ de todas as manhãs, tricas rascas de ‘vedetas boas e outras menos boas’ que perseguem a toda a hora, por serem as que atraem e ‘dão’ muito mais público.
É o mais perfeito exemplo de como estamos submergidos nas (e dependentes das) mais básicas e incríveis notícias a preencher capas e os chamados horários nobres de rádios e tv´s, no exercício pleno de desfrutar o futuro imediato com outro ‘agora’ do género já a espreitar, sem ninguém se preocupar com os sinais, as marcas e as lições da história.
E, mais grave ainda, também já ninguém quer saber que somos só a consequência de todos os que nos antecederam e, principalmente, de tudo o que alguma vez defenderam.
E essa falha é tão notória e tão perigosa que o criador do MIT, Nicholas Negroponte, no final de Junho último, afirmou a um jornal europeu ‘as humanidades são a coisa mais importante que se pode estudar!’
Negroponte só diz, por outras palavras, o que o escritor e Nobel de Literatura, André Gide, afirmou um dia, ‘Tudo já foi dito uma vez, mas como ninguém escuta, é preciso dizer de novo!’
Uma frase que reforça – e de que maneira! – a ideia de que só uma escola a ensinar e a trabalhar Humanidades em todos os níveis, poderá mudar uma civilização a caminhar aceleradamente para um servilismo de ‘cabeças baixas’
Os dos ‘envenenados’ por tweets, por headphones ligados no máximo, pela globalização dos centros comerciais e dos anúncios, treinados cedo para o servilismo pelas ‘praxes’ do que quer que seja e outras práticas formatadoras, tudo apanágios destes tempos.
Mas, a terminar esta Carta algo amargurada, não posso deixar de lado um título grandioso no ‘DN’ de domingo passado a dizer da partida do mítico músico brasileiro João Gilberto “Melhor que o silêncio, só João”
Que os ‘cabeças baixas’ me perdoem este sacrilégio!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor