AS EMOÇÕES, POR SI SÓ, TÊM LIMITES por Luísa Lobão Moniz

Como se sabe a violência sempre existiu, mas a forma como a sociedade, ou melhor, as sociedades se têm dedicado ao seu estudo e compreensão tem variado com o tempo.

O abuso sexual é hoje um crime, ora nesse crime colaboram pelo menos duas pessoas com sentimentos e emoções que vão influenciar as suas tomadas de decisões e modificar, se for caso disso, a razão humana.

No abuso sexual a culpa e a vergonha vão orientar o comportamento moral, pela repetição ou pela negação, nem que para isso decorram vinte anos.

A convivência em sociedade vai ajudar a manter ou a modificar o comportamento humano devido às sanções impostas pelo senso comum ou pelas leis.

A prevaricação das leis construídas, por cada indivíduo ou pela legislação, vai determinar que a vergonha ou a culpa se possam desenvolver, para facilitar a convivência com a recordação do mal sofrido, fazendo com que a dor seja incorporada na vida ou seja vingada pela violência.

A sociedade organiza-se com base nos sentimentos que foram fundamentais para a formação dos sistemas moral e judicial.

 As emoções, por si só, têm limites.

Para ultrapassar as emoções é necessário o conhecimento de como se manifesta o nosso cérebro e a nossa capacidade de saber controlar o que por vezes parece fora de controlo.

A sociedade tem que se responsabilizar pelo modo de vida que almeja para cada indivíduo, per si, e pelo conjunto de indivíduos que têm que se relacionar numa situação de igualdade, sem prepotências de poder político, de género, de idade ou de economia, entre outros.

Os aspectos sócio-culturais são também determinantes para que a culpa e a vergonha possam ser trabalhadas de forma conformista ou de forma reactiva, rumo ao sentimento de alegria e não de tristeza.

As emoções são em grande parte inatas, mas nos primeiros anos de vida são condicionadas pelo meio envolvente, pela sociedade.

Hoje em dia, a emoção é condicionada pela história das sociedades através da religião, da justiça, do poder, que são o resultado de grandes transformações e pressões sobre os humanos que detêm o poder em sociedades cada vez mais complexas.

As sociedades não estão perfeitas nem concluídas. É aí que está a grande beleza e a grande complicação da vida dos seres Humanos que sendo todos iguais perante a Declaração dos Direitos Humanos, são todos diferentes nas suas acções sociais.

Os seres Humanos têm que trabalhar nestes conhecimentos para caminhar em direcção a um horizonte que se vai afastando à medida que nos aproximamos dele, uma vez que a complexidade social aumenta e a vontade de uma sociedade mais feliz e menos violenta.

É uma caminhada cheia de horizontes a alcançar, cheia de rasteiras a ultrapassar.

A vida é fascinante.

António Damásio diz-nos que a felicidade está ligada a certas moléculas químicas e a tristeza a outras. Quando estamos felizes as imagens sucedem-se com mais rapidez e associam-se mais facilmente.

Na tristeza, as imagens passam muito mais devagar e ficam como que impressas ali por um tempo.

Como fazer? Como construímos o caminho para a justiça?

 É nos primeiros anos de vida que podemos inculcar valores e formas de raciocínio através da repetição de exemplos.

Os exemplos são o alicerce da construção da nossa moral.

 

 

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