Os despedimentos em massa estão de volta. O leitor está em risco? Por Adam Taggart

Espuma dos dias

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Os despedimentos em massa estão de volta. O leitor está em risco?

Haverá milhões de pessoas que irão perder os seus empregos na próxima recessão. O leitor vai perder o seu emprego?

adam taggart Por Adam Taggart

Publicado por Peak Prosperity em 30 de Agosto de 2019 (ver aqui)

Imagine a seguinte cena a desenrolar-se no local de trabalho amanhã:

Você chega de manhã ao trabalho e encontra uma nota com a frase: “O gestor HR deseja vê-lo”. Sobre o quê? Questiona-se o leitor.

Vendo o seu diretor já na sala de conferências com a porta fechada, o leitor inquieta-se enquanto espera. Começa a formar-se um nó no seu estômago que fica mais apertado à medida que os minutos passam.

De repente, a porta abre-se. Um colega tropeça ao sair, olhando de forma esgazeada. Então vê a cabeça do gestor a aparecer, repara em si e diz “Ah, por favor entre”.

“Sinto muito em dizer-lhe que a empresa deixa que você se vá embora”, começa ela. “As vendas caíram e simplesmente não podemos empregar tantas pessoas. Não é nada pessoal”.

E assim, sem mais nem menos, o seu emprego esfumou-se, desapareceu.

Você receberá um mês de salário como indemnização, mais duas semanas se assinar uma cláusula de saída de comum acordo. E eles acabaram de lhe entregar uma pilha de formulários que supostamente o guiarão no processo de solicitação da cobertura de saúde e do seguro-desemprego COBRA, se necessário.

E é tudo.

Oh, eles já receberam a devolução do seu computador. Você tem 15 minutos para reunir qualquer item pessoal e dizer adeus. Mas, por favor, não se demore. Nós odiaríamos envolver a Segurança nisso….

Obrigado pelo seu serviço! E boa sorte no seu próximo emprego!

O que é que você faria se isso acontecesse consigo amanhã? Pense nisso por um minuto.

Sentir-se-ia surpreendido? Libertado? Petrificado?

Como seriam as suas perspetivas de emprego? Sentir-se-ia confiante de que poderia ser recontratado rapidamente? Ou você está a olhar para meses (ou mais tempo) de desemprego?

O que acontecerá às finanças do seu agregado familiar se ficar sem trabalho durante um longo período de tempo? Você é o principal sustento da família? Tem outros rendimentos ou poupanças substanciais que o possam sustentar? Se não, como é que pensaria fazer face às despesas?

A maioria das pessoas é apanhada desprevenida face a despedimentos. Há uma complacência que um pagamento regular de salário fixo permite e que é de repente fortemente sacudido desta situação de complacência quando se recebe uma carta de despedimento. Poucas pessoas estão prontas – emocional, profissional ou financeiramente – para o fim abrupto do status quo que um despedimento traz.

Mike Tyson disse uma vez de forma muito eloquente: “Todos têm um plano até serem esmurrados na boca”. Da mesma forma, todo mundo se pode dar ao luxo de ser otimista sobre o amanhã até ser despedido.

Tem “Ansiedade quanto ao despedimento”? Você não está sozinho.

Se o exercício de reflexão acima deu voltas ao seu estômago, você não está sozinho. Quase metade (48%) dos trabalhadores dos EUA relatam ter tido ‘ansiedade face à ideia de despedimento’.

E, isto é durante os “bons tempos”, pessoal. Oficialmente, ainda estamos na mais longa expansão económica da história dos EUA.

Como vai ser quando esta expansão de longo prazo terminar, como será inevitavelmente o caso para toda a gente?

E como temos estado furiosamente a descrever aqui no PeakProsperity.com, parece que o fim está a chegar rapidamente. A curva de rendimento invertida nos títulos do Tesouro dos EUA, a desaceleração do crescimento dos EUA e as taxas de crescimento negativas nas principais economias europeias, os volumes globais anémicos de transporte marítimo e uma série de outros indicadores confiáveis estão a significar avisos de que a economia mundial (incluindo os EUA) está a mergulhar na recessão.

Uma recessão para a qual a América empresarial está lamentavelmente não preparada, devido aos níveis recordes de endividamento.

 

9 milhões de milhões de razões para reduzir o número de funcionários

Em resposta à última década de crédito extremamente barato e abundante fornecido pelos bancos centrais mundiais através dos esforços da QE (quantitative easing), os executivos das empresas têm contraído empréstimos muito mais agressivamente do que no passado. Muitas vezes para recomprar as próprias ações da sua empresa na esperança de aumentar o preço das suas ações (e, portanto, aumentar os seus pacotes de remuneração baseados em ações).

E um número preocupante (centenas de milhares de milhões de dólares) desses empréstimos empresariais feitos nos últimos anos tem sido de baixa qualidade, alto risco e com menos restrições para os que solicitam empréstimos e menos proteções para os que emprestam (covenant-lite).

Como resultado, as empresas americanas de hoje estão tão ou mais perigosamente alavancadas do que nunca. Mais de $9 milhões de milhões de dólares de dívida sobrecarregam agora os balanços das grandes empresas americanas:

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Como o crescimento continua a desacelerar e os lucros das empresas diminuem, o serviço da dívida ocupa uma percentagem cada vez maior dos fluxos de caixa. Em algum momento, os cortes de pessoal tornam-se inevitáveis.

O robô tirou-me o meu emprego

Além disso, como temos estado a avisar há muito tempo aqui na PeakProsperity.com, os empregadores têm atualmente um tremendo incentivo perverso para automatizar e substituir o trabalho humano pela tecnologia.

A verdade simples e dura é que é caro, e cada vez mais caro, empregar humanos. Salários, cuidados de saúde, benefícios de reforma, remunerações adicionais, regulamentos da OSHA, processos judiciais, formação, férias, dias de doença – tudo isso se soma. As máquinas libertam os empregadores de todos esses custos, de dores de cabeça e de potenciais responsabilidades.

Entretanto, os avanços tecnológicos em robótica e IA (inteligência artificial) estão numa evolução que se pode dizer exponencial. As capacidades estão a disparar e os custos estão a cair. Com a capacidade de contrair empréstimos a taxas de juros mínimas, será alguma surpresa que as empresas estejam a investir em automação o mais rápido possível?

A empresa de consultoria McKinsey prevê que 50% das atuais atividades de trabalho estão em risco de serem automatizadas até 2030 e que, nessa altura, 400-800 milhões de trabalhadores em todo o mundo serão deslocados pela tecnologia – criando-se assim “um desafio potencialmente maior do que as mudanças históricas passadas”.

Está em curso uma transição histórica do trabalho humano para o trabalho automatizado. Isso está a acontecer em todos os setores e afetará todas as funções do trabalho, em todos os níveis do organograma.

E ao contrário da terceirização ou externalização, uma vez que esses trabalhos são automatizados com sucesso, eles são “eliminados” no que diz respeito à necessidade desses trabalhadores. Estes empregos nunca deixarão depois de serem automatizados.

E isto já começou

Lembram-se dos despedimentos em massa de 2008 e 2009? Quando milhares de pessoas perderam imediatamente os seus empregos quando as empresas começaram a despedir trabalhadores?

Bem, isso está de volta.

Em 2019, até agora, vimos aplicar reduções de empregos em vários setores, como o HSBC (4.750 empregos), Nissan (12.500 empregos) e Deutsche Bank (18.000 empregos). Outras marcas bem conhecidas que deixam os funcionários ir embora incluem Siemens, Uber, US Steel, Kellogg’s, Ford, Disney e United Airlines.

Nesta fase, não é (ainda) como a carnificina vista durante a Grande Recessão. Lembram-se como isto foi assustador, pois centenas de milhares de pessoas foram despedidas todos os meses e durante dois anos?

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8,8 milhões de postos de trabalho foram perdidos durante este período. Quando os despedimentos são tão generalizados, é apenas um jogo de números. Entre o leitor, a sua família e os seus amigos – pelo menos alguns de vocês vão ser vítimas.

Quão más podem ser as coisas da próxima vez? Suficientemente más para tomar medidas de proteção, pensamos nós.

E não é tão difícil para nós argumentar que a futura onda de despedimentos em massa pode ser substancialmente pior. Portanto, não descansem sobre os louros.

 

Sinais de problemas a serem observados

Que indicadores de alerta precoce poderá o leitor monitorizar para avaliar se a sua empresa, ou o seu trabalho específico, está em risco?

Fatores de risco da empresa

Primeiramente, ajuda olhar as indústrias que mais perderam trabalhadores durante a Grande Recessão. A história não se repete exatamente, mas muitas vezes rima:

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Trabalha atualmente numa destas indústrias? Se assim for, o gráfico acima deve dar-lhe um sentido geral de como a sua empresa se vai comportar em relação aos outros, se nós realmente reentrarmos em recessão brevemente.

Mas nem todas as empresas dentro de uma indústria são iguais. Como é que o leitor pode saber se está atualmente empregado por uma das empresas mais vulneráveis?

Aqui estão os sinais clássicos de problemas a serem observados:

  • Declínio financeiro – A sua empresa tem uma relação Dívida/Capital Próprio mais elevada do que as suas congéneres da indústria? As receitas e/ou ganhos estão a estabilizar ou a diminuir? As Contas a Pagar estão a aumentar em percentagem do total do Passivo? Todos estes elementos são indicações potenciais de uma empresa em terreno instável.
  • Congelamentos – A sua empresa anunciou o congelamento de novas contratações, orçamentos e/ou bónus? Todos estes são sinais de restrição de empregos e restrição de perspetivas de crescimento futuro. É raro que os despedimentos consideráveis em escala sejam anunciadas antes que qualquer um, se não todos, destes seja tentado primeiro.
  • Adiamento de projetos chave – semelhante ao congelamento, grandes implantações são muitas vezes adiadas ou arquivadas completamente na tentativa de reduzir custos antes que os cortes de pessoal sejam considerados. É claro que, uma vez que se reduz os projetos planeados, então percebe-se que não se precisa de tantos trabalhadores.
  • Consolidação – esta dá-se quando as unidades económicas entram em colapso em conjunto para “maior eficiência” e “economia de custos”. Este é um sinal de que os centavos estão a começar a ser beliscados, e logo a “economia de custos” começa a parecer-se muito com “empregar menos pessoas”.
  • Ser adquirido – nos bons e maus momentos, os funcionários de uma empresa que está a ser adquirida estão em maior risco. As aquisições destinam-se a desbloquear “sinergias”, o que muitas vezes é uma forma elegante de dizer “se combinarmos as nossas empresas, podemos despedir todas as pessoas que têm empregos redundantes”. Como não têm relações com os decisores da empresa adquirente, aqueles que estão a ser adquiridos são normalmente os primeiros a quem é mostrada a porta de saída.
  • A sua empresa está “em mudança” – “em mudança” é o novo termo da cortina de fumaça para “O que estamos a fazer não está a funcionar, então vamos tentar outra coisa”. É verdade, é sábio abandonar um caminho condenado. Mas não é sábio se se está apenas a trocar uma ideia por outra ideia meio cozida meio esfarrapada. Embora existam exemplos de mudanças que transformaram uma empresa falida num sucesso de classe mundial (será que o leitor sabia que o YouTube começou inicialmente como um site de namoro?), essas são as exceções.
  • Más notícias / demasiados rumores – “Não há fumo sem fogo”. Quando a sua empresa está desfavoravelmente coberta pelos media comerciais por tempo mais que suficiente, geralmente é por uma boa razão. Basta perguntar às pessoas que trabalham (ou costumavam trabalhar) na Sears, Theranos, JC Penny, Toys “R” Us, ou Forever 21.
  • Mudança da direção – quando os ratos no topo começam a sair do navio ao mesmo tempo, é hora de se preocupar. Eles sabem muito mais do que o leitor sobre a condição da sua empresa. Neste momento, eu ficaria muito preocupado se trabalhasse num lugar como Tesla….
  • Queda repentina de ações – um preço forte das ações compensa muitas deficiências operacionais (como no exemplo da Netflix, Uber ou We Work, a perderem milhares de milhões em fluxo de caixa anualmente). Mas quando os investidores abandonam o sonho subjacente à sua empresa e as ações começam a cair fortemente, a vida pode rapidamente ficar muito pior. A rentabilidade e o fluxo de caixa positivo de repente tornam-se questões de vida e morte. Aqueles que trabalham numa empresa dita unicórnio de alto gabarito tecnológico ou empresa start-up assentes num otimismo exagerado precisam de estar atentos dada a rapidez com que as coisas se podem transformar se os investidores começam a ficar azedados.

 

Há algum alvo nas tuas costas?

Os despedimentos são como atirar sacos de areia para fora de um balão de ar quente que se está a afundar. O viajante atira uns poucos para o mar para ver se com isso consegue parar a queda. Se não parar, continua a atirar mais alguns fora.

Eles tendem a acontecer como uma sequência. Na primeira vaga, os maus desempenhos óbvios são soltos. Essa é a decisão fácil, e pode até ser positiva para a moral. Mas se a empresa ainda estiver com problemas, outra vaga – ou talvez mais – será necessária.

Então, como é que se pode saber se está em risco para a próxima vaga de despedimentos da série?

Aqui estão alguns sinais de alarme comuns:

  • A sua carga de trabalho está a diminuir – os trabalhadores nessa situação de reserva de trabalho disponível oferecem um ROI (retorno do investimento) mais baixo. Ou o rendimento da sua empresa está a diminuir (um mau sinal) ou o seu chefe está a redirecionar o seu trabalho para outras pessoas (um mau sinal).
  • Aumento nas exigências de relatórios de trabalho – se de repente lhe pedem para racionalizar e reportar todas as suas atividades, é normalmente um sinal de que alguém mais acima na cadeia está a tentar “justificar” os recursos no seu departamento. É um sinal de que o futuro do seu departamento – ou do empregado visado, especificamente – está a ser analisado.
  • “Demasiado” jovem – historicamente, os trabalhadores mais jovens são muitas vezes os primeiros a ser despedidos por terem a menor experiência de trabalho e a menor antiguidade dentro da organização. Durante a GFC, o desemprego entre os jovens trabalhadores quase dobrou de 5,4% em 2007 para 9,2% em 2010.
  • “Demasiado” velho – num número crescente de indústrias (em particular as Tecnológicas), é cada vez mais comum que os trabalhadores mais velhos sejam os primeiros a serem despedidos. Os trabalhadores mais jovens estão muitas vezes mais familiarizados e mais à vontade com o software e a tecnologia mais recentes e são, muitas vezes, substancialmente mais baratos de empregar. Eles estão dispostos a trabalhar mais horas por menos salário e não têm a estrutura de benefícios que os trabalhadores mais velhos com famílias têm. A ‘antiguidade’ está-se a tornar rapidamente uma queixa legal comum nos despedimentos de hoje.
  • O seu chefe é de repente demitido – embora isso possa ou não ser um sinal de que seu departamento está a perder estatuto dentro da empresa, muitas vezes significa que se está perder o elemento mais forte dentro da organização. Se o seu chefe sair abruptamente, certifique-se de se conectar com ele em particular para obter informações internas. Agora que ele não está a falar em termos da gestão geral da empresa, provavelmente será totalmente transparente consigo sobre a condição da empresa.
  • Fricção com o seu chefe – embora nunca seja um sinal promissor, se não se dá bem com o seu chefe, é provável que não esteja no topo de sua lista de empregados a querer defender durante um REF (redução em força). Na verdade, se você está de repente a sentir que há uma certa má vontade contra si quando antes não havia nenhuma, pode ser que ele esteja a tentar construir um caso para fazer do seu despedimento um “caso fácil”.
  • Ser “convidado” a aceitar um corte no pagamento – este é um sinal bastante claro de que você é menos essencial para a empresa do que era anteriormente e/ou que a sua empresa está *realmente* em dificuldades de fluxos de caixa. Se lhe for ‘perguntado’ sobre isso, tome este facto como um sinal do universo para começar a atualizar o seu currículo.
  • Ser convidado para treinar outra pessoa ou uma empresa externa sob as suas responsabilidades – esta é outra clara “chamada de despertar” de que o seu trabalho é provável esteja no bloco de corte. A menos que você tenha certeza de que está a ser promovido, leve isso como uma mensagem para esperar uma visita do RH em breve.
  • Os seus sentidos de aranha estão a formigar – as empresas são instituições sociais por concepção; são constituídas por pessoas (pelo menos, ainda o são por agora). Se você notar que os executivos e gerentes seniores parecem estressados ou passam muito tempo amontoados em salas de conferência, se a conversa do refrigerador de água gira em torno de problemas da empresa, se os benefícios começam a desaparecer rapidamente, se as pessoas começam a ignorá-lo – estes são sinais de aviso que você deve prestar atenção. Não ignore o seu instinto.

 

Como reduzir a sua vulnerabilidade

Depois de fazer uma avaliação honesta da sua situação profissional, será que tomar algumas medidas de precaução contra um despedimento faria sentido?

Alerta importante: se o leitor é um dos 132 milhões de empregados em tempo integral que trabalham atualmente nos EUA, a resposta certa é sempre “sim”. Não há simplesmente nenhuma boa razão para confiar na sua fonte de rendimento primária/única, de forma cega.

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O autor: Adam Taggart é o Presidente e Co-Fundador do Peak Prosperity. Ele usa muitos chapéus, mas seu trabalho básico é lidar com o lado comercial das coisas para que seu co-fundador, Chris Martenson, seja livre para pensar e escrever. É um executivo experiente de internet de Silicon Valley e MBA de Stanford. Antes da parceria com Chris (Adam foi Gerente Geral do nosso site anterior, ChrisMartenson.com), ele foi Vice-Presidente da Yahoo!, uma empresa que ele serviu por nove anos. Antes disso, ele fez a ‘coisa startup’ (mySimon.com, vendido para a CNET em 2001). Como recém-formado da Brown University no início da década de 1990, Adam teve uma visão em primeira mão de tudo o que foi quebrado com Wall Street como analista de banco de investimento para a Merrill Lynch.

 

 

 

 

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