CARTA DE BRAGA – “sinetas e Mozart” por António Oliveira

 

Imaginemos que se conseguiria montar um sistema de alarme com campainhas de som bem distinto (luzes de cores diferentes não servem por esta ser uma sociedade acostumada a viver e a dar atenção apenas ao ruído), a fim de nos alertar para os diferentes excessos das diversas conjunturas que se servem da gente e, ou nos governam.

A constância e o dramatismo das alterações fariam um tal concerto que, seria necessário generalizar o uso geral de buchas para os ouvidos, ou dos tampões já vulgarizados pelos smartphones.

O último alarme, pela linguagem usada, foi dado pela Reuters, ao divulgar como a quantidade de resíduos plásticos está tão disseminada que, cada um de nós poderia estar a engolir uns cinco gramas por semana.

De acordo com um estudo da organização ambiental ‘WWF International‘, este número significaria que cada pessoa poderia estar a ‘tragar um cartão de crédito cada semana‘, sendo mais prejudicados os que o têm para poder comer marisco, o segundo maior fornecedor de microplásticos, logo depois da água potável.

Este pormenor poderia fazer soar outra campainha, agora de ruído mais baixo, por também ter lido há uns dias e algures ‘os tratamentos intravenosos contra o mau estar pela ingestão de álcool, consolidam-se entre clientes da elite‘, pelos eventuais perigos a isso associados.

Mas voltando às de maior ruído, haveria de se achar como instalar sinetas contra o ódio, a aversão primária saída daquilo que não se entende, mas a arrastar a noção de privilégio, animosidade e malquerer a tudo que possa, de qualquer maneira, ameaçar a maneira de viver, mesmo sendo má.

Deveriam estar instaladas em microfones, palanques, púlpitos e tribunas, câmaras e máquinas de imagens, pois o ódio arrasta sempre bandeiras, os cartazes maiores da barbárie pois, disse um dia Tito Livio, historiador maior da Roma antiga, ‘o medo está sempre disposto a ver as coisas pior do que realmente são

Hoje, se pensarmos bem, todos os profetas do medo, trumpabolsonaroorbanle pensalviniventuraboris e mais alguns espalhados pelo mundo, recusam qualquer ideia de progresso.

Oferecem apenas uma vaga ideia de retorno a anteriores grandezas, usam sempre a demagogia da nostalgia e apresentam como novo o que é já bem antigo, a esconder arreigadas ideias de diferentes totalitarismos.

A mobilização social parece ser criada por problemas específicos, ruidosos, de acções pontuais mas nunca através de organizações estáveis e, até por isso mesmo, qualquer mobilização dificilmente provocará ou produzirá experiências positivas.

Só vai aumentar muito mais o barulho das campainhas, o que parece não incomodar grandemente esta sociedade mas, como me dizia há tempos um amigo ‘sempre teremos Mozart! É sensibilidade, é cultura e é beleza!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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