CARTA DE BRAGA – “verdade, votos e cultura” por António Oliveira

O conceito de democracia continua e continuará a marcar a evolução e o desenvolvimento das sociedades pois, apesar de contar já muitos séculos, da antiga Grécia à ‘actualidade trumposa’, são demasiados os aproveitamentos que se pretendem fazer de tal conceito.

Trump, mais as suas cópias eventualmente comandadas por Steve Bannon, os Orban-Hungria, Le Pen-França, Salvini-Ialia, Kaczynsk-Polónia, Abascal do vox-Espanha, Ventura do chega-Portugal e o Strache-Áustria, para só citar os europeus mais ‘atrevidos’, representam aqueles que pretendem acabar com a separação de poderes, o reconhecimento e garantia da liberdade de pensamento e da igualdade de direitos dos cidadãos.

Isto tudo porque vivemos tempos de mexidas em todos os palcos políticos e onde, por isso mesmo, também está em causa a noção de ‘verdade’, a mediática! Permitam-se acompanhar-me nesta simples e modesta reflexão e, se não gostarem, lamentem apenas o pouco tempo dispensado para a ler.

Está em jogo mais uma vez, um acto eleitoral onde a imprevisibilidade do voto e, muitas vezes o voto oculto, a que se poderá juntar o renascer de velhas crenças e gente que não acredita na democracia e nunca quis votar por isso mesmo.

Mas há muito tempo que o ‘povo’ (esta palavra tem sido devidamente ‘abusada’, mas atrevo-me a chamar assim a toda a gente da minguante classe média para baixo) deixou de ser importante, por agora só contarem os algoritmos e os apoios mediáticos que possam aguentar a ‘nomenclatura’.

Uma palavra herdada da antiga União Soviética, mas que define perfeitamente os ‘profissionais’ que, de uma maneira ou outra, conseguem viver dos ‘votos’, aquelas ‘coisas’ que se constituem como única possibilidade de o tal ‘povo’ poder dizer, a espaços mais ou menos breves, o que pensa deles.

O demérito por que passa a maioria dos partidos (por cá e por esse mundo fora!) leva-os a tentar pôr à frente uns novos ‘sebastiões’, de preferência empáticos, por já ninguém ter pachorra para ler um programa eleitoral, aquele caderno de intenções que os devia representar.

Assim, podem ver-se os períodos eleitorais como um ‘corre-corre’ de frases curtas, de vogais abertas para fácil e rápida interiorização, conseguir bons títulos nos ‘instagrams’ e ‘tweets’, para que jornais e tv’s os apanhem e propalem ainda mais, nos intervalos das séries, das novelas e dos futebóis.

Mas a ‘verdade’ existe, não é um dogma ‘dispensado’ por uma qualquer deidade política, infalível e inefável, mas um processo dinâmico, permanentemente actualizado, verificável, consequência da observação e experimentação históricas e livres, que se constituem como ‘cultura’.

Aquela cultura que a maioria dos órgãos de comunicação social tem feito o favor de ‘desconectar’, menorizando-se em favor do enorme poder do algoritmo, do espectáculo e do ‘entertainment’!

E lá, nos partidos, na maioria deles, já pouca gente se lembra que ‘democracia’ não é mais do que a consecução de um equilíbrio tanto e quanto possível solidário, entre frustrações e desilusões comuns, para poderem, mas cedendo, conciliar.

É uma frase bonita, já não sei de quem a ouvi ou li, mas a ficar bem nesta época pois, disse também um dia, o escritor e jornalista Georges Bernard Shaw ‘a democracia é um sistema que faz com que nunca tenhamos um governo melhor do que merecemos’.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

5 comments

  1. Carlos Leça da Veiga

    Mas não merecemos que tenha de ser mau. Tem-no sido por força duma Constituição muito distante do que devia e podia ser. Os Constituintes de 75 viviam como Homens do século XIX, exactamente como os partidos políticos a que pertenciam. Nada de novo na frente constitucional !!!Saudações do CLV

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  2. António Oliveira

    E “fazer” esta já foi obra!
    Mas a esperança continua a ser a palavra mais bonita no universo da política!
    Abraço
    A.O.

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  3. Carlos Leça da Veiga

    Ultrapassei a esperança. O bonito, que é muito desejável, pode embalar muitos mas de útil contém muito pouco. Quando a editora tiver feito o seu trabalho mandar-lhe-ei o que, com atrevimento, proponho sobre a matéria. Saudações do CLV

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  4. António Oliveira

    Continuo a acreditar!
    E fico à espera na ‘esperança’ de não se esqueçer!
    Abraço
    A.O.

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  5. C. Leça da Veiga

    Combinado. CLV

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