FRATERNIZAR – Ensurdecedor silêncio de Frei Bento, op, no PÚBLICO – HÁ ALGO DE VERDADE NO NATAL DAS IGREJAS? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

No solstício de inverno – o momento preciso em que a duração do dia ultrapassa a duração da noite – os antigos romanos celebravam o Sol invictus, quer dizer, a vitória do deus Sol sobre a noite e sobre a morte. A Igreja de Roma resolveu designar essa data como a do nascimento de Jesus, o verdadeiro sol da vida: foi Ele que enfrentou a morte e a venceu!’ As palavras são do meu amigo Frei Bento Domingues, na sua Crónica de domingo 15 de Dezembro, no PÚBLICO’.

Abro este Texto Fraternizar 3, Edição 153, Dezembro 2019, com esta citação, para a refutar liminarmente, uma vez que o judeo-cristianismo de Pedro-Tiago-e-Paulo, tal como o judaísmo bíblico ainda hoje o faz, não celebrava a festa do natal. Os Livros da sua Bíblia, então, a mesma dos judeus, fazem alusão a múltiplas festas dos judeus, nenhuma, porém, alusiva ao natal. De modo que, quando o cristianismo, depois da hecatombe que foi a destruição total e absoluta de Jerusalém e do seu templo pelos exércitos do império romano, avança à conquista das mentes-consciências das pessoas residentes nas principais cidades do império romano, vê-se obrigado a praticar o velho provérbio, ‘Quando os não podes vencer, junta-te a eles’, e acaba por fazer sua a festa religiosa do natal do Solstício de inverno das religiões politeístas e converte-a na festa do seu mítico Cristo ou Jesuscristo davidico. O que, além de descarada apropriação, é uma imperdoável mentira que vigora até aos dias de hoje.

É claro que o meu amigo Frei Bento Domingues, especialista em Cristologia, não escreve exactamente assim na sua Crónica como eu acabo de escrever aqui. Dividido entre Jesus histórico, em que não é perito, e o chamado ‘Cristo-da-fé’, em que é um dos peritos academicamente reconhecido, não hesita em considerar sinónimos – Jesus e Cristo – quando historicamente são antónimos. Só por isso é que ele escreve, com o maior dos à-vontades e o maior dos descaramentos,’ A Igreja de Roma resolveu designar essa data como a do nascimento de Jesus, o verdadeiro sol da vida: foi Ele que enfrentou a morte e a venceu!’. E, depois de isto escrever, ei-lo aí, impávido e sereno, como se não houvessse contradição no que escreveu. Quando há e clamorosa.

Primeiro, muda o nome da estrela Sol, à volta da qual a Terra gira num movimento de trasladação de 365 dias e mais cerca de 6 horas, para Jesus, o filho de Maria, o camponês-artesão nascido 5-6 anos anos antes do ano1, em Nazaré, não em Belém, como rezam os dois primeiros capítulos apócrifos do Evangelho de Mateus e do Evangelho de Lucas, Volume I. E não satisfeito com esta sua arbitrariedade que é confundir um ser humano, nascido de mulher, com um mito messiânico da Casa de David, criado e alimentado demencialmente pelos profetas do judaísmo, ainda nega a evidência dos factos, ao escrever, ‘Jesus enfrentou a morte e a venceu’. Mas é assim tão cego que não vê que a morte continua aí a acontecer, tal e qual como antes de Jesus, o filho de Maria, nascer e morrer?

Confesso que tudo isto me causa calafrios. E tanto mais quanto a Morte, ao contrário do que prega e escreve o fariseu judeu Paulo de Tarso, não é ‘o último inimigo a ser vencido’. Nada antropologicamente mais absurdo do que esta afirmação paulina e cristã. Porque a Morte – nunca é demais sublinhá-lo – mais não é do que a nossa irmã gémea. De modo que morrermos, não é o fim do nosso ser-viver, mas a plenitude do ser-viver de todos e cada um dos nascidos de mulher. Pelo que não tem que ser vencida. Tem que ser acolhida, como o coroamento do nosso ser-viver na História- É graças a ela que nos tornamos definitivamente viventes, fecundo corpo-sopro, por isso, definitivamente invisíveis aos olhos dos demais. Como de resto tudo o que é Essencial.

Outra falha grave do meu amigo Frei Bento nesta sua Crónica, é o ensurdecedor silêncio que faz do meu Livro 50, ‘Jesus, Segundo os 4 Evangelhos em 5 volumes’, Seda Publicações, Junho 2019. Com a agravante de ele próprio escrever, ‘Alguns leitores pediram-me que apresentasse, também, livros [sobre Jesus histórico] de fácil acesso em Portugal’. Refere quase nenhuns, e nenhum de significativa qualidade; e silencia escandalosamente o meu. O que chega a ser inconcebível num Cronista do matutino de maior qualidade jornalística do País. Aqui, a sua omissão é de bradar aos céus e à terra. Tem, obviamente, todo o direito de não gostar do meu Livro, nem da minha actividade de presbítero-jorrnalista, desde Janeiro de 1975, mas não pode, só porque se não revê minimamente nesta minha actividade, silenciar a existência de um Livro que já mereceu do renomado Jornalista do DN, João Céu e Silva, uma longa Entrevista Premium, hoje acessível a toda a gente interessada (abrir site https://www.dn.pt/edicao-do-dia/26-ago-2019/padre-mario-da-lixa-este-livro-e-a-reposicao-da-verdade-sobre-jesus-historico-11232393.html).

É com posturas destas e outras muitíssimo mais escabrosas de quase todos os clérigos e teólogos eruditos que os cristianismos conseguiram manter-se nos dois terríficos milénios anteriores, e que, felizmente, o terceiro milénio, está a tornar cada vez mais residuais.Por isso, à pergunta do título, Há algo de verdade no natal das igrejas?, a resposta só pode ser uma, No natal das igrejas não há ponta de verdade. Tudo é mito, como mito é o Cristo ou Messias da casa real de David, dos profetas bíblicos e de S.Pedro-S.Paulo-imperador Constantino. Hoje sabemos, de fonte segura, que Jesus histórico é o camponês-artesão, o filho de Maria (cf. Marcos 6, 3), nascido comprovadamente 5-6 anos antes do ano 1, em Nazaré, onde cresce até à idade de sair para a sua militância política, altamente subversiva, realizada entre meados do ano 28 e Abril do ano 30, na Galileia e finalmente em Jerusalém, onde é traído pelo grupo dos Doze que havia escolhido um a um para andarem com ele, e logo preso, julgado, condenado à morte pelo Sinédrio dos sumos sacerdotes, os quais, não satisfeitos, ainda vão com ele preso ao Pretório, exigir a Pilatos que o crucifique. Para, desse modo, se cumprir a Escritura ou Bíblia deles, e, desse modo, ele ficar maldito para sempre (Dt 21, 23).

P. S.

Este é o último Texto da Edição 153, Dez.º 2019. Contamos regressar com a Edição 154, Janeiro 2020, na sexta-feira 10.

 

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e ainda a Recensão Crítica do Livro, IRMÃO ISLÃO, de JJ. Tamayo / Editorial Trotta.

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