CARTA DE BRAGA – “os ‘grandes’ textos nem sempre são grandes notícias!” por António Oliveira

Os que se seguem foram recolhidos num órgão de informação, um dia após uma cerimónia muito seguida e transcrevo-os da mesma maneira que os li, nem lhes mudei o lettering.

«”Esta é uma condecoração pensada para a projecção de Portugal no mundo, tal como fez o Infante D. Henrique”, concluiu Marcelo Rebelo de Sousa.»

«“É com orgulho que recebo esta condecoração. Sei o significado dela, sei bem quem é o Infante D. Henrique, porque todos os dias no Brasil tinha de atravessar a Avenida Infante D. Henrique.”» (J. Jesus citado noutros jornais)

Não há dúvida ‘les grands esprits se rencontrent’ que alguns traduzem por ‘as grandes mentes encontram-se’, a conclusão mais avisada depois desta leitura!

Não discuto a valia profissional do senhor Jesus, mas julgo descabida a argumentação do senhor Sousa, que até permitem fazer descer o Senhor Infante aos malabarismos das eventuais passadeiras de uma movimentada avenida, desenhada para descobrir buracos para meter automóveis e não intervalos costeiros para amarrar caravelas.

Aliás, um comentador político de um jornal internacional, garantia há poucos dias ‘o que se tem vindo a verificar nas democracias em que a subida dos populismos é preocupante, tem a ver com a preponderância do emocional sobre o racional

E um comentador de outro jornal, deixava para lermos ‘Estamos, em termos globais, ante um fracasso da política para atender as necessidades e expectativas dos cidadãos’.

Na verdade, estamos é dependentes do presente e do futuro imediato e é raro questionarmos o passado, como se ele fosse apenas o resultado do que temos sido.

Michel Serres, um dos mais importantes filósofos destes tempos, falecido em Junho último, tinha talvez explicação para isto ‘as instituições ainda dominantes, brutalmente antiquadas como dinossauros de outrora, refugiam-se na droga do espectáculo. Assistimos, desolados, à distribuição permanente da droga dos espectáculos de todo o tipo

Desolados e preocupados como o israelita Yuval Noah Harari, autor de várias obras sobre o desenvolvimento da inteligência artificial, pelo potencial manipulador que podem conseguir tais conhecimentos por saberem bem os mecanismos básicos da nossa conduta habitual, repetitiva e rotineira.

E Saramago deixou escrito algures ‘Os três males do homem moderno, são a ausência de comunicação, a revolução tecnológica e a vida centrada no triunfo pessoal

E ele sabia do que falava!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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