CARTA DE BRAGA – “o poder e a multidão” por António Oliveira

O poder não muda as pessoas! Só revela quem realmente são!

A afirmação pertence ao antigo presidente uruguaio José ‘Pepe’ Mujica e também revela a grandeza de um homem que sempre viveu humildemente, ainda mantendo o ‘carocha’ que já tinha antes de ser presidente.

Vem isto a propósito do último relatório do PNUD, Plano das Nações Unidas para o Desenvolvimento, centrado na análise, das ‘desigualdades persistentes’, as que existem antes do nascimento de uma pessoas e se vão acumulando ao logo da vida.

Estudou especialmente as que se manifestam nos domínios da saúde, da educação, situação socioeconómica dos pais (os rendimentos e ingressos e como eles afectam a saúde, a educação e o aproveitamento dos filhos).

A principal conclusão é a de que ‘as pessoas já não têm esperança, projectos nem dignidade, numa situação de marginalidade em que só lhes resta olhar os que prosperam e enriquecem cada vez mais’.

O relatório acrescenta e salienta que a vaga actual de manifestações é um sintoma claro de que a sociedade globalizada não funciona, pois ‘o verdadeiro protagonista desta história é o poder, o poder de uns poucos, a falta de poder de muitos e a ausência do poder colectivo da cidadania para exigir a mudança’.

A reforçar a importância desta desigualdade, outro relatório do PNUD, divulgado pela ‘ONU News’ salienta ‘todos os anos, mil milhões de dólares são pagos em subornos e cerca de 2,6 mil milhões são roubados devido à corrupção, um valor que corresponde a mais de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) global’.

Mais salienta que ‘os países em desenvolvimento perdem dez vezes mais fundos em corrupção do que todo o dinheiro investido em assistência ao desenvolvimento’.

Uma situação que levou António Guterres, Secretário-geral da ONU, a afirmar ‘as pessoas têm razão em zangar-se contra a corrupção, por desviar muitos recursos necessários para escolas, hospitais e infra-estruturas’.
Enquanto isto, o patético loiro americano poderá ter começado mais uma guerra, ao mandar matar o general Qassen Suleimani, o iraniano mais importante depois do ayatollah Ali Khamenei, podendo até configurar uma possível violação da constituição, por ser avaliada como uma declaração de guerra sem a aprovação do Congresso.
Uma guerra entre o Irão e os EUA, a que não deixarão de prestar ajuda Israel, a Arábia Saudita e sabe-se lá quem mais, tanto a um lado como ao outro é, na opinião de muito comentador da política internacional, uma possibilidade muito séria. E o loiro patético ergueu-se de repente a ícone da inconsciência que parece estar a assolar o ocidente, comandada adrede por likes e tweets.
O drama ainda só gora começou mas, garante Bernard Cassen director geral do Le Monde diplomatique’, ‘o único actor global que está em contra corrente nesta espiral de inconsciência, é a União Europeia’, como o está também no outro drama paralelo, a crescente mutação climática, mas com alguns ‘podres’ internos como borisorbanos kaczinnski, salvini, e ainda o acólito exterior bolsonaro, até por dizer coisas em português.
 
Tudo para podermos e devermos ter em conta as palavras do sociólogo Manuel Castells, ‘Vivemos num mundo brutal, um mundo sujeito à lei do mais forte, no qual a nossa extraordinária tecnologia é usada para nos vigiar, roubar e vender os nossos dados, um mundo com instituições sem qualquer credibilidade, mas sem ter importância alguma para os governantes’.
Há uns dias ouvi uma afirmação que não resisto em deixar aqui, embora sem saber quem será o autor, até por nem precisar de ser explicada, ‘Outrora o ESPÍRITO era DEUS, depois passou a ser o HOMEM, agora está mesmo a chegar a vez da MULTIDÃO’.
 
António M. Oliveira
 
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

5 Comments

  1. Quer se queira, quer não, terá de ser a multidão, porém, para que esta, com acerto, consiga vingar, precisará doutra forma política de estar organizada. Com modelos constitucionais de antanho nada de realmente positivo pode perspectivar-se.Cumprimentos do CLV

  2. Ler-te, Amigo, é sentir o verdadeiro sentido da cumplicidade…O pior é que o desalento É directamente proporcional à concordância….O que fazer? Fazer como tu: não arredar pé do que somos…
    O meu abraço! CL

    1. O grande problema é que nunca alguém conseguiu organizar a multidão. Ela tem movimentos próprios e nem se pode comparar com os estorninhos onde a organização é inata. Ela se se movimenta a destempo e não vejo nada nem ninguém com estrutura cultural para o fazer, nem aqui nem noutro lado qualquer! Tenho pena mas é o que penso!
      Um abraço Carlos Leça da Veiga

    2. Pouco mais podemos fazer além de sermos verdadeiros no tudo do nosso dia a dia! É o nosso pequeno mundo, o que nos liga a todos os que queremos e respeitamos, esperando que tal atitude possa “contaminar” e se prolongue!
      Abração Conceição Lima
      António Oliveira

  3. Desistir não parece seu.Organizar a multidão nunca será domesticá-la e ao longo dos milhares, tem de reconhecer-se, muito mudou. Parar será uma condenação sem culpa formada. A inventiva humana deixou de ocupar-se com a organização da sociedade humana, para que – conforme os donos disto tudo – tudo continue na mesma. Abraço do CLV

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