FRATERNIZAR – À luz da pandemia Covid-19 – QUAL O VÍRUS QUE MAIS MATA?

 

 

Está aí cada vez mais à vista que o Covid-19, já declarado Pandemia pela OMS, é para ser tomado muito a sério. Sem nunca entrarmos em pânico. O pânico, ao contrário da seriedade, deixa-nos sem quaisquer defesas, precisamente quando elas mais necessárias são. A seriedade exige-nos o pleno da concentração e da atenção aos Sinais. O Covid-19 é para ser tomado muito a sério, porque pode vir a deixar desertas as grandes e as pequenas cidades, mai-las empresas, das multinacionais às familiares.

Na Idade Média, em momentos como o do Covid-19, o normal era correr a encher os templos das religiões e dos clérigos a pedir a deus que nos livrasse ‘da fome da peste e da guerra’. O que daí resultava era a pandemia e os coveiros não tinham mãos a medir. Porque deus, o das religiões e dos clérigos, é uma invenção dos medos dos povos que reiteradamente desistem de o ser, para se entregarem e aos seus destinos nas mãos dos pastores e clérigos, quando o imperativo ético é, Assumam-se, contra ventos e marés, e assumam os vossos destinos e os destinos do Planeta, como se Deus que nunca ninguém viu – o de Jesus – não existisse!

Desta dimensão profunda do Humano, deus, os das religiões, juntamente com os seus clérigos e pastores, são menos do que um zero à esquerda da unidade. Se bem que, para mal da Humanidade, seja este o deus que os povos teimam em cultuar, para cúmulo, quase sempre de modo fanático. O que os tem levado a um viver histórico vale-de-lágrimas, sempre de joelhos, de dores e de horrores, quer ao nível de cada ser humano em concreto, quer colectivamente. Cercados de cruzes por todos os lados e de outros instrumentos de auto-tortura, como flagelações e um nunca mais acabar de deveres, vida fora. Porque o deus das religiões, dos clérigos e pastores é um deus insaciável, como insaciáveis são os seus clérigos e pastores, mascarados de intermediários entre ele e os povos.

Tudo isto constitui, objectivamente, um hediondo crime sócio-político e um pecado sem perdão. Mas como se trata de deus e dos seus clérigos e pastores, os Estados das nações não só não se intrometem, como até apoiam e tratam com a máxima reverência, tanto os locais de culto como os clérigos e os pastores. Mesmo os Estados constitucionalmente laicos, como o português, comportam-se perante esta realidade, como se o não fossem, ao ponto de concederem isenções fiscais aos locais de culto e de caridadezinha que clérigos e pastores edificam e exploram com chorudos lucros. Ao mesmo tempo que são mão pesada para os locais onde se promove a Cultura, nomeadamente, aquela que ‘puxa’ pela mente-consciência das pessoas e populações para que umas e outras se desenvolvam de dentro para fora e assumam os seus destinos nas mãos. Uma mudança difícil de realizar, porque as minorias mais ilustradas são também as mais seduzidas, não pelo deus das religiões e dos clérigos e pastores, mas pelo deus Dinheiro, o único que não conhece ateus, só adoradores.

Metidos no coração desta nossa actualidade nacional, europeia e cada vez mais global, dominada hoje pelo Covid-19, ergue-se, irreprimível, a Pergunta, Qual o vírus que mais mata? Não falta quem, por estes dias, insista em lembrar o horror do número de vítimas da fome, como se esta não fosse cientificamente produzida pelo Sistema de Poder e todos os seus Estados. De tão cegos ilustrados que são, nem vêem que o pai de todos os vírus, também do Covid-19, é o Poder, nos três poderes em que ele historicamente subsiste. Este é indubitavelmente o vírus-que-mais-mata. A inequívoca prova de que a realidade é mesmo essa é que são poucos, muito poucos os que ousamos viver no Sistema de Poder, sem nunca sermos dele. Por mais que ele se dane e nos seduza, ou nos reduza à insignificância. Todos os seus agentes históricos de turno têm-se por muito ilustrados e bem falantes, mas são guias cegos que arrastam os povos para o abismo! Uma coisa eles ignoram – é que a última e definitiva palavra na História é exclusiva de todas as suas vítimas!!!

 

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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