FRATERNIZAR – Consagração da Diocese do Porto à Virgem Maria – A QUÊ OU QUEM SE DIRIGE D. MANUEL LINDA? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

 

https://youtu.be/p9Nb0aSgLTc

Quando, finalmente, a pandemia Covid-19 tiver passado, o bispo do Porto, ex-Bispo das Forças Armadas e de Segurança, e os seus três bispos auxiliares podem muito bem vir a terreiro gloriar-se de terem contribuído decisivamente para isso, porque ainda ela não havia atingido o pico de pessoas infectadas e mortas, e já ele e eles tiveram a luminosa ideia de consagrarem a Diocese à Virgem Maria. A consagração aconteceu, com a pompa episcopal do costume, não na catedral fechada a turistas e a devotos, sim na capela do Paço Episcopal onde eles residem, e perante uma antiga imagem solitária pousada numa base típica dos museus ditos de arte sacra, no caso, a capela-museu do Paço episcopal. Coisa mais sem jeito, porque nos remete para a Idade Média, quando somos séc. XXI.

O acto foi transmitido em directo, via internet, para a diocese, e lá pudemos ver (eu, presbítero-jornalista, também fiz questão de ver) o bispo do Porto equipado com a pomposa capa dos grandes momentos litúrgicos, postado de joelhos diante duma imagem em forma de estranho corpo de mulher assexuada– ele um gigante a fazer lembrar uma jibóia, ela um passarinho prestes a ser engolido – assessorado pelos seus três bispos auxiliares, de pé e cada qual com a fórmula da ‘consagração’ nas suas mãos, de modo que os quatro a pudessem recitar ao mesmo tempo, a quatro vozes, por sinal, bem diferenciadas, a revelar pouco ensaio antes da apresentação da peça ao público. Que estas coisas litúrgicas e clericais são mesmo assim, a negação da Arte e da Criatividade, mera execução do que dizem os textos litúrgicos, efeitos reais, nenhuns. Por mais que os livros deles garantam que aquelas rituais palavras produzem o que dizem.Não produzem!

‘Santíssima Virgem Maria, Senhora da Assunção, Senhora da Conceição, Senhora de Fátima! Senhora de todos os nomes bonitos, Senhora do nome mais bonito: Mãe de Deus e nossa Mãe!’. É esta a invocação de abertura, uma salgalhada de títulos míticos, qual deles o mais absurdo, nenhum nome de mulher histórica. Num tempo de grande aflição como este, o Bispo D. Manuel Linda e os seus três bispos auxiliares agarram-se a nomes míticos, porque os dos seres humanos estão todos, ou de quarentena nas suas casas, impotentes perante a pandemia que o sopro do Poder fez acontecer neste início da terceira dezena do terceiro milénio, ou no terreno a dar tudo por tudo para valer às pessoas infectadas. Não estão, como eles, no bem-bom dos palácios episcopais.

‘Como sabes – prossegue o longo blá-blá episcopal a quatro vozes – estamos todos a passar mal. Não estamos zangados com o Teu Filho, Que não é castigador. Mas, nós, às vezes, Não respeitamos este belo jardim que Ele nos deu (Gn 2, 8) E fizemos dele um matagal; E, em vez de flores, Saíram-nos espinhos. E agora é isto… Estamos todos a passar mal E, alguns, mesmo muito mal.’ O bispo sabe do que se passa, mas é como se não soubesse. A sua especialidade é religiosa e ritual, o mesmo é dizer, é lidar com mitos e encenações para espectador ver. Uma especialidade que no tempo da Ciência e da Fé-Teologia de Jesus histórico, materializa um desastre em toda a linha.

O problema é que todos estes clérigos não sabem a quê ou quem se dirigem, sempre que presidem a este tipo de coisas, já que as imagens são meros objectos, não pessoas. Pelo que tudo o que fazem-dizem só contribui para alienar a vida das pessoas. E quando o que eles fazem, extra rituais, parece ter alguma valia, vai-se a ver e não vai além da humilhante caridadezinha. Mesmo assim, acham-se indispensáveis, quando são dos mais estéreis entre os nascidos de mulher, a partir do momento em que se tornaram filhos do Poder. É que tal como o deste, também o sopro deles mata, porque dão o peixe, em vez de despertarem nas pessoas a determinação e o gosto de aprenderem a pescar. O que sempre faz Jesus histórico, por isso, crucificado na cruz do império de Roma, a exigência dos sumos-sacerdotes, dos quais os bispos são hoje os sucessores! Uma vergonha!

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