A CRISE DO COVID 19 E A INCAPACIDADE DAS SOCIEDADES NEOLIBERAIS EM LHE DAREM RESPOSTA – XV – O HELICÓPTERO MONETÁRIO DO CORONAVÍRUS, por JOHN MAULDIN

 

 

Coronavirus Helicopter Money, por John Mauldin

Mauldin Economics, 13 de março de 2020

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

 

Escrevo esta carta no início da manhã de sexta-feira, depois de uma semana em Nova Iorque, em visita a muitos outros participantes do mercado. E muitos telefonemas, tanto para analistas como para especialistas médicos. Eu tinha planeado originalmente um texto completamente diferente, mas as circunstâncias mudaram.

A humildade é uma coisa boa de se ter quando se está a fazer previsões sobre a economia ou os mercados. Nunca se sabe que factos relevantes se podem estar a perder, daí que seja então bem melhor não estar muito confiante.

Nas minhas previsões anuais e da década, publicadas há apenas dois meses, eu disse que a recessão provavelmente não aconteceria este ano, na ausência de um evento exógeno. Agora, graças à COVID-19, eu estou muito menos confiante nessa previsão. Temos um evento exógeno em curso que pode mudar tudo.

Hoje vamos considerar para onde tudo isso está a caminhar e o que poderia acontecer – não medicamente (outros podem tratar disso), mas economicamente. O coronavírus pode-nos levar a todos para algum lugar para onde realmente não queremos ir.

Choques Políticos

Alguns dos meus amigos libertários gostam de dizer que a melhor coisa que o governo pode fazer é nada. Eu acredito que há algumas coisas que só os governos podem fazer. Uma delas é responder a epidemias virais. Até agora, a resposta do governo tem sido, digamos assim, não tem estado até ao momento à altura. Isso finalmente parece estar a mudar.

A Reserva Federal injetou ontem cerca de 600 mil milhões de dólares no mercado e prometeu muito mais. Os analistas em que eu confio chegaram a um consenso de que as taxas dos EUA em breve estarão próximas ou no limite zero. Tudo bem e bom numa recessão financeira ou do ciclo de negócios, mas isto não é o que temos hoje. Temos uma pandemia biológica (a OMS finalmente começou a usar essa palavra) que está claramente a mudar os padrões de comportamento do consumidor. Taxas de juros baixas e dinheiro fácil não vão mudar esses padrões.

Eu sou um crente no mercado livre e nas decisões individuais. Não culpo ninguém que decide que é do seu melhor interesse ficar em casa e evitar multidões. Essa é a sua própria decisão pessoal. Contudo, a decisão coletiva de muitos consumidores de reduzir as suas atividades tem a probabilidade muito real de causar uma recessão em breve.

O economista da RSM Joseph Brusuelas produziu um fluxograma que mostra como essas situações tendem a evoluir (clique aqui para visualizar uma imagem maior).

Fonte : Real Economy

 

Temos três choques diferentes em curso.

O choque de oferta tornar-se-á mais visível nas próximas semanas, uma vez que o oleoduto de exportação asiático está seco, com efeitos imprevisíveis mas possivelmente generalizados nas empresas ios EUA.

O choque de procura já está a ser atingido à medida que as viagens abrandam, as pessoas evitam grandes reuniões, e os consumidores reduzem os gastos discricionários.

O choque financeiro está bem encaminhado nos mercados, como o leitor provavelmente sabe. As últimas semanas trouxeram volatilidade que não viamos há muito tempo.

A resposta a todos estes choques é tanto monetária (bancos centrais) como fiscal (governos). O lado monetário é bastante limitado no que pode fazer. As taxas de juro já estão perto de zero e abaixo de zero em alguns lugares. Além disso, o crédito mais fácil não resolve o problema. O financiamento barato não acelera a cadeia de abastecimento nem faz com que as pessoas queiram viajar novamente. Nem vai ajudar os lucros empresariais se os clientes não estiverem a consumir.

Neste cenário, a resposta política é principalmente orçamental. Quando Milton Friedman falou sobre “dinheiro de helicóptero”, ele estava-se a referir aos bancos centrais, mas os governos também têm helicópteros. E os motores estão a acelerar por todo o lado os ataques do coronavírus.

Na China, o banco central tem evitado medidas de estímulo macroeconómico, mas Pequim e os governos locais mostram pouca contenção noutras situações. Eles estão a iniciar todo o tipo de projetos de infraestruturas e a subsidiar empresas para pagar os trabalhadores durante os períodos de contenção. Os reguladores bancários estão a deixar que as pequenas empresas atrasem o pagamento da dívida. Algumas também estão a ser isentas de impostos de segurança social para os próximos meses.

Hong Kong está simplesmente a dar dinheiro, com cada adulto a receber o equivalente a 1.285 dólares. Mas suspeito que se trata de mais do que alívio de vírus. Pode também reduzir alguns dos protestos recentes.

O Japão está a alocar milhões de milhões de ienes para subsidiar os trabalhadores que foram obrigados a ficar em casa, muitas vezes com crianças cujas escolas o governo fechou. As pequenas empresas vão receber empréstimos a juros zero. O primeiro-ministro Shinzo Abe também promete mais, proximamente.

Na Itália (ver – Italy vows to implement ‘a massive shock therapy’ against the coronavirus) duramente atingida, o primeiro-ministro Giuseppe Conte diz que vai fazer “terapia maciça de choque” a uma economia que, em teoria, deveria estar a praticar a austeridade fiscal. Essa era parece ter acabado. O governo está planear uma moratória da dívida, (ver – Italy Plans Debt Moratorium to Cope With Coronavirus Lockdown) incluindo hipotecas. Não está claro como farão isso num dos sistemas bancários mais fracos do mundo, e ainda a permanecerem na zona do euro.

A União Europeia, (ver – EU considers measures to cushion businesses from coronavirus impact) sempre flexível, prepara-se para flexibilizar as limitações da “ajuda estatal” que os seus membros podem fornecer. Eles podem até (isto faz estremecer) criar um pacote “coordenado” de estímulo orçamental.

Será que os EUA farão o mesmo? Eu acho que é inevitável. A equipa Trump e os Democratas já estão a flutuar com ideias. As pessoas de Wall Street e vários líderes da indústria estão praticamente a implorar por ajuda. A pressão só vai crescer à medida que mais empresas perdem receitas e mais pessoas se veem impossibilitadas de trabalhar. Sendo este um ano eleitoral, algum tipo de pacote irá ser aprovado com apoio bipartidário. Quanto pior isto ficar, maior será o pacote.

Note que tudo isso estará em cima do que eles vão alocam para pagamento pelos testes de coronavírus, tratamento e (eventualmente) vacinas. Também não se conta com os vários programas de “estabilizadores automáticos” que vão entrar em ação à medida que mais pessoas perdem empregos e rendimentos. E tudo vai acontecer à medida que a receita fiscal cair pelas mesmas razões.

Quer tudo isto ajude ou não a economia, certamente irá expandir um défice federal que já estava programado para exceder $1 milhão de milhões este ano. Suspeito que acabará por duplicar esse número, mesmo que a ameaça do coronavírus volte a diminuir em breve. Os políticos têm agora uma razão perfeita para gastar mais dinheiro e vão aproveitá-la. É exactamente assim que se irá funcionar.

5 Money-Making Investments
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O meu melhor palpite sobre o futuro

Tão francamente quanto posso dizer, isto não é uma recessão financeira (ainda). Estamos numa crise biológica e isso está a criar pânico. Muito desse pânico é simplesmente por causa das “incógnitas não conhecidas ” que rodeiam a COVID-19. Sabemos que é mais contagioso e que parece ser mais letal. Não sabemos bem o quão letal é, mas é evidente que nenhum de nós quer apanhar o vírus. Isto está a introduzir uma enorme quantidade de incerteza nos mercados e no mundo dos negócios, nenhum dos quais gosta de incerteza.

Esta é a curva de rendimento a partir da manhã de sexta-feira antes da abertura dos mercados a partir da Bloomberg. As taxas subiram um pouco do seu fundo de há dois dias, mas isto ainda é bastante chocante.

 

 “Nota do tradutor:

Fonte : Bloomberg

Um dia depois:

Esta manhã, dia 14 de Março, a Bloomberg noticia pela mão de John Ainger:

Mercados Obrigacionistas em Alerta Vermelho para Ação Política Após a Semana Histórica

 

John Ainger

Os investidores em obrigações estarão em alerta máximo para mais ação por parte dos decisores políticos na próxima semana, após cortes de emergência nas taxas e promessas de dinheiro depois de ocorridos alguns dos movimentos mais turbulentos do mercado na história.

O Banco Central Europeu, o Bank of England e o Norges Bank comprometeram-se todos a fazer mais para reforçar a confiança após a rápida propagação do coronavírus ter levado a situações de isolamento em diversos nos países e a fortes quedas nos s mercados.

“Mais injeções de liquidez são absolutamente essenciais se quisermos evitar que a atual recessão económica desça para uma potencial crise financeira”, disse Mike Riddell, gestor financeiro da Allianz Global Investors. “A mais importante preocupação imediata é colocar o mercado do Tesouro dos EUA sob controle”.

Os mercados monetários tiveram reduções em quase 100 pontos base pelo Federal Reserve na quarta-feira, um movimento forte que levaria a sua taxa limite ao seu mais baixa valor: a zero. Em comparação com isso, os decisores políticos europeus têm pouco espaço de manobra e os investidores podem estar a testemunhar a passagem do testemunho para os governos.

A promessa da Alemanha de 550 mil milhões de euros (em despesa tipo “bazuca” levou à maior grande liquidação em dez anos de dívida do país na sexta-feira, apenas um dia após o maior colapso da história dos títulos na Itália. Isso foi provocado pela presidente do BCE, Christine Lagarde, indicando que ela não estava disposta a salvar os mercados.

Para os investidores, isto é o sinal mais claro até agora de que os bancos centrais não podem fazer muito mais no caminho do estímulo. Em vez disso, terão de ser os governos a retomar a luta contra o efeito da pandemia sobre a economia real.

“Lagarde tentou isso e falhou e, depois, os outros no BCE apressaram-se a esclarecer que o BCE permanece no controle”, disse Jan von Gerich, estratega-chefe do Nordea Bank Abp, que vê um período de alta dos rendimentos na Europa. “Mas certamente parece que os governos estão prontos para fazer a sua parte.”

Na próxima semana, há pouco tempo na agenda. Os líderes do grupo de pares vão realizar uma cimeira extraordinária por videoconferência na segunda-feira, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está sob pressão para novas ações. O Reino Unido, Itália e Suíça já se comprometeram a gastar milhares de milhões enquanto o Banco do Japão se reunirá na quinta-feira, depois de derramar milhões de milhões de ienes nos mercados.

What Bloomberg Intelligence Says

O que nos diz os serviços da Bloomberg

“Há uma fuga massiva de dinheiro para a liquidez, com a volatilidade a ser altamente custosa e a falta de liquidez a matar os mercados. Uma bazuca do Fed, a sua flexibilização quantitativa e uma ação orçamental global estão na ordem do dia para lutar contra uma recessão global. Os mercados permanecerão altamente voláteis, mas a venda indiscriminada faz surgir oportunidades para os investidores de médio prazo”.

— Tanvir Sandhu, Estratega Chefe Global de Derivados

 

Numa conversa ontem à noite, vários participantes mencionaram nomes conhecidos que sentem que as obrigações americanas a 10 anos podem aproximar-se do zero antes que isto termine. Queridos Deuses…

Uma Recessão centrada no Consumidor

Este gráfico caiu na minha caixa de entrada esta manhã vindo da brilhante Danielle DiMartino Booth of Quill Intelligence. Ele mostra claramente como as viagens estão a diminuir, o que nós sabíamos, e provavelmente irão diminuir ainda mais à medida que grandes eventos forem cancelados ou adiados.

Source: Danielle DiMartino Booth

 

Algumas observações anedóticas:

Enquanto andava por Nova Iorque esta semana, perguntava aos taxistas e ao pessoal do restaurante como estavam os negócios. Todos diziam que estava tudo em baixo. Curiosamente, os restaurantes de luxo parecem ser lentos – talvez por terem sido solicitados a usar apenas 50% da sua capacidade normal de lugares. Mencionei isto ao meu amigo Ian Bremmer e ele salientou que muitos nova-iorquinos têm segundas casas fora da cidade. Ou deixaram a cidade ou estão a trabalhar a partir de casa.

Um gestor do mercado monetário reparou que as suas operações estavam a ser executadas mais lentamente. Ao tentar perceber porquê, ele finalmente percebeu que os operadores diretos no mercado ( os traders) que ele utiliza estavam todos em casa no seu Wi-Fi, que era mais lento do que o Wi-Fi nos seus escritórios. Não é um grande negócio, mas esses operadores também não vão sair para comprar uma sanduíche para o almoço. Más notícias para os restaurantes.

O meu sócio Patrick Watson e sua esposa Grace dirigem um salão de cabeleireiro de luxo em Austin. Eles fazem isso há quase 20 anos. As suas vendas caíram 14% no início de Março do mesmo ponto há um mês. Os cortes de cabelo e a cor são gastos discricionários. Os cabelos grisalhos podem, e alguns evidentemente estão a decidir deixar as suas raízes aparecerem em vez de irem ao salão de cabeleireiro.

Pergunta: Será que isto muda o comportamento que se vai seguir? Descobrimos que ficar em casa com Netflix e pizza é tão bom quanto um restaurante e teatro italiano de luxo? Quero dizer, não a qualidade da comida, mas apenas a experiência e como gozamos a vida.

De quantas outras centenas de maneiras esta pandemia particular vai afetar as nossas vidas e os nossos estilos de vida no futuro? Isso é completamente desconhecido, mas é algo a ponderar.

Eu entendo que a Reserva Federal e o governo sentem que têm de fazer alguma coisa. Mas as suas ferramentas são geralmente orientadas para ajudar Wall Street, não Main Street. Acho que esta nota de Woody Brock resume tudo isto muito bem.

Mais sobre a Crise e os Mercados.

Há duas semanas, enviei um memorando de crise avisando que o mercado poderia em breve cair para 17.500 no Dow. Sublinhei que a verdadeira ameaça à economia, aos lucros e ao emprego não era apenas a interrupção na cadeia de abastecimento, mas, mais importante ainda, a primeira implosão do setor de SERVIÇOS que já vimos.

Isto é o que estamos a ver agora quanto aos cinemas, companhias aéreas, “eventos” de todos os tipos, escolas, universidades – todos fechados. E o Dow hoje desceu de 29.000 para 21.000. Uma queda adicional para os nossos 17.500 previstos pode ocorrer dentro de uma semana ou duas.

Neste breve memorando, gostaria de acrescentar alguns pontos sobre a volatilidade do mercado.

Incerteza do Modelo de determinação de preços dos ativos

O ponto principal diz respeito ao papel do que temos chamado de Pricing Mode Uncertainty” (PMU- um conceito que introduzimos há cerca de 14 anos.

O nosso teorema fundamental era que quanto maior for a quantidade de incerteza na determinação do preço dos ativos ( PMU) num mercado, maior será o grau de sobrerreação de preço à subida e à descida. A prova era apresentada a partir da teoria dos jogos e foi exposta numa conferência na Universidade de Stanford.

O grau de PMU aumenta com o grau em que os investidores admitem não entender a incidência das “notícias” sobre os preços.

Na teoria do mercado eficiente, supunha-se simplesmente que todos os investidores iriam ouvir as notícias sobre o novo preço “correto” do ativo. Não havia, portanto, uma PMU e, portanto, havia uma volatilidade muito baixa.

No caso atual em que ninguém entende o que é realmente a “notícia”, muito menos como é que ela terá impacto sobre os preços dos ativos, a PMU é MÁXIMA, implicando assim enormes oscilações de preços do tipo que temos e vamos a ter.

Intuitivamente, a razão subjacente ao nosso teorema é que quanto maior for o nível de PMU, será racional para todos os investidores impulsionar as tendências de preços muito mais para cima e para baixo. A lógica é fascinante – a matemática é muito complexa.

Uma forma muito importante de ignorância dos investidores atualmente diz respeito ao ponto de vista dos mercados segundo a qual são as perspetivas de lucros empresariais que mais importam. Isto está errado

O que vai importar é o colapso dos lucros e a capacidade de sobrevivência de milhões de empresas privadas e sociedades cujos lucros nem sequer são incluídos nos dados dos ganhos do índice.

São estas empresas que podem acabar por despedir milhões de trabalhadores e ir à falência. Isto é o que terá impacto na Main Street e no desemprego – muitas vezes muito antes mesmo dos ganhos oficiais das grandes empresas serem contabilizados.

Os dados que temos para entender a vida e o comportamento dessas pequenas empresas que empregam a maioria dos americanos são escassos e quase nunca são considerados.

Esta é mais uma razão para não ouvirmos os “quants” de dados ou os auto-intitulados “quants” de dados que detestam qualquer coisa subjetiva.

Este é o momento para julgamentos muito subjetivos apoiados por uma LOGÍSTICA dedutiva convincente de um tipo que quase desapareceu na fúria de hoje pela “verdade baseada em evidências” – um conceito que na melhor das hipóteses é pura e simplesmente fútil.

Não Pergunte, Não Teste

 

O meu amigo Ben Hunt escreveu há duas semanas que estávamos num período de “não perguntes, não testes”. Ele tem sido extremamente crítico, e com razão, sobre a resposta lenta na obtenção de testes disponíveis. Há razões reais para acreditar que os 1 milhão de testes prometidos não existiam realmente.

Dito isto, a situação vai melhorar e quando realmente começarmos a testar em escala, suspeito que vamos encontrar muitas pessoas com o coronavírus. As minhas fontes extremamente bem informadas, que não querem ser nomeadas, consideram bastante razoável esperar que 100.000 pessoas nos EUA tenham um teste positivo num intervalo de tempo relativamente curto.

Os principais meios de comunicação social relatarão sem fôlego cada aumento e as suas localizações e o que está a acontecer o nos hospitais locais. Como é que se acha que as pessoas vão reagir quando o número de casos se aproximar dos 100.000, sem sinais de desaceleração?

Eventualmente, o número de casos começará a diminuir. O Dr. Mike Roizen acha que há 80% de probabilidades de que até ao final de abril teremos visto o número total de casos atingir o pico e começar a diminuir, e que o coronavírus é como os seus predecessores. Este coronavírus em particular é pior na medida em que é mais contagioso e que viverá fora do corpo durante um certo período de tempo. O tempo quente no passado geralmente ajudou.

Tem havido uma grande preocupação sobre o surto e o número de mortes na Itália. O sistema hospitalar italiano é, para ser amável, simplesmente inadequado para este cenário. O WSJ observou há alguns dias:

Na Itália, que tem a população mais velha do mundo depois do Japão, 58% dos pacientes COVID-19 que morreram até agora tinham mais de 80 anos, e outros 31% estavam na casa dos 70, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde. Deve-se notar também que, como muitos sistemas médicos socializados, o sistema italiano tem um problema de pessoal… Não há médicos e enfermeiros especializados suficientes para o pessoal das unidades de terapia intensiva.

Numa nota positiva, os EUA têm três vezes o número de camas per capita de UCI que a Itália, e estão muito melhor equipados. Por isso, esperemos que nos saiamos melhor, se chegarmos a esse ponto.

Esta é um texto sobre economia/investimento, e assim quando é que devemos pensar em voltar a entrar no mercado? Considere esta texto da Gavekal, que também ele me chegou esta manhã. Ele mostra as ações chinesas no fundo quando os novos casos diários de COVID-19 atingiram o auge.

Fonte : Gavekal

A Europa e os EUA parecem ter o mesmo padrão de casos que a China. O que significa que também vamos atingir o auge em algum momento do tempo.

 

O meu plano pessoal para a minha própria carteira de títulos, além dos fundos privados que possuo, é esperar até que o número de casos COVID-19 dos EUA comece a atingir o auge, pois acredito que esse será provavelmente o momento de pico do pânico, e então eu voltarei ao mercado.

Eu estarei à procura de oportunidades de dividendos e rendimentos fixos, pois afinal eu tenho 70 anos, e digo a todos os meus clientes nessa idade que eles deveriam estar a querer mais rendimentos fixos. Neste momento, não tenho o suficiente, mas acho que vai haver uma grande oportunidade de compra num futuro não muito distante.

Vai haver algumas oportunidades de toda uma vida num futuro não muito distante. Por favor, esteja preparado para aproveitar a situação.

A sério, por mais preocupante que esta pandemia seja, estou confiante que a humanidade inventará vacinas e tratamentos enquanto os hospitais desenvolvem formas de lidar com ela. No próximo ano, e por alguns anos depois disso, não me surpreenderia se todos nós recebêssemos a nossa vacina COVID-19 como as vacinas normais contra a gripe.

Um aviso muito importante

Neste momento, o mercado de títulos empresariais parece estar relativamente (e eu uso a palavra vagamente) a não agir tão mal como se poderia esperar. No entanto, a crise dos preços do petróleo provocada pela Arábia Saudita e pela Rússia pode levar algumas empresas de energia à beira da insolvência. Esses ativos serão comprados por mãos firmes, como foi na última crise do petróleo. Mas se isso desencadear um problema nos mercados de títulos de alto rendimento e nos títulos podres, esta recessão pode ficar muito pior. É algo a que temos de prestar atenção.

A Coisa Certa

Acho altamente provável que o nosso governo faça algumas coisas malucas nos próximos meses. No entanto, há algumas políticas fiscais que realmente fazem sentido. Vou dar-lhe três ideias específicas.

Primeiro, o Presidente Trump deve suspender as tarifas que impôs à China e a outros países. Elas representam milhares de milhões em impostos para os consumidores americanos. Não é o caso, como ele afirma, que é a China que os está a pagar.. Estamos a pagá-los, ao som de milhares de milhões todos os meses, a preços mais elevados por bens importados. (Sim, estamos importando menos desde que a China se fechou, mas isso não vai durar para sempre).

O fim das tarifas seria um grande estímulo directo à economia dos EUA. Melhor ainda, isso pode acontecer imediatamente. O presidente impôs as tarifas na base do seu poder pessoal e também pode acabar com elas dessa mesma forma. Ele não precisa de negociar com o Congresso, nem precisa que os democratas cooperem. Isso pode acontecer quase imediatamente. Os mercados também celebrariam.

Segundo, com os rendimentos dos títulos do Tesouro agora abaixo de 1%, e na verdade abaixo de zero tendo em conta a inflação, deveríamos começar a refinanciar tanto a dívida federal quanto os mercados aceitarão – o que no momento parece ser muito. O Departamento do Tesouro já tem ampla autoridade para emitir nova dívida e poderia reduzir drasticamente os custos de juros do governo. Essas poupanças poderiam ser aplicadas em programas mais úteis. Tal como com as tarifas, isto poderia acontecer rapidamente.

Em terceiro lugar, emitir obrigações a muito longo prazo (50 anos+?) e usar as receitas para reconstruir a nossa infraestrutura em ruínas. Nós, americanos, que viajamos internacionalmente (ou costumávamos viajar) e vemos os aeroportos, autoestradas e comboios noutros países desenvolvidos, estamos constantemente envergonhados com o que temos nos EUA. Simplesmente não há desculpa. Este é o único tipo de despesa em que a dívida do governo realmente faz sentido, e também proporcionaria muitos empregos. Disponibilizar dinheiro para reconstruir completamente os sistemas de água em colapso em muitas cidades, seria muito útil.

Será que eles vão fazer alguma coisa assim? Eu sei que somos todos cínicos sobre política, e com boas razões. Mas se não conseguirmos ultrapassar a política como de costume e nos unirmos no que ameaça ser uma verdadeira crise nacional, então temos problemas ainda mais profundos.

Sou um otimista e tenho fé no meu país. Como Winston Churchill supostamente disse, “Podemos contar com que os americanos façam a coisa certa, depois de eles terem tentado tudo o resto”. O processo pode ser feio, mas acredito que vamos chegar ao lugar certo, eventualmente. Vamos tentar saltar alguns passos.

Quando terminei este texto, Mike Roizen telefonou-me para me dizer que 60% dos pacientes que ele ia ver hoje cancelaram a consulta. Ele é um dos melhores médicos do país. As consultas com ele são difíceis de conseguir e muitas vezes são pessoas com doenças graves. No entanto, muitos estão a desistir delas. É assim que o medo está a tornar as coisas piores.

Um último ponto, no jantar da noite passada, houve um acordo total sobre a nossa frustração com a decisão do Presidente Trump de suspender as viagens aéreas a partir da Europa. Essa pode ser a decisão certa. Não estou a par das informações que eles veem. Mas fazê-lo sem avisar os nossos aliados é simplesmente imperdoável. Eles terão a mesma ideia que todos nós tivemos ontem riram tal como todos nós. Simplesmente, ninguém trata os seus aliados dessa maneira.

Para não mencionar nos nossos próprios cidadãos que estão na Europa a pensar se serão capazes de voltar. A sério? Se se tem que fechar o tráfego aéreo para a nossa própria segurança, tudo bem. Faça a difícil chamada telefónica. É isso que os presidentes devem fazer. Mas pegue no telefone, e ligue para os nossos aliados a dar-lhes a notícia.

Temos de trabalhar com a Europa. Penso que eles vão estar muito menos dispostos a trabalhar connosco no futuro, quando não podem sequer confiar em nós para lhes contarmos antecipadamente as decisões difíceis. Estou de acordo com muitas coisas que Trump tem feito. Mas esta deixa-me mistificado.

E com isso vou carregar no botão de enviar. Que tenham uma ótima semana e, como eu disse na semana passada, comece a fazer uma lista de coisas para comprar a preços de venda ao desbarato…

Para ler este artigo de John Mauldin no original clique em:

https://www.mauldineconomics.com/frontlinethoughts/coronavirus-helicopter-money

 

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