FRATERNIZAR – Creches-infantários-Lares e templos – MANTÊ-LOS OU ENCERRÁ-LOS DE VEZ? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

 

https://youtu.be/Zgki8eLOiC0

 

Com a pandemia Covid-19, veio o Estado de Emergência no país e em muitos outros países da Europa e do mundo. E tudo o que é estabelecimentos fechados com actividades para muitas pessoas teve de encerrar por tempo indeterminado, Barracão de Cultura incluído. À excepção dos hospitais, farmácias e estabelecimentos de venda de bens alimentares. E mesmo estes, com regras muito apertadas de atendimento e horários reduzidos. Até os templos e respectivos cultos estão agora fechados, tal como escolas, creches e infantários. Restam incompreensivelmente abertos os lares ditos de idosos, quando as pessoas que os enchem são as mais vulneráveis ao vírus. E só agora, tarde e a más horas, começam lentamente a fechar.

No mundo da globalização do Poder financeiro, a demencial busca do Ter atira para as bocarras do esgoto devorador do Humano a sábia busca do Ser. Quantas, quantos lhe resistem e mantêm-se fiéis à primazia do Ser sobre o Ter, são olhados como idiotas e uma espécie rara em vias de extinção. Quem não é eficaz na busca do Ter acumulado e concentrado nas mãos dos donos e administradores das multinacionais e outras grandes empresas, deixa de ter qualquer valia. Valem apenas os que integram os exércitos de trabalho por conta de outrem, segundo horários e mecanismos estritamente eficientes, para que, no final de cada ano, os lucros atinjam o patamar dos muitos milhões. Até as mães e os pais são impedidos de cuidar dos seus filhos, elas e eles, e dos seus pais e avós reformados fragilizados e acamados. Em vez de verem e acompanharem os seus filhos a crescer em idade, estatura, sabedoria e graça, nas suas próprias casas e na companhia dos filhos dos demais vizinhos, têm obrigatoriamente de os deixar, de manhã cedo até à noite, em creches-infantários e ATLs (actividades de tempos livres); enquanto os seus pais e avós reformados fragilizados ou acamados têm de deixar as casas deles e passar o resto dos seus dias em ‘lares de idosos’, quase todos propriedade de Centros Paroquiais e Sociais, IPSSs e Misericórdias.

O Lucro acumula-se de ano para ano nas mãos de minorias, peritas na sofisticada arte de roubar, matar e destruir o Ser, fonte da Vida na sua máxima diversidade, o mesmo é dizer, a alma dos nascidos de mulher e da mãe Natureza. Ao mesmo tempo que nasce e cresce, de uma forma cada vez mais assustadora e incontrolável, inclusive, para o seu criador, o Mercado das Bolsas. Tanto que os Governos e outros órgãos de soberania dos Estados das nações estão hoje descaradamente ao serviço do Poder financeiro. Mesmo quando se reclamam de Estados democráticos. Pelo que deixa de ter qualquer sentido falar em Partidos de Esquerda ou de Direita. O bolo é todo do Poder financeiro e seus Bancos. E para os povos, restam apenas as migalhas que caem das suas lautas mesas.

Quando, um dia, nos virmos livres destes tempos de quarentena nas nossas próprias casas, impostos pela Covid-19, a grande questão que se colocará é, voltam a abrir as creches-infantários-lares e templos, ou, pelo contrário, decapitamos o sopro-vírus do Poder financeiro global que o criou, e mantemo-los fechados para sempre, ou reciclados para outros fins que nos façam crescer na sábia busca do Ser e não mais na demencial busca do Ter?!

Cabe aos sobreviventes desta pandemia a resposta. E esta tem de passar obrigatoriamente por dar toda a prioridade ao Ser, não ao Ter. Em concreto, pela organização da sociedade, a partir dos recém-nascidos de mulheres-mães e de homens-pais, aos quais devem ser garantidos meios económicos para cuidarem autonomamente dos seus filhos e dos seus pais ou avós reformados fragilizados e acamados. Nas casas que os próprios construíram, ou adquiriram com o suor do seu rosto. E até os templos deixam de fazer qualquer sentido, uma vez que, Igreja-a-valer, acontece apenas quando dois ou três vivem reunidos em nome de Jesus. Sem quaisquer intermediários, clérigos, pastores ou anciãos.

P. S. Como já é habitual, JF suspende a edição para férias em casa. Contamos regressar à vossa companhia, sexta-feira 24.

 

 

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Outros títulos das restantes Pastas desta Edição:

1 Poema de cada vez

AS FRONTEIRAS AINDA EXISTEM

Aos Escritores e Amigos Manuel de Seabra e Vimala Devi

JOAQUIM MURALE

Destaque

Manuel Castells

TEMPO DE VÍRUS

Documentos + extensos

Andrea Grillo

A LITURGIA DOENTE E A VÃ TENTATIVA DE REANIMAR O MISSAL DE 1962

Entrevistas

Com Alain Supiot

‘Só O CHOQUE COM A REALIDADE PODE DESPERTAR DE UM SONO DOGMÁTICO’

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A SEGUNDA PANDEMIA

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O CORONAVÍRUS RESGATA A NOSSA VERDADEIRA HUMANIDADE

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

2 comments

  1. Maria de sa

    voltam a abrir as creches-infantários-lares e templos, ou, pelo contrário, decapitamos o sopro-vírus do Poder financeiro global que o criou, e mantemo-los fechados para sempre, ou reciclados para outros fins que nos façam crescer na sábia busca do Ser e não mais na demencial busca do Ter?! 👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍👍Maria

  2. Carlos Leça da Veiga

    Numa Democracia – que, infelizmente, não temos – ser, saber e ter têm de estar no mesmo plano, CLV

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