CRISE DO COVID 19 E A INCAPACIDADE DAS SOCIEDADES NEOLIBERAIS EM LHE DAREM RESPOSTA – XLI – NOTAS SOBRE O CONDICIONAMENTO SOCIAL, por JOHN MAULDIN

 

Notes from Lockdown, por John Mauldin

Mauldin Economics, 3 de Abril de 2020

Selecção, adaptação e tradução de Júlio Marques Mota

 

 

All in the Battle
Small Business Help
Bye-Bye, Buybacks
China Puzzle
Global Recession
Lightning Round
Final Thoughts
A Personal Memory

 

Em tempos de mudança, os aprendizes herdam a terra; enquanto as pessoas instruídas se encontram elegantemente  preparadas para lidar com um mundo que já não existe.

-Eric Hoffer

 

O novo coronavírus está a tocar-nos a todos, de uma forma ou de outra. O vírus é infecioso, mas as medidas preventivas também o são. Hoje vou continuar o formato de “cartão postal” da semana passada e, no final, dar-vos-ei uma  lista  aligeirada de coisas com que me deparei, algumas boas e outras não. Espero que algumas das coisas que vos digo vos deixem tão irritados  como a mim.

Todos nós estamos a tentar dar a volta a este evento global. Nenhum de nós sabe ainda o resultado, mas ainda podemos partilhar notas e ajudar-nos uns aos outros através dele. As vossas cartas e e-mails ajudam-me e espero que isto faça o mesmo para aqueles que me leem. .

Tudo na Batalha

O mundo começa a perceber a seriedade desta questão. Receamos, com razão, o que está para vir. Não sabemos quão mau será, mas a negação está quase a desaparecer.

Até o Presidente Trump diz agora esperar 100 000-240 000 mortes ou mais. Vai ficar pior antes de melhorar.

No entanto, não somos apenas espectadores. Em vários graus, estamos todos na batalha. À frente da carga estão médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde que voluntariamente vão para onde sabem que estão em perigo, muitas vezes sem equipamento de proteção, porque estão vidas em jogo. Eles são verdadeiramente heróis.

No outro extremo estão as pessoas que trabalham remotamente a partir de casas confortáveis. A vida é agora diferente e inconveniente. Estão nervosas, mas relativamente seguras, se seguirem as precauções normais. Os seus rendimentos estão seguros, de momento. Continuam a ajudar o “esforço de guerra” apenas por ficarem em casa e não se tornarem portadores de doenças.

Mas a maioria dos americanos está algures entre esses dois extremos. Milhões de pessoas continuam a trabalhar, em risco para si próprias, para manter a sociedade a funcionar. Vemos alguns deles: pessoas a entregar as coisas, trabalhadores das mercearias e farmácias, repórteres de televisão. Outros são invisíveis. Será que a sua casa ainda tem eletricidade? Se sim, é porque as pessoas estão a trabalhar para manter a rede intacta. Não as vemos, mas elas são extremamente importantes.

Um inquérito recente da Axios/Ipsos mostra-nos como nos reorganizámos.

Fonte: Axios

Fonte: Axios

 

Note como “Trabalhar a partir de casa” é sobretudo um fenómeno de classe alta e média-alta. É quase inexistente na parte inferior da escala. As pessoas dos outros grupos de rendimento são mais propensas a trabalhar normalmente, a ser despedidas ou a estarem com dispensa. .

 (A propósito, as barras não somam 100 porque os restantes já não estavam a trabalhar-reformados, na escola, etc.)

Mas mais alarmantes são as barras amarelas à direita. Se estiverem perto da verdade, é mais uma prova de que a taxa de desemprego está a subir para níveis semelhantes aos da Grande Depressão. E pode ficar lá algum tempo, uma vez que podemos estar a meses (se não anos) da recuperação económica.

Os economistas do banco  Nordea prevêem uma taxa de desemprego de 13% para este ano. Há outras projeções que são muito mais elevadas. Embora ainda seja um jogo de pura  adivinhação, parece claro que vamos assistir a um pico do tipo após a Segunda Guerra Mundial. É perfeitamente possível que nos aproximemos da era da depressão se as políticas de condicionamento  e de distanciamento social durarem mais tempo do que o atualmente previsto.

Ao contrário dessa altura, porém, a fraca economia não está a causar desemprego; o desemprego veio primeiro. A maioria destas pessoas perdeu os seus empregos porque a luta contra o coronavírus o exigia. São trabalhadores de restaurantes, cabeleireiros, empregados de hotel, assistentes de bordo e uma infinidade de outros cujo trabalho exige um contacto pessoal próximo. Esse contacto é agora uma ameaça, pelo que os seus empregos são vítimas da guerra, sacrificados por um bem maior.

Temos uma dívida para com eles. Os primeiros pagamentos estão a chegar em breve, mas, se estiver sentado em casa com as contas a acumularem-se, não chegarão  em breve. E dada a natureza transitória de grande parte da nossa população, o simples facto de efetuar os pagamentos vai ficar confusa.

 

Ajuda às Pequenas Empresas

Small Business Help

 

A recente lei CARES (Coronavirus Aid, Relief, and Economic Security Act) tem, entre outras coisas, disposições destinadas a ajudar as muitas pequenas empresas que o coronavírus coronavírus encerrou. Sei que muitos leitores são proprietários de empresas, pelo que gostaria de partilhar algumas informações possivelmente úteis.

O Paycheck Protection Program atribui 350 mil milhões de dólares às pequenas empresas (menos de 500 empregados) para receberem empréstimos governamentais a fundo perdido  em troca de segurarem os empregados. Note-se a parte “a fundo perdido”. Estes empréstimos irão, se cumprir as condições, converter-se em subsídios que não se tem de reembolsar. A Câmara de Comércio dos EUA tem uma ficha de informação detalhada.

Tal como acontece com a maioria destes programas, tirar o melhor partido do mesmo requer algum planeamento. O meu amigo Darrell Cain dirige uma empresa de consultoria financeira especializada em dentistas. Como podem imaginar, 80% dos dentistas já fecharam a tempo integral. Darrell está a ajudá-los a descobrir como cuidar dos seus trabalhadores e a pôr os seus consultórios a funcionar novamente quando tudo isto acabar. Acontece que existe um caminho ótimo que não é imediatamente óbvio.

Isto é complicado, por isso não vou entrar aqui em pormenores. Se o leitor  é um pequeno empresário, verifique a calculadora de empréstimos da Cain Watters para saber quanto você se qualifica para pedir emprestado do Paycheck Protection Program. Nota: esta informação aplica-se a todo o tipo de pequenas empresas, não apenas aos dentistas.

Os empréstimos PPP provêm da Administração de Pequenas Empresas, mas terá de se candidatar através de um banco. Teoricamente, todos os bancos podem fazê-lo, mas nem todos os bancos o farão. Dizem-me que muitos bancos estão tão sobrecarregados que só estão a ajudar os clientes existentes. Portanto, talvez comece por descobrir se o seu banco atual é capaz. Caso contrário, poderá precisar de um novo.

Os empresários podem ser mais bem servidos se os seus empregados tiverem acesso ao seguro de desemprego, ao qual o governo federal acrescentou 600 dólares por semana ao montante que lhe é pago, qualquer que seja  o estado onde o trabalhador reside. Ao contrair o empréstimo PPP, um relógio de 8 semanas começa a contar o  tempo em que pode ser não reembolsável. Pode ser melhor aceitar o empréstimo mais perto de quando pode abrir o seu negócio do que quando está fechado.

Também vou salientar que o Departamento do Tesouro confundiu muito a implementação deste programa e distorceu o que o Congresso pretendia. O plano original era que o valor dos empréstimos que era reembolsável   se convertessem em notas  do Tesouro de 4% a 10 anos. O Tesouro decidiu “alterar” essa parte. Se querem que os bancos processem todos estes empréstimos, então é preciso que  estes atinjam pelo menos o limite de rentabilidade. Não é claro que os juros de 1% cubram os seus custos e riscos. Inicialmente, seria menos e os ajustamentos daí resultantes atrasaram ainda mais a tão necessária ajuda a muitas pequenas empresas que estão à espera. Isto é loucura. Eles têm de fazer melhor. Isto tem de ser viável para os bancos mais pequenos que servem as pequenas empresas.

Percebo que o Tesouro queira mostrar que está a ser duro para com os bancos. Steven Mnuchin (Goldman Sachs) e muitos outros altos funcionários do Tesouro são do mundo do Big Bank. Eles não compreendem os bancos mais pequenos com as suas despesas gerais e os seus custos regulamentares. Os bancos mais pequenos não têm a escala de Wall Street. Se querem que isto tenha êxito para as pequenas empresas, têm de  fazer que o programa  funcione também  para os pequenos bancos. E 1% simplesmente não o faz. Isto é uma grande asneira. Um erro total. Corrijam-no. .

Adeus-Adeus, Recompras

A bolsa de valores teve um primeiro trimestre difícil. O segundo pode não ser muito melhor e pode até ser pior. Mas mais do que apenas alguns operadores esperam uma recuperação rápida quando o vírus estiver sob controlo. Muitos esperam que as várias injeções e programas de estímulo da Reserva Federal façam subir os preços dos ativos no final de 2020. Tenho as minhas dúvidas.

Um relatório que acabei de ver dos analistas da Canaccord Genuity, Tony Dwyer e Michael Welch, diz que o mercado pode ter outro problema. Para que os preços subam, o mercado precisa de a) compradores dispostos a isso;  b) ter dinheiro para gastar. Quem vai desempenhar esse papel?

 

Bem, desde a Grande Crise Financeira, os principais compradores de ações têm sido as próprias empresas cotadas em bolsa através dos seus programas de recompra de ações. As suas compras líquidas anulam todas as outras.

Este é um problema para os mercados em alta  porque o principal comprador abandona subitamente o local. Uma das razões é a pressão política. É um mau aspeto estar a recompensar os acionistas quando o país se encontra em dificuldades tão graves. Mas, à parte isso, muitas empresas já estão altamente alavancadas e, com a recessão a aproximar-se, precisam de conservar o seu dinheiro e o seu poder de contração de empréstimos. A recompra não é uma prioridade. Além disso, a Lei CARES restringe as recompras de empresas que recebem empréstimos federais, garantias de empréstimos ou outras ajudas.

Tudo isto significa que as recompras serão provavelmente escassas durante algum tempo e que os preços das ações poderão ter dificuldade em aumentar, a menos que surja algum outro grande comprador. Os mercados de valores mobiliários exigem pessoas dispostas a comprar. Os mercados em baixa  desenvolvem-se simplesmente na ausência de compradores.

O quebra-cabeças China

Sabemos que o coronavírus surgiu pela primeira vez em Wuhan, na China. De acordo com o Governo chinês, tiveram cerca de 82 000 casos e 3 300 mortes antes de as medidas agressivas de contenção o terem posto sob controlo.

Essa é a história oficial. Histórias e rumores, em Janeiro, enquanto o surto ainda estava a crescer, sugeriam que não era toda a história . Muitas pessoas no terreno viram várias coisas que sugerem que a contagem de mortes foi, na verdade, mais elevada. Na semana passada, Bloomberg disse que um relatório secreto dos serviços secretos dos EUA descobriu que os números chineses são realmente demasiado baixos. Numerosos outros relatórios sugeriram o mesmo durante semanas.

Isso é ainda mais grave  porque, se a China tivesse sido mais  aberta, outras nações poderiam ter estado mais bem preparadas. Se teriam estado mais bem preparadas é outra questão. Os dados disponíveis ao público em janeiro já eram suficientemente maus. Fez peritos como Scott Gottlieb preverem que os EUA teriam um problema. Muitos epidemiologistas sabiam que isso seria mau, e disseram-no. Ben Hunt começou a bater na mesa para que se agisse  quase imediatamente.

Não sei bem o que poderia ter  levado os líderes americanos e europeus a fazer mais para se prepararem. Podem não ter tido a verdade completa da China, mas já tinham o suficiente para saberem que isto estava para vir. No entanto, já  morreram milhares de pessoas e milhares de outras irão ainda morrer.

Quando tudo isto acabar, precisamos de um painel de peritos bipartidários para investigar o que correu mal no CDC, na FDA e em todos os outros locais do governo. Tivemos uma comissão do 11 de Setembro e este surto já matou mais americanos do que os que morreram nesse dia horrível. O país merece a verdade sobre os motivos que os levaram a morrer.

Mas também precisamos da verdade da China. Há notícias persistentes de que a COVID-19 veio de uma instalação de investigação perto do mercado húmido de Wuhan. Aparentemente, teve origem no “morcego ferradura” que vive a mais de 900 milhas de Wuhan. Não estaria lá naturalmente, exceto que os investigadores nos laboratórios estavam a olhar para esses morcegos a tentar compreender o coronavírus.

Sabemos isto devido a toda a investigação publicada tanto antes como depois da crise por investigadores, cientistas e epidemiologistas chineses. Há muitos deles. Em 2018, já em 2018, foram atribuídos prémios à investigação precisamente sobre este tema. Até mesmo David Ignatius, no Washington Post, diz que a história tem de ter mais a ver com isso.

O principio da simplicidade, a lâmina de barbear de Occam,  diz para se escolher a explicação mais simples. Não é preciso entrarmos numa lógica de conspiração  ou de armas de destruição em massa. Isto pode muito bem ter sido um erro de contenção que o Governo chinês não quer admitir, e pode acabar por matar milhões. Vai devastar as nações pobres do mundo. Já entrou na Amazónia, onde não se têm cuidados de saúde nem capacidade de “distância social”, ou mesmo de compreensão do seu significado

Recessão Global

A Morgan Stanley prevê agora uma queda do PIB entre 38% e 45% para o segundo trimestre, após uma pequena queda no primeiro trimestre. Mesmo com a recuperação na sua hipótese dita moderada, ainda assim projetam uma recessão de mais de 4% em relação ao ano de 2020. Reconhecem que poderia ser muito pior.

No nosso cenário de baixa, a contração do PIB no 2º Trimestre é mais acentuada e as perturbações provocadas pelo vírus persistem no 3ºTrimestre.  Nesse cenário, vemos o PIB do 2ºT contrair até 45%, seguido de um 3ºT suave, e uma recuperação da atividade no 4ºTrimestre de 2020 e em 2021. Mesmo com a recuperação, o nível de produção no final de 2021 no nosso caso de baixa  permanece 11,5% abaixo do seu pico de pré-recessão. O PIB real contrai a uma taxa média anual de 10,7% em 2020 e expande-se a uma modesta taxa de 1,2% em 2021.

É fácil encontrar projeções muito mais otimistas ou muito mais pessimistas. O Morgan Stanley parece estar perto do meio. Escreve   isto simplesmente para dizer que este não será um regresso rápido à normalidade.

Quando é que as pessoas vão querer voltar para os restaurantes? Com que rapidez vai querer fazer uma visita ao  dentista  e deixar que este ou esta lhe ponha  os dedos na boca para uma limpeza dentária? Tanta vida será mudada com o “Pós-Vírus”.

Ronda Relâmpago

– Um grande hospital local pagou uma encomenda de quase 1.000 ventiladores que foram enviados da China. Quando o barco atracou a um  porto americano, os ventiladores foram apreendidos pelo governo federal.

– No que diz respeito às boas notícias, estão a ser testadas dezenas de medicamentos atualmente disponíveis para reduzir os sintomas da COVID-19. Alguns estão a mostrar resultados notáveis. A última vez que vi, pelo menos seis vacinas estavam a ser testadas com algumas já em ensaios em humanos.

– A Clínica Cleveland desenvolveu um dispositivo simples que pode ser impresso em 3D para duplicar o uso de cada ventilador. Eles já estão a ser entregues e postos em uso.

– Os chineses entraram em grave condicionamento, em alguns casos chegando ao ponto de soldarem as  portas de apartamentos fechadas. Isto ajudou claramente. Os EUA e grande parte do mundo desenvolvido não se aproximaram de tais extremos. Isso significa que é pouco provável que saiamos tão depressa quanto eles.

– O CDC e outras autoridades vão ter de explicar porque é que não encomendaram  máscaras simples logo desde o início. Eles podem ajudar, mesmo que não sejam de grau médico. Os países que utilizaram máscaras têm uma incidência muito menor do vírus. Todos nós devemos usar máscaras simples em público. Quando chegar a casa, lave-as com água quente e detergente, o que irá matar qualquer um dos vírus. Veja este vídeo da República Checa e partilhe-o com os seus amigos. Os checos fizeram evidentemente 10 milhões de máscaras em poucos dias. Elas não têm de ser bonitas, basta cobrir a sua cara.

– O Dr. Mike Roizen, chefe do Wellness na Clínica Cleveland (ele é médico da Oprah) confirmou-me que as máscaras fariam uma enorme diferença. Como agora é difícil conseguir uma máscara, Mike apontou uma simples badana que ajuda. Nós rimos e dissemos que talvez eu pudesse cortar um dos tops do biquíni da minha mulher. Até consigo coordenar as cores com as minhas t-shirts nas minhas caminhadas lá fora.

– Dez milhões de pessoas já se candidataram ao subsídio de desemprego. Os membros da minha própria família não se aperceberam de que se qualificam de acordo com as novas regras. Quase todos os que tinham um emprego ou foram constrangidos pelo coronavírus se qualificam. Diga-lhes para se inscreverem online o mais rapidamente possível.

– Os salários de Março diminuíram 701.000, muito mais do que o esperado. O próximo número de trabalhadores não agrícolas poderá estar mais próximo dos 10 milhões. E assim por diante.

– O meu amigo Ian Bremmer tem um serviço gratuito chamado G-Zero que você deve verificar. Acho divertido e útil manter-se em contacto com o que se passa em todo o mundo.

__________

– Siga-me no twitter, @JohnFMauldin. E se queres saber como é o dia-a-dia em Pequim neste momento, segue o meu amigo Michael Pettis, @michaelxpettis.

– Acontece que um dos primeiros sintomas do coronavírus parece ser a  perda de olfacto . Michael Lewis escreve sobre um esforço usando as redes sociais para rastrear a propagação do coronavírus, simplesmente usando as redes sociais. Se todos participassem, poderíamos ver onde o vírus se está a propagar muito mais cedo do que os testes mostram.

__________

Reflexões finais

 

Embora esta pandemia seja diferente, não é a primeira pandemia ou guerra global ou recessão global, etc., a que a humanidade assistiu. E depois de cada um desses episódios, o mundo não é o mesmo que era. Há sempre um “Novo Normal”. Desta vez, não será diferente.

Muitas empresas têm agora a maioria dos empregados a trabalhar a partir de casa, e muitas continuarão a fazê-lo depois de o vírus ter terminado. Algumas já não vão querer tanto espaço de escritório dispendioso. Vamos claramente mudar as nossas cadeias de abastecimento e aproximar o fabrico de casa. Isso vai acontecer em qualquer parte do mundo. Isto não vai acabar com a globalização, mas vai certamente mudá-la.

Neste momento, parece-me que o condicionamento social só será levantado em meados de Maio, quando as estimativas atuais dizem que os picos de mortalidade começarão a estabilizar. Podem ver aqui projeções para os EUA e para cada Estado. (Para encontrar o seu estado, clique no ícone dos Estados Unidos da América no topo. Aparecerá uma caixa com sinal de descer). Note que este modelo pressupõe uma elevada conformidade com o distanciamento social em todo o lado, o que sabemos que não está a acontecer. Por isso, pode ser otimista.

É hora de fechar, mas entenda que teremos um novo normal. A Era da Transformação vai continuar tal como tem acontecido desde a Revolução Industrial. Haverá oportunidades de investimento notáveis. As famílias e os amigos vão tornar-se ainda mais importantes. A vida vai continuar.

Uma Memória Pessoal

Vi na semana passada que um dos maiores tenores do mundo, Plácido Domingo, contraiu a COVID-19 em Acapulco, no México. Fez-me vir à cabeça uma das minhas melhores recordações.

Eu tinha 17 anos e tinha sido convidado a integrar o coro da Ópera de Fort Worth. Eles queriam rostos jovens para as cenas da multidão e eu podia bater um C alto com alguma confiança e projeção. A primeira ópera que cantei foi possivelmente com a maior soprano de cadência melódica do século passado, Beverly Sills. Fiquei a três metros dela quando cantou no seu maior papel, a cena louca da Lucia di Lammermoor. Não fazia ideia de como isso era incrível.

A ópera seguinte foi La Traviata com o novo tenor líder (27) da Ópera Metropolitana, Plácido Domingo. No ensaio, ele cantou a maior parte em falseto  para conservar a sua voz. Quando chegou ao fim e à cena da morte, continuou a usar o seu falsete. Pouco depois de começar, o maestro acalmou a orquestra e depois silenciou-os. O único som era a voz de Domingo. Foi o som mais belo e assombroso que já ouvi de um ser humano, levantando literalmente o cabelo na parte de trás do pescoço e trazendo lágrimas aos meus olhos. E não apenas nos  meus. Nunca vou esquecer esse momento enquanto viver.

Espero que Plácido se recupere. Recentemente pediu desculpas por alguma conduta passada que soa a repreensível. Mas a sua voz continua poderosa e espero que o mundo não a perca. Com isso, vou carregar no botão de enviar e desejar-lhe uma boa semana. Fique em casa, fique em segurança e use uma máscara.

Fonte: JOHN MAULDIN´S WEEKLY NEWSLETTER. Notes from Lockdown Texto publicado a 3 de Abril e disponível em:

https://www.mauldineconomics.com/frontlinethoughts/notes-from-lockdown

 

By John Mauldin |

 

John Mauldin
Co-Founder, Mauldin Economics

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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