A mercantilização das Universidades e da Investigação: o caso da grande indústria farmacêutica em período de Covid-19 – 1. O alucinante Golpe Montado contra a cloroquina. Por Xavier Bazin

Espuma dos dias Mercantilização Universidade Investigação

Seleçção e tradução de Júlio Marques Mota

1. O alucinante Golpe Montado contra a cloroquina

Por Xavier Bazin

Publicado por Santé Corps Esprit em 02/06/2020 (ver aqui)

 

No meu último texto, salientei que a hidroxicloroquina é um dos medicamentos mais seguros que existem.

Disse-vos que, muito estranhamente, os meios de comunicação social e as autoridades sanitárias tentaram manifestar a sua preocupação com a “perigosidade” desta molécula.

Para o Prof. Raoult, tratava-se de um “delírio“, e mesmo “a história médica mais fantasiosa que ele já ouviu em toda a sua vida“.

Na semana passada, demos mais um passo neste delírio, com o estudo publicado na Lancet.

Este “estudo” anunciou que a hidroxicloroquina causaria mais 30% de mortes!

Disse-vos imediatamente que era um estudo para o “lixo”, “truncado”.

Por uma razão simples: estão a ser realizados neste momento ensaios clínicos aleatórios envolvendo milhares de doentes em França (Discovery), Grã-Bretanha (Recovery), Europa (Solidarity) e Canadá.

Todos estes estudos são de qualidade infinitamente superior ao artigo publicado por Lancet, porque são ensaios clínicos reais, com pacientes reais (e não um “tratamento estatístico”).

Mas nenhum destes estudos sérios observou “excesso de mortalidade” com hidroxicloroquina, caso contrário já teriam parado o ensaio há muito tempo.

Em suma, era evidente desde o início que este estudo da Lancet não tinha qualquer valor.

Mas quanto mais avançamos, mais descobrimos a extensão da “falsidade”:

– Neste estudo da Lancet, o número de mortes australianas por Covid-19 era exatamente delirante, impossível – “um erro”, os autores finalmente admitiram, que tinham classificado um hospital asiático como sendo “australiano”!

– Outra peculiaridade estatística, bastante bizarra, o estudo concluiu que existe exactamente o mesmo número de fumadores com a doença Covid-19 na Ásia, nos EUA ou na Europa, o que é totalmente imverosímil !

Pior: Os hospitais de todo o mundo interrogam-se como é que os autores do estudo conseguiram obter números sobre os seus próprios pacientes quando não os comunicaram a ninguém!

Tudo isto é tão estranho que o Prof. Raoult se perguntou publicamente se estes números não eram simplesmente inventados, pura e simplesmente!

Em suma, o Prof. Philippe Froguel, professor no Centro Hospitalar Universitário e no Imperial College London, disse em voz alta o que todos os cientistas sérios pensam:

Não sou pró-Raoult, mas o estudo publicado pelo The Lancet é uma merda[1].

 

O estudo da Lancet: um “assassinato em boa ordem” do Professor Raoult e do seu tratamento

Mas ainda há algo que parece incompreensível:

  • Por que razão uma revista de prestígio como The Lancet aceitou publicar um estudo tão obviamente “falso”?
  • Por que razão se apressou a Organização Mundial de Saúde a “suspender os testes” de hidroxicloroquina, quando se sabia desde o início que as conclusões da Lancet sobre o perigo deste medicamento eram falsas?
  • Porque é que o Ministro da Saúde Olivier Véran aproveitou a oportunidade para proibir a hidroxicloroquina nos doentes?

A razão é assustadora: tudo está a ser feito para impedir que este velho medicamento demonstre a sua eficácia.

Querem “matar a cloroquina“, disse o Prof Froguel, que não é de todo um defensor desta droga.

Este “assassinato” é bem explicado pelo Dr. McDonald, que está a dirigir  um estudo clínico no Canadá:

A publicação dos resultados da Lancet é problemática para ensaios clínicos aleatórios, duplamente-cegos e com uma melhor metodologia porque, por um lado, muitos destes ensaios são susceptíveis de serem agora parados e, por outro lado, terão agora mais dificuldade em recrutar pacientes, mesmo que estes venham a fornecer resultados muito mais fiáveis[2].

O mesmo diagnóstico foi feito pela Dra. Luanne Metz, coordenadora de outro estudo clínico chamado “HOPE COVID-19”:

O estudo Lancet tem o potencial de mudar a forma como os pacientes vêem este medicamento. Se os doentes acreditarem que é perigoso, terão medo de participar no nosso estudo e nós teremos dificuldade em recrutar novos participantes. Isto tornará bastante difícil a continuação do estudo.”

Em suma, o estudo Lancet atingiu o seu objectivo: torpedear os ensaios clínicos em curso!

Isto é tanto mais lamentável quanto alguns estudos, como o HOPE COVID-19, tinham o imenso mérito de testar a hidroxicloroquina logo no início da doença, como recomendado pelo Prof. Raoult!

Para o dizer claramente, o estudo Lancet teve êxito no seu objectivo: torpedear os ensaios clínicos em curso!

Isto é tanto mais lamentável quanto alguns estudos, como o HOPE COVID-19, tiveram o imenso mérito de testar a hidroxicloroquina logo no início da doença, como recomendado pelo Prof. Raoult!

Em Montpellier, o estudo Covidoc era o único em França a testar o protocolo de Raoult na sua totalidade: hidroxicloroquina e azitromicina, no início da doença.

Mas acabou-se, nunca saberemos os resultados!

Eis o que Jacques Reynes, chefe do departamento de doenças infecciosas do Hospital Universitário de Montpellier, acaba de declarar:

Na segunda-feira, 25 de Maio, recebi um e-mail da Agência Nacional para a Segurança dos Medicamentos (ANSM), e suspendi imediatamente os ensaios. Se deixarmos as coisas assim, não teremos uma resposta sobre o interesse do tratamento. O estudo da Lancet é um “assassinato” em toda a regra.” [3]

É simplesmente terrível, escandaloso.

Passo agora à parte mais importante deste texto.

Peço a vossa total atenção porque o que vou revelar vai muito além da questão da cloroquina e do Covid-19.

Como sabem, entre os responsáveis por este “assassinato” está a indústria farmacêutica.

Já vos falei de conflitos de interesses e da influência de laboratórios como o Gilead ou o Abbvie.

A influência da Big Pharma é enorme, perniciosa… mas não explica tudo.

Há também muitos cientistas sem interesses diretos que participaram neste “delírio” contra a hidroxiclorquina.

Então porquê? Como é isso possível?

A razão é que por detrás da actual crise existe um modelo económico totalmente pervertido.

E aqui, mais uma vez, o Professor Raoult é quem melhor o explica:

Um exemplo brilhante: Azitromicina contra o ZIKA.

Veja-se o caso do vírus Zika, contado pelo Prof. Raoult no seu recente livro Epidemias: Perigos Reais e Alarmes Falsos.

O Zika é um vírus que pode causar malformações fetais graves quando infecta mulheres grávidas.

No entanto, como explica o Prof. Raoult, pode haver uma solução simples e barata:

Sugeri a Didier Musso que testasse um antibiótico que sabemos que funciona frequentemente nos casos dos vírus RNA: a azitromicina, um medicamento comum que é frequentemente administrado a crianças e mulheres grávidas.

Este medicamento funciona perfeitamente com o vírus Zika, e outra equipa publicou a eficácia deste mesmo tratamento num modelo experimental.

Mas Didier Musso, que é o homem mais conhecido em todo o campo de Zika, explicou-me que este trabalho que tínhamos feito juntos era o mais difícil de publicar entre todos os trabalhos que ele tinha proposto até então[4].

Assim,  um investigador reconhecido internacionalmente teria encontrado uma solução eficaz e segura contra o vírus Zika… e teve as maiores dificuldades para o dar a conhecer?

Como é isso possível? Eis a razão básica dada pelo Professor Raoult:

Encontrar uma solução simples, com um medicamento já antigo para um novo problema, é algo que é dificilmente possível na nossa sociedade.

Face ao víruis Zika, a azitromicina é um medicamento extremamente promissor para as mulheres grávidas.

Mas não: algo de novo era necessário e, assim que o alerta do vírus Zika foi emitido, estavam a ser gastos milhões de dólares na procura de novos tratamentos.

E se algum investigador inteligente publicasse tudo isto, explicando que era inútil, que esses milhões não seriam utilizados directamente para isso, e que tudo o que se tinha de fazer era utilizar um medicamento genérico, isso iria estragar importantes decisões políticas e grandes financiamentos, indo, portanto, totalmente contra a maré. “

E é exactamente a mesma história com a hidroxicloroquina!!!

“Ninguém está interessado em consumir medicamentos antigos”.

Todo o sistema económico de saúde se baseia no “remdésivir” e no “kaletra”, estes novos e caros antivíricos.

Portanto, se um professor barbudo em Marselha tem a infelicidade de dizer que uma droga de há  anos pode ser eficaz, todo o nosso sistema corre o risco de entrar em colapso!

Não interessa a ninguém usar drogas antigas que são conhecidas e caíram no domínio público“, explicou o professor Raoult na BFM TV.

É uma corrida tecnológica para o topo. Com patentes que duram muito pouco tempo (20 anos), é preciso encontrar uma nova molécula para ganhar dinheiro.”

“Todo o nosso modelo científico e económico baseia-se no desenvolvimento de novas moléculas. É um assunto financeiro e cultural: a ideia é de que vamos responder de cada vez com uma molécula extremamente cara. “

Sim, todo o nosso sistema de saúde baseia-se nisso… incluindo as honras e as glórias para os investigadores!

Com a cloroquina, estamos a cortar a relva debaixo dos pés de muitas pessoas que sonhavam em ganhar o Prémio Nobel por terem encontrado um novo medicamento ou uma nova vacina“, ironisou o Professor Raoult.

Compreendem agora porque é que os nossos grandes figurões nem sequer precisam de ser financiadas directamente por Gilead para se oporem às moléculas velhas e baratas.

Trata-se de  95% da investigação mundial… portanto 95% dos cientistas são financiados, directa ou indirectamente, pela Big Pharma…

…portanto, se puséssemos fim a este sistema perverso, todo este pequeno mundo científico perderia muito dinheiro e prestígio!

E o pior é que a investigação actual se concentra no que rende dinheiro, não no que cura!

Pode parecer uma loucura, mas para ter lucro, não há nada pior do que um medicamento que cura!

Não sou eu que digo isto, mas o banco de investimento Goldman Sachs, que o explicou preto no branco num relatório intitulado “Será a cura de pacientes um modelo de negócio sustentável?[5]

A resposta dos financiadores da Goldman Sachs é arrepiante: NÃO!

Os remédios que curem imediatamente seriam extremamente benéficos para os doentes e a sociedade, mas poderiam constituir um obstáculo para aqueles que procuram um fluxo financeiro sustentável“.

E é assim que a investigação científica tem sido desviada do interesse público durante anos.

Uma vacina contra o HIV ou uma vacina contra o Covid-19? Um “desafio tolo”.

Veja-se a busca de uma vacina contra o HIV SIDA.

Durante anos, o Prof. Raoult tem sido muito crítico quanto ao interesse em procurar uma vacina contra esta doença, por uma razão simples e óbvia [6].

Ao contrário da gripe ou do sarampo, o HIV não cria uma resposta imunitária natural… o que torna particularmente improvável que os cientistas consigam fazer uma a partir do zero!

Mas as vacinas são um negócio muito suculento, porque afectam toda uma população (e não apenas os doentes), com “doses de reforço” a intervalos regulares.

É por isso que a Big Pharma se esforça por encontrar novas vacinas: há mais de 150 em preparação, quando não precisamos delas de todo!

E o que precisamos de perceber é que esta investigação é a força vital de milhares de cientistas em todo o mundo.

No caso do HIV Sida, os milhares de milhões gastos para encontrar uma vacina não foram úteis à sociedade… mas não foram perdidos para toda a gente!

E apenas há “renegados” como o Prof. Raoult, que ousam dizê-lo alto e bom som:

Esta é uma das razões pelas quais uma parte da comunidade científica ligada ao HIV me odeia, porque, se as pessoas acreditarem em mim, cortariam uma fonte que lhes permitiu gastar milhares de milhões[7].

Compreende-se agora melhor a barragem contra o Prof. Raoult?

Aos olhos do “sistema”, ele está duplamente em falta: oferece uma droga velha e barata em vez de uma molécula nova e suculenta…

…mas, além disso, não acredita em nada no valor de procurar uma vacina contra o Covid-19 – que ocupa actualmente milhares de cientistas em todo o mundo:

Já é difícil vacinar adequadamente contra a gripe, por isso contra um novo vírus… Honestamente, a hipótese de uma vacina para uma doença emergente como o coronavírus se tornar um instrumento de saúde pública é vizinha de zero.[8]

Sabem, não são só os lucros da Big Pharma que estão em jogo… mas o financiamento e o prestígio de uma grande parte da comunidade científica!

Se nos dizem agora, quando gastamos centenas e centenas de milhões para encontrar novas moléculas, que basta reciclar moléculas antigas que são genéricas e não custam nada, está a cortar todo um ramo da ciência que se desenvolveu ao longo dos últimos 20 anos e por isso tem a maior dificuldade em encontrar pessoas que olhem para isto com um olhar favorável“, disse Raoult à I24news.

Como o Prof. Raoult é um médico “clássico”, ele pensa sobretudo em medicamentos (antigos).

Mas o que ele diz aqui é ainda mais verdadeiro para as moléculas naturais que mostram grande promessa, como os óleos essenciais, a quercetina ou a planta Artemisia Annua!

Esta é a verdadeira causa da hostilidade para com os medicamentos naturais!

Vejam com atenção o que o Professor Raoult diz:

Sim, o que é possível, a hidroxicloroquina é um medicamento relativamente geral para as infecções respiratórias virais, isso significa que temos algo em mãos desde os anos 70 que não testámos.

É possível que existam outras, moléculas tão banais como esta, que nunca testámos e que não tenhamos testado moléculas que funcionassem.”

E na verdade, posso confirmá-lo!

No domínio da saúde natural, muitas moléculas hiper-utilizáveis não foram devidamente testadas, uma vez que não se enquadram no “modelo económico”.

No domínio da saúde natural, muitas moléculas hiper-utilizáveis não foram devidamente testadas porque não se enquadram no “modelo económico”.

E o mundo científico certamente não quer mudar o sistema, porque isso seria reconhecer que ele foi dramaticamente mal orientado durante pelo menos 30 anos!!!

Isso lançaria o descrédito sobre toda a investigação médica… assim como  todos os nossos grandes figurões que há anos tiram partido deste sistema!

Conclusão do Professor Raoult:

Tudo isto se choca com um modelo económico (e não apenas interesses): como desenvolver uma molécula que já não é rentável?

Não sabemos como fazer isto no nosso mundo.

Desenvolvemos novas moléculas, mas como podemos desenvolver moléculas que são antigas?

Não sabemos como o fazer bem, pelo que existe hostilidade em relação a isso.”

Mais uma vez, esta hostilidade é ainda pior em relação às moléculas naturais!

Não só os remédios naturais não se enquadram no “modelo económico”, uma vez que não são patenteáveis…

…mas para além disso, as moléculas naturais estão totalmente fora do “software do pensamento” da maioria dos médicos…

… incluindo um grande professor não conformista como Didier Raoult!

Mas não importa aqui que o Professor Raoult não seja um fervoroso defensor da medicina natural.

O que importa é que ele descreve o nosso sistema de saúde com extraordinária força e lucidez!

E o que ele observou sobre medicamentos antigos e genéricos, como a hidroxicloroquina e a azitromicina.

…nós vemos isto todos os dias com moléculas naturais que são muito eficientes mas totalmente ignoradas pelos médicos!

(…)

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Referências:

[1] www.france3.fr/hauts-de-france/hydroxychloroquine-je-ne-suis-pro-raoult-etude

[2] www.ledevoir.com/mcgill-poursuit-son-essai-clinique-sur-l-efficacite-de-l-hydroxychloroquine

[3] www.midilibre.fr/jacques-reynes-on-naura-pas-de-reponse-sur-linteret-de-lhydroxychloroquine

[4] Didier Raoult, Epidémies : vrais dangers et fausses alertes, Michel Lafon, 2020

[5] www.cnbc.com/2018/04/11/goldman-asks-is-curing-patients-a-sustainable-business-model

[6] www.lepoint.fr/invites-du-point/didier_raoult/raoult-pourquoi-il-n-y-a-pas-de-vaccin

[7] www.radioclassique.fr/radio/emissions/matinale-de-radio-classique/linvite-de-guillaume-durand

[8] www.parismatch.com/Actu/Sante/Professeur-Didier-Raoult-Je-suis-un-renegat

 

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O autor: Xavier Bazin é um jornalista científico, editor e escritor, apaixonado pela medicina natural.  Ele tem o projecto Santé Corps Esprit, para ajudar um máximo de pessoas a melhorar a sua saúde. Com formação inicial em ciências sociais adquirida em Paris, trabalhou nas mais diversas áreas até ser afectado por graves problemas de saúde. Durante anos, sofreu um prolongado estado de fragilidade: fadiga persistente, desequilíbrio hormonal e um nevoeiro mental incapacitante. No auge das suas dificuldades, Xavier Bazin foi forçado a assumir o seu trabalho a tempo parcial. Ele então mergulhou de corpo e alma na compreensão do corpo humano. Na sua procura de soluções, passou anos metodicamente a ler uma quantidade monumental de literatura e estudos científicos sobre saúde. Foi assim que ele descobriu os incríveis benefícios da medicina natural e como quis partilhar este conhecimento com o público em geral. Após contribuir para o desenvolvimento de uma grande editora em saúde natural, lançou o projecto Santé Corps Esprit, para o qual tem vindo a contribuir desde o início de 2016. (fonte: aqui)

 

 

 

 

 

 

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