

A Carta de hoje pretende ser uma reflexão sobre as ‘singularidades’ que temos à frente de alguns dos mais importantes países da Terra, especialmente os dos maiores das Américas, a do Norte e a do Sul, os ‘boçalnaros’.
É redutor usar esta expressão para também referir o de cima, mas valho-me da certeza de que ‘a crítica encontra o seu lugar de direito no modo de exercício mais amplo, como crítica social, em vez daquela crítica especializada, hoje norma nos meios de comunicação social’.
A afirmação é de Carlos Leone, crítico literário, doutorado em História e Teorias das Ideias, que a justifica ‘por se tratar de uma crítica genérica, muito diferente do que podem fazer os funcionários da crítica, os «agentes noticiosos das artes e das letras» em que os críticos se tornaram’.
E por isso me sirvo das críticas de dois agentes da cultura e da informação, o jornalista, escritor e político inglês John Carlin, com coluna fixa em alguns diários europeus e do poeta, escritor e tradutor brasileiro Wilson Alves-Bezerra.
De um artigo de John Carlin, retirei esta frase demolidora ‘A singular imbecilidade de Trump, está na discrepância entre a sua idade física e a sua idade mental’.
Ao analisar os diferendos que o têm oposto a todo o mundo e aos assessores Bolton e Pompeo, termina com uma outra mais demolidora ainda ‘Não está totalmente descartado que Trump termine seus dias em uma instituição mental, embora a verdade, para aqueles que querem fazer um esforço para entendê-lo, seja que nunca deveriam deixá-lo sair do jardim de infância’.
Mas, para que esta Carta não seja tão de ‘deitar abaixo’, por ainda referir o outro pateta do maior país da América do Sul, deixo aqui apenas os quatro últimos versos do poema ‘Esse ar’, do poeta, tradutor e professor brasileiro Wilson Alves-Bezerra, dito por ele há uns dias, no programa ‘Ronda da Noite’, da Antena 2.
‘Eu queria escrever um poema
Mas o ar é escasso, sujo, denso, raro
E o presidente disse «respirar ar demais não fica bem!»
Engraçado… antes havia tanto ar!’
Sei que nenhum acto nem nenhuma atitude se pode entender por completo, desvinculado da ideia do bem e do mal, como das artes da beleza e da fealdade, pois ética e estética estarem sempre ligadas e de maneira indissolúvel.
É esta noção que nos leva a inventar modelos ou criar figuras modelares, até por se considerar que todos os actos do ser humano têm uma carga moral, maior ou menor, por dependerem de muitas e variadas condições, mesmo de lugar.
Mas nunca serão capazes de ver que uma qualquer árvore do bosque é tão forte como a mais débil, por todas agirem como um organismo único e ‘Até sabemos que a sobrevivência dos mais aptos não é a decisão mais certa da natureza e tão pouco deveria ser para os humanos’, afirma Kate Brown, uma das investigadoras da catástrofe de Chernobyl.
Talvez por isso, o Gran Teatre del Liceu de Barcelona, reabriu há dias com um concerto para 2300 plantas e flores criados em viveiros da capital catalã.
A intenção foi convidar a uma reflexão sobre a condição humana em tempos de pandemia e sobre o papel dos espectadores como sujeitos passivos e pena foi que não tenham convidado aqueles ‘dois jarrões chineses com alma de cântaro’, para os colocarem lá no meio, isolados e separados por uma distância higiénica não ultrapassável!
Seria maneira melhor de lhes mostrarem a sua verdadeira dimensão!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor