Estamos de luto! Gisèle Halimi deixou-nos ontem. Foram 93 anos de vida, dedicados ao combate pelos direitos das mulheres!
Licenciada em advocacia e em filosofia, escritora, nasceu na Tunísia em 1927, numa altura em que as meninas não estudavam.
Defensora dos sindicalistas, advogada dos militantes da Frente de Libertação Nacional da Argélia, denunciante das torturas dos militares franceses, facto pelo qual foi presa.

Em 1971 fundou “«Choisir la cause des femmes», (ou, de forma abreviada, «Choisir» ou «La cause des femmes») com Simone de Beauvoir e Jean Rostand. Assinou, juntamente com 343 outras mulheres um Manifesto em que afirmavam terem feito um aborto, proibido em França e punido por lei , um poderoso texto escrito por Simone de Beauvoir.
“Um milhão de mulheres abortam a cada ano em França. Fazem-no em condições perigosas por causa da clandestinidade a que estão condenadas, quando esta operação, praticada sob controlo médico, é das mais simples. Silenciam-se esses milhões de mulheres. Eu declaro que sou uma delas. Declaro ter abortado. Tal como reclamamos o livre acesso aos meios contraceptivos, reclamamos também o aborto livre.”
O processo de Bobigny, em 1972, que abriu a via à legalização do aborto. A esta causa juntou a da criminalização da violação.
Foi eleita como deputada pelo Isère em 1981. Em 1985 torna-se embaixatriz de França na Unesco.
