CARTA DE BRAGA – “dirigentes e rezas” por António Oliveira

Precisamos urgentemente de ideias e um ‘pensamento’ novo para a filosofia e para a política, tanto mais que esta é ‘filha’ da primeira!

Algo que faça ‘mexer’ toda a gente, aparentemente paralisada, não só por um vírus mesmo ‘coronado’, mas pelo modo como se confronta com a realidade da vida.

E esta situação não se verifica apenas neste país, está bem patente em todo o mundo, aliás um dos ‘benefícios’ consequentes de uma globalização que gerou uma sociedade movida a petróleo e demais combustíveis fósseis, uma sociedade que esqueceu o que é o clima e esqueceu também os mais velhos, atrás de uma publicidade omnipresente, submetida e vergada ao mito da eterna juventude.

Parece que estamos todos a viver afundados ‘num programa de televisão’ onde, a espaços regulares e para manter a atenção do espectador, se lançam casos onde a corrupção leva a parte maior, mas onde se trata ainda e também da judicialização da política com interventores variados e apelativos e onde os futebóis aparecem grandiloquentes.

De qualquer maneira, qualquer que seja o peso dos interventores de um lado ou de outro, não deixamos de assistir (ouvir, ouver, ler e coscuvilhar) como tudo se vai postergando, adiando, às vezes até ‘arquivando’, depois de se terem consumido páginas e páginas e muitos milhares de horas de emissão, ouvida ou ouvista.

Assim se criam heróis ou mártires, dependendo acima de tudo, da qualidade dos ‘manhas’ de todas as manhãs e de todos os serões, para consolo e glória de uns tantos (mas muito poucos!) e para manter o ‘povão’ de cabeça baixa, pendurado nos seus telemóveis à procura de ‘amigos’ e companhia.

Programa’ feito à dimensão de cada país, onde não faltam candidatos a heróis (voluntariado para martírio também há, bastam-nos a Grécia e o Mediterrâneo), mas do lado de lá do ‘charco’ um tipo que quis criar um muro, ri e faz rir à custa das mulheres e de incapacitados, enjaula crianças para lhes negar a possibilidade de morarem no país, ameaça jornalistas e órgãos de comunicação, leva a níveis nunca alcançados as despesas em armamento e diz mentiras aos milhares, vive exactamente dos tais ‘manhas’ de todas as manhãs e de todos os serões.

Um tipo disfarçado de loiro, que parece estar a confirmar, pelas suas atitudes, dentro e fora do país, um velho aforismo do também americano Ambrose Bierce, que foi crítico, escritor e jornalista, ‘A guerra é a forma de Deus ensinar geografia aos americanos’.

E aquele mesmo tipo, o narcisista loiro e inculto, mas penteado, foi proposto mais uma vez para o Nobel da Paz 2021, por um deputado israelita, talvez afectado por estes tempos de pandemia, a demonstrar como se acentuaram gravemente os desequilíbrios existentes no planeta, até a nível das mentalidades.

E se falhar aquele, ainda há de reserva para tal efeito, um boçalnaro um pouco mais lá para baixo, especialista em deitar fogo ao país e rivalizar com o loiro nos níveis de incultura e insanidade.

Mas a reforçar a ideia que deu origem a esta Carta, valho-me do filósofo José António Marina num escrito de Maio último, ‘Estou cada vez mais convencido que necessitamos conhecer para compreender, para tomar decisões e actuar. A inteligência prática é mais complexa e importante que a meramente teórica’.

E Viriato Soromenho Marques completa esta firmação num ‘DN’ do mesmo mês ‘Ninguém sabe para onde iremos, pois num mundo sem lideranças sábias, só a cega relação de forças entre interesses e actores, acabará por ditar o resultado final’.

E não será, certamente, coisa de se guardar!

Parece estarmos totalmente dependentes da vontade dos deuses pois, a ver por estes e outros exemplares que dirigem o mundo, mais por todas as ‘cópias’ que por aí andam, julgo que pouco mais nos resta que rezar!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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