A PROPÓSITO DE ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE O TEOREMA DE RICARDO – Coronavírus: na China, as fábricas de máscaras crescem como cogumelos. Por Le Parisien

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

 

Coronavírus: na China, as fábricas de máscaras crescem como cogumelos

Por ,com AFP, 27/03/2020 (ver aqui)

 

“O primeiro pico nas encomendas foi em meados de fevereiro. Agora, com a propagação da pandemia, é a segunda vaga”, explica o gestor de vendas de uma empresa sediada em Dongguan, no sul do país.

 

Uma fábrica de máscaras em Qingdao, a este da China. AFP/STR

Com a pandemia do coronavírus a atingir todos os continentes, muitos industriais chineses iniciaram a lucrativa produção de máscaras para satisfazer uma procura exponencial.

No auge da crise na China, no início de Fevereiro, Guan Xunze construiu uma fábrica em… 11 dias para produzir máscaras N95, que podem proteger o utente da contaminação. Com a epidemia contida em solo chinês e a explosão de casos no estrangeiro, o patrão de 34 anos está agora a visar novos mercados, como a Itália, o país mais enlutado do mundo pelo novo coronavírus.

Industriais como ele são como uma legião: durante os dois primeiros meses de 2020, a China registou… 8950 novos produtores de máscaras no seu território, segundo o site de informação de empresas Tianyancha. Após o encerramento no final de Janeiro da província central de Hubei, o epicentro da epidemia, o número de novos casos diminuiu gradualmente no país. Mas o Covid-19 já infetou mais de 400.000 pessoas em todo o mundo.

“É como fabricar dinheiro”

Uma pandemia global que levou a um aumento da procura de equipamento de proteção. “Uma máquina de fazer máscaras tornou-se uma máquina de fabricar dinheiro”, diz metaforicamente Shi Xinghui, gestor de vendas de uma empresa com sede em Dongguan, no sul do país.

A sua margem de lucro tem sido fortemente multiplicada, subindo de menos de um cêntimo por unidade anteriormente para vários cêntimos agora. “Produzimos 60.000 a 70.000 máscaras por dia. É como estar a fabricar dinheiro”, diz ele.

Qi Guangtu investiu mais de 50 milhões de yuan (6,5 milhões de euros) na sua fábrica, também em Dongguan. Funciona 24 horas por dia. “O retorno do investimento não é um problema”, diz Qi Guangtu, que recebeu 200 encomendas no valor de 100 milhões de yuan (13 milhões de euros). “As máquinas pagam-se a si próprias em 15 dias”, diz ele.

Há clientes que dormem na fábrica

O senhor Lixin, por outro lado, nunca tinha posto os pés numa fábrica de máscaras. Mas, sentindo o filão, decidiu entrar no negócio. Dez dias depois, ele vendeu as suas primeiras máquinas-ferramentas. “Dormi apenas duas ou três horas por dia”, a fim de arrancar com a empresa explica.

Até havia clientes impacientes que passavam a noite na sua fábrica, diz ele, para terem a certeza de que eu conseguia entregar-lhes rapidamente as máquinas que tinham encomendado. Como chefes de fábricas de têxteis, tinham-se transformado subitamente em produtores de máscaras. “Receberam encomendas que não puderam satisfazer no início por falta de capacidade de produção”, explica You Lixin.

A atual escassez mundial de máscaras também fez disparar os preços das matérias-primas. Segundo Guan Xunze, o preço dos tecidos para a produção de máscaras aumentou de 10.000 para 480.000 yuan por tonelada (de 1.300 para 62.000 euros).

Produtor de máscaras, Liao Biao teve de lutar para conseguir a entrega de peças sobresselentes para a sua máquina-ferramenta, devido a bloqueios na estrada no auge da epidemia. Uma vez montada a máquina, teve de a submeter à peritagem a um custo 10 vezes superior ao normal. Mas, apesar do aumento dos custos, o sector continua a ser largamente rentável.

Principalmente para exportação

De acordo com dados oficiais, a China produz diariamente 116 milhões de máscaras. Muitas delas estão destinados à exportação. Guan Xunze diz ter enviado um milhão de unidades para Itália. Shi Xinghui afirma ter recebido mais de 200 encomendas da Coreia do Sul e da Europa. “O primeiro pico nas encomendas foi em meados de fevereiro. Agora, com a propagação da pandemia, esta é a segunda vaga”, diz Shi Xinghui.

Liao Biao pretende também exportar para a Europa e o Canadá. “A procura de máscaras foi reduzida na China. Agora temos excedentes para apoiar outros países”, diz ele. “Estamos prontos a ajudar.

Mas não estará a indústria a produzir em excesso após o surto? Guan Xunze não acredita que assim seja. “A maioria das pessoas vai ficar com o hábito de usar uma máscara”, quer ele acreditar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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