2021- CENTENÁRIO ERNESTO DE SOUSA – II

ERNESTO DE SOUSA – BIOGRAFIA (1921-1988)

Nasceu em 18 de Abril de 1921, em Lisboa. Seguiu o curso de físico-químicas na Faculdade de Ciências de Lisboa e dedicou-se, desde muito jovem, ao estudo da arte e da fotografia. Espírito aberto, polémico, pioneiro em muitas das coisas a que se dedicou, exerceu uma vasta ação no campo artístico: artes visuais, cinema, teatro, jornalismo, rádio, crítica e ensaísmo. Fez estudos de etnologia e estética, foi artista, comissário de exposições, professor. Escreveu vários livros e textos dispersos em jornais e revistas, interessando-se particularmente pelo “mixed-mediae” pela arte vídeo experimental.

Entre 1949 e 1952 viveu em Paris onde frequentou cursos de cinema da Cinemateca, da Sorbonne e do Institut de Hautes Études Cinematographiques, aulas de arte na École du Louvre e fez o Cours d’Initiation aux Arts Plastiques de Jean d’Yvoire, com quem manteve relações de amizade. Foi membro do Cine-Clube do Quartier Latin, onde travou conhecimento com René Bazin e François Truffaut.

De 1958 a 1962, realizou o filme Dom Roberto, uma viragem no cinema português, ponto de partida para o chamado “cinema novo”. Apresentado no Festival de Cannes 1963, foi galardoado com os prémios Prémios da Jovem Crítica (”La Jeune Critique)” e de “L’ Association du Cinéma pour la Jeunesse”. Em 1969 participou no 1º Festival 11 Giorni di Arte Collectiva a Pejo (Itália), onde conheceu Bruno Munari, Sarenco, Verdi, entre outros, e a partir daquela data passou a autodenominar-se “operador estético”.

Ao longo da sua vida Almada Negreiros foi para Ernesto de Sousa uma referência permanente. A sua obra e personalidade foram ponto de partida para artigos, livros, e o “mixed-media Almada”, “Um Nome de Guerra”. Em meados dos anos 60 entrou em contacto com o movimento Fluxus: entrevistou Ben Vaultier e foi amigo de Robert Filliou, e de Wolf Vostell.

A partir de 1976, foi visita frequente do Museu Vostell, em Malpartida de Cáceres (MVM). Esta relação com Vostell permitiu o alargamento do seu projeto MVM à participação de muitos artistas portugueses. Dos anos 60 a 80, divulgou a arte vídeo, o “happening”, a performance em cursos, artigos e conferências que contribuíram para abrir caminhos à arte portuguesa, entre as quais, Arte portuguesa actual, na École Supérieure d’Arts Visuels, em Genebra, a convite de Chérif Défraoui. Organizou, em 1977, a exposição Alternativa Zero, que integrou os mais importantes artistas portugueses e ainda o Living Theatre. Participou ativamente nas correntes de mail art. Foi sócio fundador da Galeria Diferença (1978), membro da AICA e do IKG (Internationales KünstlerGremium). As casas da Rinchoa (1967-1971) e de Janas (1971-) tornaram-se, muito de acordo com o espírito dos anos 60, locais de encontro de efervescência criativa e interdisciplinar. Por ali passaram portugueses e estrangeiros, nas mais diversas situações.

Em 1987 a SEC, por iniciativa de Teresa Gouveia, ex-Secretária de Estado da Cultura, organizou a exposição retrospetiva Itinerários. Em 1998, foi lançado o livro Ser Moderno em Portugal pela editora Assírio; Alvim, e no mesmo ano a Fundação Calouste Gulbenkian apresentou a exposição “Revolution My Body”, comissariada por Helena de Freitas e Miguel Wandschneider. A exposição «Alternativa Zero» foi reposta em Serralves e em Palermo(Itália), por iniciativa da Fundação de Serralves. Em 2008 Mariana Pinto dos Santos, publicou «Percurso teórico de Ernesto de Sousa – Vanguarda& Outras Loas». Nesse ano foi constituído o Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa–- CEMES. O “mixed-media” «Luiz Vaz 73» foi recriado no CAM-FCGulbenkian, em Lisboa, em 2009. Em 2011 a ed. Tinta da China editou «Cartas do Meu Magrebe», e no ano seguinte foi lançado no Brasil o livro «Oralidade, futuro da arte?». «Almada, um Nome de Guerra» foi apresentado pela Fundação de Serralves em 2012.

(Retirado de PROJECTO MAP – MAPA DE ARTISTAS DE PORTUGAL, projeto de curadoria non-profit, de pesquisa e mapeamento do universo da arte contemporânea em Portugal, iniciado em 2009, pelo “Colectivo de Curadores”, e lançado publicamente em 2011).

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