FRATERNIZAR – Prossegue a corrida às vacinas anti-covid 19 – NEM NA PANDEMIA NOS ABRIMOS AOS AFECTOS? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Ao contrário da maioria das pessoas que vive aterrorizada com o coronavírus e faz o que pode e o que não pode para ser vacinada, eu faço questão de continuar a integrar o grupo dos que recusam ser cobaia das grandes multinacionais farmacêuticas. Para tanto, tive de enfrentar e resistir ao meu médico de família e à minha enfermeira do Centro de Saúde onde estou inscrito, os quais, mais do que surpreendidos, ficaram quase estarrecidos com a minha determinação. Porém, após o inevitável confronto com um e com outra, separadamente, acabaram ambos quase a concordar comigo. O confronto deu para perceber que ambos vivem sob fortíssima pressão das grandes multinacionais farmacêuticas e dos gestores dos órgãos de soberania deste país que, desde a fundação, há quase 900 anos, continua a viver de cócoras perante o poder dos poderes, o papa de Roma, com cujo Estado, de resto, mantém uma Concordata.

Como nascidas, nascidos de mulher, deveríamos ser capazes de transformar este nosso tempo de pandemia global numa espécie de kairós ou tempo favorável, para nos autocompreendermos e assumirmos na História como os mais fragilizados dos seres vivos, dotados de consciência. E, em consequência, olharmo-nos nos olhos uns dos outros até nos descobrirmos irmãs, irmãos a amar e a cuidar, não estranhos a evitar, menos ainda inimigos a atacar. Tempo de pandemia global, tempo favorável a fazermos despertar no mais fundo de cada uma, cada um de nós, os afectos. Porque só os afectos sororais-fraternos nos podem defender do coronavírus e de todos os outros vírus, a começar pelo pai de todos eles, o vírus religião que nos religa na vertical, quando só na horizontalidade somos seres humanos saudáveis e fazemos saudável o nosso planeta Terra.

É sabido – está aí bem à vista de toda a gente – que os gestores dos órgãos de soberania de cada país não estão sozinhos neste seu agir contra os respectivos povos. Têm com eles os grandes media e todos os clérigos e pastores das igrejas cristãs e de outras religiões. De modo que as grandes multinacionais farmacêuticas sabem, logo à partida, que podem pôr e dispor das populações como suas cobaias. Só assim se explica que sejamos bombardeados dia e noite com a mentira de que só a vacina nos pode salvar da pandemia. E corremos por ela, como baratas tontas, sem darmos conta de que, assim, acabamos cada vez mais sós e desamparados.

Fossem os Centros de Saúde e os hospitais verdadeiros Serviços de Saúde e cuidariam das populações, ao modo da parteira, por isso, sempre a partir delas próprias e com elas próprias ao comando das suas vidas. Seriam serviços focados no desenvolvimento dos afectos, na qualidade dos alimentos a ingerir e no fomento de actividades de índole cultural, como o canto, a dança, a pintura, a promoção de tertúlias, a leitura partilhada de Livros, a prática de desportos, ioga e outros exercícios físicos, entre os quais as caminhadas diárias, de preferência por zonas arborizadas e florestais.

Estamos longe, muito longe, de sermos países de povos religados uns aos outros pelos afectos, como deveríamos ser. O Poder religioso, pai de todos os poderes, jamais nos permite sermos assim. Ainda está para chegar o dia em que deixemos de confundir os Povos das nações com os Estados das nações. Só esta confusão mantém os povos reféns de minorias privilegiadas, à cabeça das quais estão os clérigos e os pastores das igrejas cristãs e outras religiões. No seu conjunto, estas minorias constituem o estranho que encontramos logo ao nascer e somos depois educados-formatados a reconhecer como nossos legítimos superiores. Ou não fossem destas minorias as escolas e as universidades, os grandes media e os templos ou mesquitas, às quais, insensatamente, confiamos as filhas, os filhos, na esperança de que venham um dia a integrá-las também. Sem percebermos que, desse modo, deixam de ser filhas, filhos nossos, para serem filhas, filhos do Poder.

Por mim – nunca é demais sublinhá-lo – procuro navegar por outras águas, nos antípodas das do Poder. Não prescindo dos afectos nem das práticas alternativas às do Poder Em cada uma, cada um dos outros, vejo outras, outros como eu. Frágeis como eu. Faço-me próximo e cuidado de todas, todos. Surdo aos discursos dos clérigos e pastores das igrejas cristãs e outras religiões, aos grandes media, aos gestores dos órgãos de soberania do país e do mundo. Sei que é dentro de mim, como dentro de cada uma, cada um dos demais que está a solução para os problemas. Nunca fora. E que só os afectos vividos na horizontalidade nos garantem saúde e qualidade de vida. É por esta via que vou. A via que aprendi, desde menino, com Ti Maria do Grilo, jornaleira, minha mãe!

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