Em torno da edição de Mil Folhas pela Biblioteca da FEUC e da importância das Bibliotecas como símbolos contra a corrente da digitalização do Ensino Superior – 2. Comentários sobre o lançamento do nº3 do Mil Folhas: textos do Diretor e do Subdiretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e de Júlio Marques Mota

 

2. Comentários sobre o lançamento do nº3 do Mil Folhas: textos do Diretor e do Subdiretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e de Júlio Marques Mota

 

2.1. De Diretor da FEUC

Quarta, 14/07, 11:20

Para Carlos Fortuna, Delfim, Manuel Pizarro, Pedro Mexia, Júlio Mota, Paulo Gama, Maria Raquel Freire, Elíseo Estanque, Luís Dias, Tiago Sequeira, Daniel Taborda

Caro Colega Carlos Fortuna e Colegas redatores do MF,

Agradeço ao Professor Carlos Fortuna e aos Colegas que compõem o Conselho de Biblioteca da FEUC a produção muito generosa deste número do Mil Folhas. É um número muito suculento e cheio de boas pistas de leitura e reflexão.

Como diz o Carlos, trata-se de uma pequena publicação, mas eu diria que se trata também de uma bela e ousada ideia, não muito comum em bibliotecas universitárias.

Agradeço o vosso empenho e a participação muito gentil de todos e espero encontrar-vos na sessão de apresentação no dia 21 de julho.

Um abraço,

Álvaro Garrido

Diretor | Dean

 


2.2. De Gabinete do Diretor

Segunda, 19/07/2021, 16:46

Para feuc.docentes, feuc.alunos

Caros/as colegas,

Caros/as estudantes,

Tenho gosto em chamar a vossa atenção para a sessão de lançamento do número 3 do MIL FOLHAS, publicação quadrimestral do Conselho da Biblioteca da nossa Faculdade, coordenada pelo Professor Carlos Fortuna, e que tem lugar já esta quarta-feira, dia 21 de julho, às 17:30 horas, em formato virtual.

Este número conta com várias colaborações de autores de reconhecido mérito no plano cultural e científico, entre as quais se contam os textos de Delfim Leão, Pedro Mexia e Alberto Manguel. Júlio Mota escreve um texto breve sobre um dos fundos bibliográficos mais valiosos à guarda da Biblioteca. Usarão da palavra estes autores e a sessão será encerrada pelo Diretor da FEUC.

O MIL FOLHAS promove uma reflexão aberta sobre o lugar das bibliotecas, dos livros e da leitura.

Aqui vos deixo, pois, o convite para assistirem à sessão no link: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/86258881805?pwd=KzY5RGYyU1FUeEt4UlBvNU5MdUNqZz09

Encontram igualmente informação nos “destaques” da nossa página.

 

Saudações cordiais,

Hermes Costa

Subdiretor da FEUC | Vice-dean

 


2.3. Comentário sobre Mil Folhas

De Júlio Marques Mota

Em 15 de Julho de 2021

 

Caríssimo Carlos Fortuna, Caríssima Ana Serrano

Saúdo-vos e felicito-vos por mais uma edição de Mil Folhas assim como a todos aqueles que neste projeto trabalharam.

Agradeço o convite que me foi feito para participar na sessão via zoom ou presencial, mas duas razões de fundo levam-me a dizer que não participarei na sessão de apresentação quer virtual quer presencialmente:

  1. Desde sempre fui contra a situação de digitalização do que entendo por funções da Universidade. Consequentemente, estou do outro lado, do lado dos que são contra a digitalização não dispondo pois nem do material necessário para uma participação via zoom nem de disposição para tal.
  2. As situações de pandemia impõem-me todas as cautelas no que diz respeito à sociabilidade inerente à nossa condição de ser humano. É transitório, mas é…assim. O resguardo, impõe-se.

Deixem-me apresentar um comentário à edição do Mil Folhas, o mesmo é dizer ao vosso trabalho, não apenas deste número mas de todos eles.

Num momento em que se caminha a passos largos para uma Universidade sem leituras, sem história, sem memória e um dia destes também sem aulas teóricas e com muito menos professores, com esses poucos digitalmente transformados em extensões do mundo binário dos zero e um, transformados em extensões dos HAL 9000 de quarta ou quinta geração, transformados em robôs humanos sob contratos de trabalho de forte precariedade, num momento em que se quer que para o estudante e para os outros tudo esteja ao alcance do telemóvel, como nos dizem ministro, reitores e alguns diretores de Faculdades, temos de reconhecer e agradecer o vosso papel de “dinossauros”, na tentativa persistente de divulgação da importância do livro e da recriação do ambiente convidativo à sua utilização.

O que este tipo do vosso trabalho representa, e isso deve publicamente ser reconhecido, é a existência sentida de uma contracorrente contra a dinâmica de gentes que querem Universidades sem Bibliotecas vivas, sem livros, sem a criação/recriação de memórias e da imaginação que às Bibliotecas e aos livros estão associadas e que dispensam a presença nelas daqueles que como consumidores “devoram livros”, endogeneizando os seus conteúdos. Tudo ao alcance de uma mão é o que agora se pretende.

Entendo também este vosso esforço como exemplo, mais um e muito importante, do que deve ser feito para que o livro, e consequentemente os museus dos saberes e da imaginação que a estes é inerente, as bibliotecas, adquiram um papel central na formação do estudante que o torne capaz de recriar saberes e, porque não, de criar também novos saberes e, a partir daí, que o torne também capaz de entender o que é informação, porque ao contrário do que pensam os nossos reitores e o nosso ministro, sem formação não é possível captar o sentido da informação. Em suma, sem a formação adequada não há telemóveis que nos permitam receber a informação disponível, suposta ao alcance de uma mão, a não ser que esta apenas esteja recheada de lugares-comuns.

Dito à maneira de Alberto Manguel, poderíamos nós dizer quanto aos caminhos que infelizmente as autoridades académicas querem hoje seguir:

“ quase tudo que nos rodeia nos encoraja a não pensar, a contentarmo-nos com lugares-comuns, com uma linguagem dogmática que divide claramente o mundo em branco e negro, bom e mau, eles e nós” .

Neste contexto a missão da Universidade, com as suas aulas, com as suas salas de biblioteca cheias de gente, com os seus debates, com as suas exigências científicas, representam a possibilidade de:

“Passar de um vocabulário constrangido para um mais vasto, mais rico e sobretudo mais ambíguo, é assustador, pois esse outro reino das palavras não tem fronteiras, sendo perfeitamente equivalente ao pensamento, à emoção, à intuição. Este vocabulário infinito abre-se a nós se lhe dedicarmos tempo e fizermos o esforço de o explorar, e durante séculos criou palavras a partir da experiência com o objetivo de refletir em nós essa mesma experiência, permitindo-nos assim compreender o mundo e a nós próprios. Imaginar é dissolver barreiras, ignorar fronteiras, subverter a visão do mundo que nos é imposta”.

Neste longo caminho do conhecimento, as Bibliotecas e os seus livros e revistas desempenham um papel fulcral. Assumir e defender a importância do livro e das Bibliotecas contra ventos e marés como é feito pelos responsáveis da Biblioteca da FEUC é hoje não só uma necessidade mas é também uma urgência, e é uma missão que objetivamente merece ser enaltecida.

Cumprimentos

Júlio Mota

 

 

 

 

 

 

 

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