ASSIM VAI A AMÉRICA DE BIDEN CONTRA BIDEN – A LIDAR COM SINEMA, por HAROLD MEYERSON

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Dealing With Sinema, por Harold Meyerson

The American Prospect, 21 de Outubro de 2021

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

A esquisita senadora do Arizona obrigou os Democratas a não aumentar os impostos para os ricos – por isso propõe tributar os ganhos não ganhos das pessoas ricas .

Harold Meyerson

 

Joe Manchin não quer gastar; Kyrsten Sinema não quer tributar – isto é, em ambos os casos, em nada que possa aliviar as penúrias da maioria dos americanos e que torne a economia um pouco mais igualitária e vibrante. Para lidar com Manchin, os democratas têm de reduzir os programas mais humanos e virados para o futuro que alguma vez foram propostos. Para lidar com a senadora Sinema, que se opõe ao aumento dos impostos sobre as empresas e os ricos (apesar do apoio esmagador que tais impostos recebem em sondagem após sondagem), os democratas estão a lutar para encontrar outra forma de financiar os seus programas que ainda tenha em conta os vastos potes de dinheiro que os bilionários acumulam passivamente e com os quais os diretores executivos das empresas se recompensam a si-mesmos.

Comecemos pelos bilionários, cujas fortunas aumentaram durante a pandemia, não porque tenham estado a desenvolver novos produtos, mas sim porque as suas carteiras de ações aumentaram. Os bilionários americanos são agora mais ricos na ordem  de um milhão de milhões  de dólares  do que eram antes da COVID-19, simplesmente porque as ações que já possuem subiram de valor (tal como aconteceu com a grande maioria das ações). Isto fez subir a riqueza de Jeff Bezos e Elon Musk, e encheu  tanto os seus cofres que cada um deles embarcou nos seus próprios programas espaciais de vaidade, com um benefício para a humanidade que ainda é totalmente indetetável.

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No entanto, estes ganhos passivos em riqueza não são tributados; como a corrida espacial Bezos-Musk deixa claro, os nossos bilionários não sabem o que fazer com tanto dinheiro que têm – pelo menos de uma maneira produtiva. Consequentemente, os Democratas propõem-se agora tratar tais ganhos como rendimentos, sujeitos a tributação. Ironicamente, esta seria uma versão reduzida da proposta de Elizabeth Warren de tributar tais ganhos, embora Warren estivesse disposta a sujeitar simplesmente  os  centimilionários (aqueles com riqueza superior a 100.000.000 dólares) a tais impostos, também.

A outra alternativa de trabalho democrata (isto é, em torno do Sinema) é tributar as empresas que compram as suas próprias ações – um movimento que reduz o número de ações em circulação, o que aumenta o valor das ações restantes, recompensando assim os acionistas e os principais executivos das empresas que são rotineiramente premiados com ações quando o valor das ações sobe. Não por acaso, são os executivos de topo das empresas que tomam a decisão de recomprar ações, enriquecendo-se assim consideravelmente a si próprios. Bom trabalho, para quem o consegue.

Ninguém a não ser aqueles altos executivos de empresas estava realmente atento à recompra de ações até meados da última década, quando o economista da Universidade de Massachusetts William Lazonick escreveu um artigo para a Harvard Business Review documentando o surpreendente e deprimente facto de que as empresas que tinham pertencido à Fortune 500 durante a década anterior tinham gasto tanto em recompra de ações e  em dividendos que o total era igual ou mesmo superior aos seus lucros. Em vez de dedicarem as suas receitas à investigação e desenvolvimento ou novas linhas de produtos ou melhores salários e benefícios, as empresas americanas estavam a recompensar os seus acionistas e executivos.

Como as recompras de ações não recompensam executivos e investidores por coisas como inovação, eles são, tal como o aumento do valor patrimonial das ações dos bilionários, a fonte de rendimento mais passiva, e, mais uma vez, dirigidas esmagadoramente para os já ricos. Assim, o  senador democrata exemplar, Sherrod Brown, de Ohio, propôs a tributação de empresas no que se refere às   suas recompras, que só se tornaram mais generalizadas e perniciosas desde o estudo original de Lazonick.

Só se pode esperar que estas duas propostas progressistas e criativas passem com Sinema, que cada vez mais dá sinais de ser ou uma narcisista sociopata ou uma sociopata narcisista. Qual das duas hipóteses,  caro leitor, pensa que ela é?


Pode ler este texto no original clicando em:

Dealing With Sinema – The American Prospect

 

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