FRATERNIZAR – ELEIÇÕES: QUEM REPRESENTA QUEM E A QUE PREÇO? – por MÁRIO DE OLIVEIRA

 

Condenam-nos a sermos populações sem vez nem voz, mas com voto. Só que o voto de populações sem vez nem voz acaba sempre por se virar contra elas, umas vezes mais, outras vezes menos, mas sempre contra elas. A prova provada acaba de ser feita com os debates televisivos que precederam a campanha eleitoral que culminará nas eleições legislativas antecipadas, dia 30 deste mês. Debates de 30 minutos entre os líderes dos Partidos que vão a eleições, dois líderes de cada vez, nos canais de notícias e nas rádios, logo seguidos de comentadores contratados. O cúmulo do roubo da vez e da voz das populações, reduzidas assim a meros votantes.

Tudo acontece como se as populações não existissem. E mais. Como se os Partidos fossem apenas os respectivos líderes, também eles condenados a ter de andar a correr de um debate para outro. Sem tempo para se prepararem para os duelos de palavras, todas elas sopradas pelo veneno da retórica e da habilidade, não pela fecundidade da Verdade-realidade que nos faz livres. Pior ainda, sem tempo para os afectos compartilhados.

Nunca a perversão política foi tão longe como desta vez. E tudo a pretexto da Covid-19 e respectiva pandemia. Pelos vistos, só, agora, para este deprimente espectáculo político, a Covid-19 e a respectiva pandemia foram tidas e achadas. Não assim, na hora de os partidos com assento parlamentar votarem o OE 2022. Chumbaram-no, e logo na generalidade. E bem sabiam todos que, chumbado na generalidade, o Parlamento seria dissolvido dias depois e o País teria de avançar para eleições antecipadas. E isto, em plena pandemia causada pela Covid-19. Só de loucos políticos com fome de Poder.

Justifica-se, por isso, mais do que nunca, a pergunta em título, Quem representa quem e a que preço? As populações sem vez nem voz, apenas com voto dado a pessoas escolhidas pelos Partidos políticos, não por elas, já que, delas, aqueles apenas querem o seu voto, sem elas jamais chegarem a estar representadas neste tipo de democracia política partidária. Só mesmo as minorias privilegiadas e, mesmo estas, espalhadas por diversos Partidos, quantos mais melhor. Uma arma mais do Poder que, deste modo, nunca chega a ser olhado e tratado como estranho que divide para reinar, de modo a melhor nos poder roubar, matar e destruir. De um só golpe ou lentamente.

Cabe às populações roubadas da vez e da voz pelo Poder e sua Lei decidir em consciência o que fazer no dia 30, o das eleições antecipadas por decisão unilateral dos Partidos políticos que agora lhes pedem o voto. Ou não votam, ou votam em branco, ou votam nulo, ou votam num dos Partidos, cujos líderes conhecem, pelo menos, de rosto. Sem nunca esquecerem porém o provérbio que diz, ‘Quem vê caras, não vê corações’. Nem de um outro, quando o Poder era um exclusivo dos clérigos, ‘Bem prega Frei Tomás, diz mas não faz’. Por mim, decido, em consciência, não votar.

 

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