A GUERRA NA UCRÂNIA – A TOMADA DE POSIÇÃO DE JÚLIO MARQUES MOTA

A guerra aí está com a sua atual carga enorme de horrores  e, muito provavelmente, com uma muito maior carga de horrores no futuro que aí vem.  A  falta de classe dos políticos de hoje, do lado de cá e do lado de lá,  é isso  o que nos leva a concluir ,

Para lá de ser fortemente contra a guerra, contra a qual  todos nós  nos devemos levantar e  que nem uma só pessoa fique sentada, reafirmo que sou fortemente crítico de Putin e do regime autocrático pelo qual a Rússia se rege.. Aqui relembro a analista Carmo Afonso que no jornal Público de 28 de fevereiro escrevia:

“esta guerra não  pode ser vista  como o domicílio de quem se opõe à extensão da NATO  ou ao  imperialismo americano. Outro, pior, pode avizinhar-se. Acima de tudo, não serão certamente os oligarcas russos e quem os representa que terão esse papel na história. (…) Não serão estes os protagonistas  de uma causa que  era nobre.”

Porém, e ressalvando que a causa referida por Carmo Afonso continua a ser nobre, não deixo de assinalar uma outra bandeira,  a de que sou igualmente critico  face a todos  aqueles  que do lado de cá  durante décadas estiveram a preparar  a enorme  fogueira que Putin agora acendeu e onde nos podemos todos queimar, tanto mais que de todos os lados a  fogueira está a ser ateada!

E relembro  aqui a frase de um politico da direita francesa quando caiu o muro de Berlim e esta frase foi:  cuidado, o muro não caiu só para o lado de lá. A frase é de Charles Pasqua que foi ministro RPR   dos governos de  Jacques Chirac e de Édouard Balladur. Era dito por alguém de direita, ninguém ligou. Depois, com a NATO  em ação,  houve os bombardeamentos  do Leste de Europa, no tempo de Clinton e de Madeleine Albright. E ninguém ligou.  Depois deram-se as privatizações  selvagens. Nem as creches  para os primeiros anos  de  infância escaparam. Ninguém ligou. Depois da terra queimada pela NATO   deu-se a sua forte expansão a Leste. Houve  vários avisos contra o perigo do que se estava a criar. Mais uma vez, ninguém ligou. Foram erros sistematicamente repetidos e de que o Ocidente  sempre se absolveu, até mesmo agora. Mesmo agora o diabo é apenas Putin, mais ninguém. No mínimo, é estranho, se politicamente queremos ser moralmente bem superiores aqueles que agora provocam diretamente a guerra e contra a qual nos explicitamente nos manifestamos. Lamentavelmente só  de forma forçada é que  agora é que se liga a estes erros  mas pelas más razões  apenas, não pela tomada de consciência deles.

Não será este o preço elevadíssimo que se está a pagar por todos esses erros cometidos repetidamente durante décadas “a caminho do fim da História” de que nos falam os Francis Fukuyama europeus e americanos e a confirmar que o muro também está a cair para o lado de cá? Esta é pergunta que aqui deixo.

Como reflexão sobre este tema aqui vos deixo a minha resposta a uma pessoa minha conhecida e de quem politicamente estive muito perto durante décadas, mas não agora, que se manifestou contra dois textos que publiquei, um do economista Thomas Palley e o outro de William Astore, um tenente-coronel  da Força Aérea Americana. A este meu texto acrescento dois comentários sobre a crise    da Ucrânia escritos por Joaquim Ventura Leite e por António Gomes Marques.

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