A Guerra na Ucrânia – “O Pentágono confirma o que os russos dizem e é importante”.  Por Joe Lauria

Seleção e tradução de Francisco Tavares 

10 m de leitura

 

O Pentágono confirma o que os russos dizem e é importante

 

 Por Joe Lauria

Publicado por  em 27 de Março de 2022 (ver original aqui)

 

 

O Pentágono está envolvido numa acesa batalha com o Departamento de Estado e o Congresso dos EUA para evitar um confronto militar directo com a Rússia, o que poderia desencadear o horror mais inimaginável da guerra.

O Presidente Joe Biden foi apanhado no meio desta batalha. Até agora, ele está do lado do Departamento de Defesa, dizendo que não pode haver uma zona de exclusão aérea da NATO sobre a Ucrânia a combater aviões russos porque “isso chama-se Terceira Guerra Mundial, está bem? Vamos directos ao assunto, rapazes. Não vamos combater a Terceira Guerra Mundial na Ucrânia”.

“O Presidente Biden foi claro sobre o facto de que as tropas americanas não combaterão a Rússia na Ucrânia, e se for estabelecida uma zona de exclusão aérea, certamente para fazer cumprir essa zona de interdição de voo, terão de provocar aviões russos. E mais uma vez, isso colocar-nos-ia em guerra com a Rússia”, disse o Secretário de Defesa norte-americano Lloyd Austin no início deste mês.

O plano da administração é derrubar o governo russo através da insurreição terrestre e da guerra económica, e não da guerra militar directa.

Mas a pressão do Congresso e da imprensa sobre a Casa Branca é implacável para trazer de forma imprudente a NATO directamente para a guerra.

O Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, aclamado como um super-herói virtual nos meios de comunicação ocidentais, vacilou entre estar aberto à negociação de um acordo de paz com a Rússia e apelar à NATO para “fechar os céus” sobre a Ucrânia. Para salvar o seu país, ele parece pronto a correr o risco de pôr em perigo o mundo inteiro.

Entretanto, os principais meios de comunicação social ocidentais, apoiando-se quase exclusivamente em fontes ucranianas, relatam que a Rússia está a perder a guerra, com a sua ofensiva militar “estagnada”, e que, por frustração, tem deliberadamente visado civis e arrasado cidades.

Biden concordou com esta parte da história, chamando ao Presidente russo Vladimir Putin um “criminoso de guerra”. Disse também que a Rússia estava a planear um ataque químico “sob falsa bandeira” para apanhar a Ucrânia.

Mas na terça-feira, o Pentágono tomou uma decisão audaciosa de divulgar duas histórias a jornalistas que contradizem estas histórias. “A conduta da Rússia na guerra brutal conta uma história diferente da opinião amplamente aceite de que Vladimir Putin pretende demolir a Ucrânia e infligir o máximo de danos civis – e isso revela o equilíbrio estratégico do líder russo”, relatou a Newsweek num artigo intitulado “Os bombardeiros de Putin poderiam devastar a Ucrânia, mas ele está a conter-se. Eis o porquê”.

O artigo cita um analista anónimo da Agência de Inteligência de Defesa do Pentágono (DIA) como dizendo: “O coração de Kiev mal foi tocado”. E quase todos os ataques de longo alcance foram dirigidos a alvos militares”.

Um oficial reformado da Força Aérea dos EUA, agora a trabalhar como analista para um empreiteiro do Pentágono, acrescentou: “Precisamos de compreender a verdadeira conduta da Rússia. Se nos convencermos simplesmente de que a Rússia está a bombardear indiscriminadamente, ou a não infligir mais danos porque o seu pessoal não está à altura da tarefa ou porque é tecnicamente inepto, então isso significa que não estamos a ver o verdadeiro conflito”.

O artigo diz:

“Desde o fim-de-semana passado, em 24 dias de conflito, a Rússia realizou cerca de 1400 ataques e atirou cerca de 1000 mísseis (em contraste, os EUA realizaram mais ataques e atiraram mais mísseis no primeiro dia da guerra de 2003 no Iraque) …

Alguns destes ataques danificaram e destruíram estruturas civis e mataram e feriram civis inocentes, mas o nível de mortos e destruição é pequeno em comparação com a capacidade da Rússia.

“Eu sei que é difícil… acreditar que a carnificina e a destruição podem ser muito piores do que realmente são”, diz o analista do DIA. “Mas é isso que os factos mostram”. Isso sugere-me, pelo menos, que Putin não está a atacar intencionalmente civis, que ele pode estar ciente de que precisa de limitar os danos a fim de deixar espaço para negociações”.

Estas fontes do Pentágono confirmam o que Putin e o Ministério da Defesa russo sempre disseram: que em vez de estar “num impasse”, a Rússia está a executar um plano de guerra metódico para cercar cidades, abrindo corredores humanitários para civis, deixando intactas infra-estruturas civis tais como água, electricidade, telefonia e Internet, e tentando evitar o maior número possível de baixas civis.

Até haver estas fugas do Pentágono, era difícil confirmar que a Rússia estava a dizer toda a verdade e que os principais meios de comunicação social estavam a publicar fábulas concebidas pela máquina publicitária ucraniana.

 

Nenhuma evidência de produtos químicos

O segundo artigo põe em causa directamente o aviso dramático de Biden de um ataque químico sob falsa bandeira.

A Reuters relatou: “Os Estados Unidos ainda não viram indicações concretas de um iminente ataque russo com armas químicas ou biológicas na Ucrânia, mas estão a acompanhar de perto os fluxos de informação sobre elas, disse um alto funcionário da defesa dos EUA.

Ele citou o funcionário do Pentágono que terá dito: “Não há qualquer indicação de que haja algo iminente a este respeito neste momento”. Nem o New York Times nem o Washington Post publicaram o artigo da Reuters, que apareceu no US News and World Report.

Nunca deixe que os factos se interponham no caminho de uma boa mentira, mesmo que isso possa levar às consequências mais devastadoras da história.


O autor: Joe Lauria é editor do Consortium News e antigo correspondente da ONU para o Wall Street Journal, o Boston Globe e numerosos outros jornais, incluindo The Montreal Gazette e The Star of Johannesburg. Foi repórter de investigação do Sunday Times de Londres, repórter financeiro da Bloomberg News e começou o seu trabalho profissional como freelancer de 19 anos para o New York Times.

 

 

 

 

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