Estamos a viver tempos onde a incerteza tem o domínio absoluto dos dias. A velocidade e a urgência com que exigimos e conseguimos respostas, nunca garantem a certeza e a verdade da origem, nem garantem a sua firmeza, apenas mostram a velocidade da mudança; encostamos a cabeça na volatilidade do algoritmo, fazemos copy past das suas sentenças e caminhamos descansados noutra direcção.
Mas não nos livramos de alguma incerteza no momento de agirmos, até por não haver nem nos darmos tempo para uma planificação correcta, tanto no que se refere a questões pessoais ou económicas –aqui particularmente notórias-, como sociais ou políticas.
E apesar de não directamente envolvidos, estamos perante uma situação que, de algum modo, implica uma mudança ou uma alteração da nossa atitude perante o modo de encarar a vida, de nos situarmos –pelo menos moralmente– de um lado ou do outro do conflito, até porque tal conflito pode levar a uma ruptura na evolução, pelos novos elementos que poderão vir a ser introduzidos e de que o comum dos mortais, não tem a mais pequena ideia.
Não devemos esquecer, disse Edgar Morin, ‘No momento em que um indivíduo empreende uma acção, seja qual for, ela logo começa a escapar das suas intenções; entre um universo de interacções e é o ambiente que assume o comando, num sentido que até pode ser contrário à intenção inicial. É por isso que toda a acção, além de ser uma decisão, é também uma aposta, por toda a acção ser estratégia’.
Mas uma anormalidade está a marcar decisivamente esta situação, o aumento da brutalidade a ver –já que mais não seja– na destruição assombrosa das cidades que ocupam ou foram edificadas em zonas nevrálgicas pela sua localização, importância, simbolismo, economia e sei lá que mais!
Se alguma coisa pode contribuir para o entendimento da História, é ela ter um carácter dinâmico e mutável, mas em que o passado tem uma forte influência no presente que, por sua vez, irá condicionar o futuro, a maior parte das vezes em sentido contrário à vontade daqueles que se julgam donos do destino dos povos. A História mostra isso das mais diversas maneiras.
O filósofo alemão Schopenhauer, que marcou e bem o século XIX, pelo seu pessimismo, entendia o viver humano como um constante sofrimento, em virtude de o homem procurar, sempre e só, satisfazer o desejo –algo de insaciável– o que fazia do mundo um inferno.
Schopenhauer não fez mais do que continuar o pensamento do filósofo inglês do século XVI, Thomas Hobbes, tido por muitos como um dos pais da filosofia política e que na sua obra maior ‘Leviatã’, salienta bem, ‘Assinalo, como tendência geral de todos os homens, um perpétuo e inquieto desejo de poder e mais poder, que só acaba com a morte. A razão disso radica no facto de que não se pode garantir o poder, a não ser procurando cada vez mais poder’.
Por sua relação com a nobreza inglesa, o Leviatã de Hobbes seria a monarquia absolutista e centralizadora; todavia, a metáfora refere hoje o Estado de modo geral, seja ele democrático ou não e, por isso é absolutamente necessário que, pelo menos na Europa, se recupere a esperança e se supere o aviltamento das ameaças.
De qualquer maneira, eu e todos aqueles que me lerem, sentados no sofá de nossa casa, somos os culpados e vítimas de tudo o que está a acontecer, ‘Simplesmente porque tudo o que acontece, sucede para sermos nós a pagar os pratos partidos; os oligopólios energéticos, os monopólios, os ideólogos pós-modernos e os comissionistas de esterco, têm-nos como principais clientes, mesmo sem o dizer, mas não o cliente como consumidor, porque o capitalismo pós-moderno e canalha, considera que é melhor ter cativos e alienados, que consumidores e normas’.
A sentença é do jornalista e escritor Juan Antonio Molina, baseado no facto de a demagogia, o populismo e a instabilidade, se satisfazerem e confrontarem no vazio criado pela política, que se converteu numa acção interminável de simulação.
Mas convém não esquecer tal sentença sempre que tiverem o comando da aparelhagem nas mãos.
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor