CARTA DE BRAGA – “a pistola dos furacões” por António Oliveira

A notícia foi difundida pela EFE, mas apanhei o texto na página na net da ‘Cadena Ser’ no dia 11 de Maio e, com a tradução possível, ‘O ex-presidente Donald Trump, acreditava que a China tinha uma arma secreta com a qual provocava furacões nos EUA e perguntava constantemente sobre isso, especialmente no início do mandato’. Mais acrescenta a notícia da EFE que a revista ‘Rolling Stone’, cita pelo menos três fontes da administração –todas anónimas-, que assinalam ser esta questão recorrente no ano 2018 e seguinte, até ao ponto de na equipa do governo, se falar jocosamente da pistola dos furacões

Parece que esta questão, como uma outra proposta ‘para, clandestinamente, se bombardearem com mísseis, os laboratórios de droga no México’, acabaram por cair no esquecimento como muitas outras preocupações, nem sempre consistentes, daquele fulano

Mas atenção, que ele poderá voltar a ocupar o cargo e este mundo será transformado num ‘jogo da malha’ gigantesco, com os pinos a serem colocados –à toa– na Europa, o terreno possível, disponível e mais à mão, e nós a ver as malhas passar e chegar, atiradas pelos dois lados. 

Noam Chomsky alerta para o problema do regresso dos republicanos daquele fulano ao poder em 2024, ‘Se o fizerem, o mundo estará em grande perigo. Sabem que são um partido minoritário e que não podem ganhar eleições livres. Portanto, têm uma estratégia que passa por reduzir os direitos de voto. Em praticamente todos os estados republicanos estão a impor novas leis que tornam mais difícil o voto de eleitores que tendem a ser democratas, tornam mais difícil para que votem as minorias, os pobres, os trabalhadores, as populações urbanas e assim por diante. Dessa forma, aumentam o poder da base republicana, da direita, da supremacia branca, do nacionalista cristão, do tradicional’.

Aliás, como afirmam comentadores diversos, no entendimento dos autocratas e ditadores, as democracias são débeis, ineficazes, sempre em crises profundas, debates inúteis e sem fim. Já assim pensavam Hitler, Stalin, Mussolini, Franco, Salazar e outros mais, a saber pela história e conflitos mais recentes. 

Mas a novidade’, diz no ‘La Vanguardia’ e referindo o outro lado do ‘charco’, comentador Lluís Foix, ‘são as discrepâncias e divisões profundas com que Joe Biden se confronta, sobre a gestão e o exercício das liberdades. Para ser um referente mundial, há que sê-lo primeiro na própria terra’. 

Parece não haver dúvidas de que para se poder interpretar o mundo, é muito importante conhecer a linguagem em que está descrito e, para isso, é fundamental o domínio e conhecimento da História e da Filosofia, bem como ter lido e aprendido com os clássicos que, apesar já terem séculos, continuam a mostrar como parecem ter pressuposto os caminhos da Humanidade. 

É evidente que não se pode pedir àquele fulano, algum mesmo diminuto conhecimento de tais matérias, mas creio também que a mesma crença e se pode estender pelos principais salões de poder do conflito, a ver pelos despenteados mentais que os povoam pois, ‘Entrámos já num ciclo político distinto, marcado pela falta de credibilidade das democracias representativas’, nas palavras do filósofo e cronista Parra Montero. 

E, afirma também Viriato Soromenho Marques, ‘O facto de a invasão russa parecer cada vez mais um erro de cálculo, não a impede de ter a indómita marca da vontade de poder. E isso é confirmado também pela mudança de objetivo, do crescente envolvimento da OTAN. Se deixarmos que a embriaguez da vontade de poder, prevaleça sobre a autopreservação, não teremos uma segunda oportunidade para emendar o erro’.

Talvez só com uma ‘pistola dos furacões’!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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