CARTA DE BRAGA – “matar o mensageiro” por António Oliveira

A senhora que ocupa o posto de secretário do interior do despenteado mental Boris, acedeu ao pedido dos states para extraditar Julian Assange, o fundador do WikiLeaks. Assange vai confrontar-se com uma pena de 175 anos de prisão, por ‘mostrar ao mundo’ os abusos dos states na base militar de Guantánamo em Cuba, bem como nas guerras do Iraque e Afeganistão.

Assange fundou o site WikiLeaks em 2006 e ganhou atenção internacional em 2010, quando o site publicou uma série de documentos secretos do governo dos states, conseguidos através de Bradley Manning, agora Chelsea Manning. Os documentos continham os dados do ataque aéreo a Bagdad em Julho de 2007 e, três anos depois, os arquivos sobre a guerra no Afeganistão e no Iraque, atacando especialmente o secretário da Defesa, Robert Gates. 

Lembre-se que Assange começou por ser acusado e, depois preso, por uns alegados crimes sexuais, acusação já arquivada, esteve em prisão domiciliária e refugiado sete anos na embaixada do Equador em Londres e, depois de ‘manobras’ diversas contra ele, ‘reside’ agora na prisão de alta segurança em Belmarsh, bem perto de Londres. 

Para Baltasar Garzón, o juiz que conseguiu a prisão do ditador chileno Pinochet, ‘A entrega de Assange aos EUA, ficará para a história da ignomínia. Criminaliza o labor do jornalismo na sua essência, por mostrar documentação real sobre crimes de guerra no Iraque e Afeganistão, devido ao seu interesse público e ver os seus autores julgados e condenados’. 

Note-se que ‘Assange não acedeu ilegalmente a qualquer documento, mas publicou-os para permitir conhecer assuntos que se consideravam secretos, mas nunca o deveriam ser por afectarem a liberdade do cidadão’ afirmou também a organização Repórteres sem Fronteiras, tudo isto enquanto Assange continua encerrado numa prisão de alta segurança em Inglaterra. 

Não podemos olhar para o lado! 

É preciso ‘matar o mensageiro’, expressão que remonta ao ano 330 a.C. e a Dario III, último Xá do Império Persa, quando recebeu uma má notícia, a derrota do seu exército contra o de Alexandre da Macedónia, o Grande. Dario que não foi capaz de enfrentar aquela derrota, talvez para encobrir o seu fracasso, mandou matar quem lhe levou a notícia. Mas ficou a expressão, aliás bem popular entre os profissionais da comunicação, pelos casos que se vão sabendo, publicados ou não.

Convém ter sempre presente que, quando a palavra se transforma na principal ferramenta do poder, omitindo-a ou ampliando-a, para impor ‘urbi et orbi’ a visão própria do mundo, a palavra deixa de ser tida como referência, ou vem aí Alexandre da Macedónia.

E, por tal extradição, a verificar-se, não passar de uma desonestidade gritante e um atentado à dignidade humana, permito-me, por isso mesmo,  transpor para aqui alguns parágrafos da Carta Aberta da mãe de Julian Assange:

A angústia de ver meu filho submetido a cruéis torturas psicológica, na tentativa de quebrar o seu imenso espírito.

O pesadelo constante de que ele seja extraditado para os Estados Unidos e depois passar o resto de seus dias sepultado vivo em total isolamento.

O medo constante de que a CIA pudesse executar seus planos de matá-lo.

A onda de tristeza quando vi seu corpo frágil cair exausto, por causa de um leve derrame na última audiência, devido ao stress crónico.

Muitas pessoas ficaram traumatizadas ao ver uma superpotência vingativa, que usa os seus recursos ilimitados para intimidar e destruir um indivíduo indefeso.

Por favor, continuem a levantar a voz para os seus políticos, até que isso seja tudo o que eles vão ouvir.

A sua vida está nas vossas mãos.

De facto e na realidade, Não podemos olhar para o lado!

Assange, recorreu da extradição na passada sexta feira, dia 2; fez 51 anos no domingo, dia 3.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

Leave a Reply