CASA MUSEU RUY BELO EM RIO MAIOR

 

No âmbito do Programa Valorizar e dos apoios ao Turismo Literário, o Município de Rio Maior, assinou um Protocolo de Colaboração com o Turismo de Portugal para a promoção da vida e obra de Ruy Belo.

O Município de Rio Maior vai assim investir 530.000€ na requalificação da casa que viu nascer o poeta Ruy Belo em São João da Ribeira, transformando-a numa Casa Museu e Residência artística, mas essa será apenas uma parte de todo este projeto.

Pretende-se que, além da recuperação de todo o imóvel e a promoção da sua visitação, seja criado o Roteiro Ruy Belo, permitindo a quem visita o espaço ficar a conhecer as gentes e lugares da terra natal do poeta, bem como criar a marca “Ruy Belo”, que servirá de base a todo o merchandising e eventos associados a esta Casa Museu.

O Município vai ainda implementar o Prémio Literário Nacional Ruy Belo, dedicado a incentivar a publicação de obras no domínio da poesia, bem como lançar a Bolsa de Investigação Ruy Belo, como incentivo ao estudo da obra e vida do autor nascido em São João da Ribeira.

Este será mais um polo turístico do concelho, capaz de atrair todo um conjunto de visitantes com interesse na literatura de Ruy Belo, poeta cujo trabalho é considerado uma das obras cimeiras da poesia portuguesa contemporânea, apesar da brevidade da vida do poeta.

Oh as casas as casas as casas

Oh as casas as casas as casas

as casas nascem vivem e morrem

Enquanto vivas distinguem-se umas das outras

distinguem-se designadamente pelo cheiro

variam até de sala pra sala

As casas que eu fazia em pequeno

onde estarei eu hoje em pequeno?

Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?

Terei eu casa onde reter tudo isto

ou serei sempre somente esta instabilidade?

As casas essas parecem estáveis

mas são tão frágeis as pobres casas

Oh as casas as casas as casas

mudas testemunhas da vida

elas morrem não só ao ser demolidas

Elas morrem com a morte das pessoas

As casas de fora olham-nos pelas janelas

Não sabem nada de casas os construtores

os senhorios os procuradores

Os ricos vivem nos seus palácios

mas a casa dos pobres é todo o mundo

os pobres sim têm o conhecimento das casas

os pobres esses conhecem tudo

Eu amei as casas os recantos das casas

Visitei casas apalpei casas

Só as casas explicam que exista

uma palavra como intimidade

Sem casas não haveria ruas

as ruas onde passamos pelos outros

mas passamos principalmente por nós

Na casa nasci e hei-de morrer

na casa sofri convivi amei

na casa atravessei as estações

Respirei – ó vida simples problema de respiração

Oh as casas as casas as casas


Ruy Belo

Todos os Poemas, Lisboa, Assírio & Alvim, 2000

 

 

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