DO PENSAMENTO OFICIAL A ALGUMAS LINHAS DE FRATURA, SOBRE A GUERRA DA UCRÂNIA – UMA SÉRIE DE TEXTOS – VII – HISTÓRIA E PROPAGANDA DE GUERRA: TIMOTHY SNYDER FALSIFICA O PAPEL DO FASCISMO UCRANIANO, de DAVID NORTH

 

History and war propaganda: Timothy Snyder falsifies role of Ukrainian fascism, por David North 

World Socialist Web Site, 24 de Abril de 2022

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Revisão de João Machado

Um artigo, publicado hoje online e impresso no New York Times Sunday Magazine, é mais um exemplo deplorável do papel do Professor Timothy Snyder como falsificador histórico e apologista do fascismo ucraniano.

Snyder descarta de forma ridícula as referências russas ao assassínio em massa de polacos e judeus por nacionalistas ucranianos durante a Segunda Guerra Mundial como “um passado que nunca aconteceu” e “relatos disparatados e necrófagos da história”.

Mas numa fase anterior da sua carreira, Snyder escreveu relatos detalhados das atividades genocidas da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN). O seu artigo, “The Causes of Ukrainian-Polish Ethnic Cleansing 1943”, apareceu na edição de Maio de 2003 do Past and Present.

 

Este artigo, de 37 páginas, focava a matança em massa de polacos pela OUN   em Volhynia. A  sua ala militar, a  UPA, o Exército Insurreto Ucraniano [UPA], escreveu Snyder, “matou cerca de cinquenta mil polacos em Volhynian e forçou dezenas de milhares de polacos a fugir em 1943”.

“No final de Abril de 1943”, segundo o relato de Snyder, “a UPA tinha talvez dez mil soldados sob o seu comando, e tinha reduzido grande parte de Volhynia a um abate mútuo”. Snyder continuou:

Durante todo o mês de Abril e em toda a Volhynia, os soldados da UPA cercaram colónias e aldeias, queimaram casas, alvejaram ou forçaram a voltar para dentro aqueles que tentaram fugir.

Em povoações mistas, os serviços de segurança da UPA avisaram os ucranianos para fugirem à noite e depois mataram todos os que restavam ao amanhecer. Este foi um ataque coordenado por homens armados contra uma população sem líderes e desorganizada.

Este não foi o único “relato necrófilo” de Snyder de assassinatos em massa por nacionalistas ucranianos. Num artigo publicado em Fevereiro de 2010 na New York Review of Books, Snyder denunciou explicitamente o encobrimento dos crimes da OUN pelo então Presidente ucraniano Viktor Yushchenko.

“Quando a Wehrmacht invadiu a União Soviética em Junho [em 1941], juntaram-se-lhe  os exércitos da Hungria, Roménia, Itália e Eslováquia, bem como pequenos contingentes de voluntários ucranianos associados à OUN-B.

Alguns destes nacionalistas ucranianos ajudaram os alemães a organizar pogroms assassinos de judeus. Ao fazê-lo, estavam a antecipar uma política alemã, mas que era consistente com o seu próprio programa de pureza étnica, e a sua própria identificação de judeus com a tirania soviética.

Sob o seu comando, a UPA comprometeu-se a limpar etnicamente a Ucrânia ocidental de polacos em 1943 e 1944. Os partidários da UPA assassinaram dezenas de milhares de polacos, a maioria dos quais mulheres e crianças. Alguns judeus que se tinham refugiado com famílias polacas também foram mortos”.

Snyder rejeita agora as referências ao fascismo ucraniano como sendo propaganda russa. Mas no ensaio de 2010, escreveu que a descrição soviética de “fascistas alemães-ucranianos” era “suficientemente precisa para servir de propaganda duradoura e eficaz, tanto dentro como fora da União Soviética”.

Por razões que nunca explicou, nos meses entre o artigo de Fevereiro de 2010 na New York Review of Books e a publicação de Outubro de 2010 da Bloodlands, Snyder mudou radicalmente o seu relato da história ucraniana.

As atividades da OUN desapareceram totalmente da narrativa ficcional fictícia e violentamente antissoviética que ele apresentou em Bloodlands. Snyder tinha deixado  de escrever história para passar a  produzir propaganda para a política anti-Rússia dos Estados Unidos.

Em The Russian Revolution and the Unfinished Twentieth Century, dediquei um capítulo a uma avaliação do livro  Bloodlands.. Texto disponível aqui .

Escrevi: “Na obra de Timothy Snyder somos confrontados com uma tendência insalubre e perigosa: a obliteração da distinção entre escrever história e fabricar propaganda”. Esta avaliação, escrita em 2014, tem sido  exaustivamente comprovada.


Pode ler este texto no original clicando em:

History and war propaganda: Timothy Snyder falsifies role of Ukrainian fascism – World Socialist Web Site (wsws.org)

E pode ler a tradução do artigo de Timothy Snyder, originalmente publicado no New York Times Sunday Magazine e incluído em A Viagem dos Argonautas nesta série de textos, clicando em:

DO PENSAMENTO OFICIAL A ALGUMAS LINHAS DE FRATURA, SOBRE A GUERRA DA UCRÂNIA – UMA SÉRIE DE TEXTOS – VI – DEVEMOS DIZÊ-LO. A RÚSSIA É FASCISTA, por TIMOTHY SNYDER

 

1 Comment

Leave a Reply