A Guerra na Ucrânia — A Ucrânia está à beira de perder Bakhmut. Por Lucas Webber

Seleção e tradução de Francisco Tavares

3 min de leitura

 

A Ucrânia está à beira de perder Bakhmut

Fontes ocidentais estão agora a aconselhar Kiev a retirar estrategicamente

 Por Lucas Webber

Publicado por em 26 de Janeiro de 2023 (original aqui)

 

Soldado ucraniano fotografado perto da linha de frente de Bakhmut no início de Janeiro. Crédito: Getty.

 

A batalha por Bakhmut tem sido longa e árdua, com ambos os lados a sofrer um pesado tributo humano. Ao longo deste período, as forças russas, lideradas pela organização Wagner, fizeram ganhos incrementais, mas desde a queda de Soledar têm vindo a mover-se muito mais rapidamente. Agora a posição da Ucrânia dentro e em redor da cidade está a deteriorar-se rapidamente, à medida que a Rússia procura rodear a cidade estrategicamente importante. Acredita-se agora que os americanos estão a aconselhar Kiev a retirar-se da cidade para preservar soldados e equipamento.

Estas recomendações baseiam-se num fluxo de relatórios sombrios que saem da cidade: por exemplo, na semana passada, o serviço de inteligência estrangeira (BND) da Alemanha disse ao Der Spiegel que a Ucrânia está a perder centenas de soldados por dia.

Dado que milhares de combatentes estão a ser treinados na Europa, o lógico é que Kiev proteja o que resta das suas forças na Ucrânia a uma distância segura das posições russas. Por sua vez, eles podem desenvolver um núcleo blindado e preparar-se para uma ofensiva para tentarem perfurar as defesas russas, como já fizeram anteriormente em Kharkiv.

A Reuters descreve como um funcionário disse que “a crença em Washington é que a Ucrânia gastou recursos consideráveis na defesa da cidade de Bakhmut, mas que existe uma grande possibilidade de que os russos acabem por empurrar os ucranianos para fora daquela cidade”. Além disso, um alto funcionário da administração do Presidente dos EUA Joe Biden afirmou que a concentração desproporcionada de Kiev na cidade está a dificultar os seus esforços noutros locais.

O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) forneceu uma perspectiva alternativa, descrevendo a abordagem de Kiev a Bakhmut como “um esforço estrategicamente sólido apesar dos seus custos”, uma vez que a Ucrânia pagaria “um preço significativo por desistir dela”. No dia seguinte, o ISW afirmou que a elevada taxa de baixas associada à defesa da cidade vem com “custos de oportunidade relacionados com potenciais operações contra-ofensivas ucranianas noutros locais”. Da mesma forma, o Washington Post argumentou recentemente que “Kiev deve equilibrar a sua defesa da cidade, ponderada com simbolismo, com os preparativos para uma contra-ofensiva”.

Para melhorar as perspectivas da Ucrânia, o Ocidente está a enviar enormes quantidades de armas, blindados e tanques para a Ucrânia. Isto é em parte estimulado pela mudança da guerra a favor da Rússia, que estabilizou as suas linhas, endureceu as suas defesas através da construção de enormes redes de trincheiras/barreiras, e recuperou o ímpeto de avanço em várias áreas ao longo da linha da frente.

Para dar alguns exemplos, a Rússia iniciou recentemente esforços ofensivos na região sul de Zaporizhzhia, avançou para Vuhledar, cercou parcialmente Avdiivka, tomou Klishchiivka, capturou uma série de cidades em redor de Bakhmut, e pretende tomar Siversk mais para norte. No entanto, a Ucrânia também tem vindo a exercer pressão em alguns locais, tais como a área de Kreminna, onde os seus militares têm estado activos há semanas e a Rússia lançou novos contra-ataques.

Depois de ter obtido vitórias notáveis em Kharkiv e Kherson, a Ucrânia está mais uma vez em recuo, e é amplamente previsto – embora não certo – que a Rússia irá conduzir ofensivas consideráveis nas próximas semanas e meses. Para evitar o cerco de milhares de soldados ucranianos, para melhor se defender contra a ofensiva em desenvolvimento e tentar melhorar a sua capacidade de lançar a sua própria acção significativa para a frente para recuperar território, Kiev poderá ter de cortar finalmente o cordão em Bakhmut.

 


O autor: Lucas Webber é um investigador centrado na geopolítica e em actores violentos não estatais. É co-fundador e editor em militantwire.com.

 

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