UMA CARTA DO PORTO – POESIA – Por José Fernando Magalhães (476)

 

 

 

NÃO, NÃO ACREDITEM EM MIM

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Não, não acreditem em mim

Não sei para onde vou, nem de onde vim.

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Não sei o que quero, ou se me entendem

Se acaso estou a mais, ou se me pretendem

Não sei estar só, e sou um solitário

Indiferente e egoísta, mas solidário

Partilho o que tenho e sou invejoso

Sou mau como as cobras e sou piedoso

Sou seco, sou duro, vivo comovido

Aparento segurança, sinto-me perdido

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Feito de contrastes e contradições

Mantenho a distância, provoco emoções

Sou potro selvagem, peixe em aquário

Humanista, progressista e reaccionário

Sou cobarde, sou frontal, sou corajoso

Sou rolha à tona de água e sou perigoso

Um por um, de todos quero um amigo

Conhecidos tenho muitos, amizades não consigo

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Não, não acreditem em mim

Não sei para onde vou, nem de onde vim.

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OBS – este poema foi publicado no meu livro “UMA, DUAS VEZES E TRÊS”, em Julho de 2012

 

 

 

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