
NÃO, NÃO ACREDITEM EM MIM
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Não, não acreditem em mim
Não sei para onde vou, nem de onde vim.
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Não sei o que quero, ou se me entendem
Se acaso estou a mais, ou se me pretendem
Não sei estar só, e sou um solitário
Indiferente e egoísta, mas solidário
Partilho o que tenho e sou invejoso
Sou mau como as cobras e sou piedoso
Sou seco, sou duro, vivo comovido
Aparento segurança, sinto-me perdido
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Feito de contrastes e contradições
Mantenho a distância, provoco emoções
Sou potro selvagem, peixe em aquário
Humanista, progressista e reaccionário
Sou cobarde, sou frontal, sou corajoso
Sou rolha à tona de água e sou perigoso
Um por um, de todos quero um amigo
Conhecidos tenho muitos, amizades não consigo
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Não, não acreditem em mim
Não sei para onde vou, nem de onde vim.
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OBS – este poema foi publicado no meu livro “UMA, DUAS VEZES E TRÊS”, em Julho de 2012

