Nota de editor:
Dada a sua extensão publicaremos o presente artigo do antigo embaixador Chas W. Freeman Jr. em duas partes.
Seleção e tradução de Francisco Tavares
15 min de leitura
As muitas lições da guerra na Ucrânia (1 ª parte)
Publicado por
em 6 de Outubro de 2023 (ver aqui)
Publicação original em
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Combater a Rússia até ao último ucraniano foi sempre uma estratégia odiosa, escreve Chas W. Freeman nesta ampla visão geral.
Observações do autor ao East Bay Citizens for Peace em Barrington, Rhode Island, em 26 de Setembro.
Quero falar-vos esta noite sobre a Ucrânia – o que lhe aconteceu e porquê, como é provável que saia do suplício a que a rivalidade das grandes potências a sujeitou; e o que podemos aprender com isso. Faço-o com alguma apreensão e um aviso a esta audiência. A minha intervenção, tal como o conflito na Ucrânia, é longa e complicada. Contradiz a propaganda que tem sido muito convincente. A minha intervenção ofenderá qualquer pessoa comprometida com a narrativa oficial. A forma como os meios de comunicação americanos lidaram com a Guerra da Ucrânia recorda-me um comentário de Mark Twain:
“As pesquisas de muitos comentaristas já lançaram muita escuridão sobre este assunto, e é provável que, se continuarem, em breve não saberemos nada sobre isso.”
Diz-se que, na guerra, a verdade é a primeira vítima. A guerra é tipicamente acompanhada por uma névoa de mentiras oficiais. Nenhum nevoeiro desse tipo foi tão denso como na guerra da Ucrânia. Enquanto muitas centenas de milhares de pessoas lutaram e morreram na Ucrânia, as máquinas de propaganda em Bruxelas, Kiev, Londres, Moscovo e Washington trabalharam horas extras para garantir que tomemos partido apaixonado, acreditemos no que queremos acreditar e condenemos qualquer um que questione a narrativa que interiorizamos.
Ninguém que não esteja na linha de frente tem uma ideia real do que está a acontecer nesta guerra. O que sabemos é apenas o que os nossos governos e outros apoiantes da guerra querem que saibamos. E desenvolveram o mau hábito de inalar a sua própria propaganda, o que garante políticas delirantes.
Todos os governos que participam na guerra da Ucrânia — Kiev, Moscovo, Washington e outras capitais da NATO — foram culpados de vários graus de auto-engano e de desastrosas prevaricações. As consequências para todos foram terríveis. Para a Ucrânia, foram catastróficas. Há muito que se devia repensar radicalmente a política por parte de todos os interessados.
De onde vem e para onde vai a NATO?
Primeiro, alguns antecedentes necessários. A organização do Tratado do Atlântico Norte surgiu para defender os países europeus dentro da esfera de influência americana pós-Segunda Guerra Mundial contra a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e suas nações satélites.
A área de responsabilidade da NATO era o território dos seus membros na América do Norte e na Europa Ocidental, mas nada além disso. A aliança ajudou a manter um equilíbrio de poder e a manter a paz na Europa durante as mais de quatro décadas da Guerra Fria.
Em 1991, porém, a URSS dissolveu-se e a Guerra Fria terminou. Isso eliminou qualquer ameaça credível ao território dos membros da NATO e levantou esta questão: se a NATO ainda era a resposta para alguma coisa, qual era a questão? As forças armadas dos EUA não tiveram problemas em responder a esse enigma. Tinham interesses imperiosos na preservação da NATO.
- A NATO criou e sustentou um papel e presença europeus pós-Segunda Guerra Mundial para os militares dos EUA,
- Isso justificou uma estrutura de força muito maior dos EUA e muito mais lugares altamente desejáveis para oficiais de bandeira – generais e almirantes – que de outra forma não existiriam,
- A NATO reforçou a estatura internacional das Forças Armadas Americanas, ao mesmo tempo que fomentou uma competência única dos EUA na gestão de alianças multinacionais e coligações, e
- Ofereceu viagens de serviço na Europa que tornaram o serviço militar em tempo de paz mais atraente para soldados, marinheiros, aviadores e fuzileiros navais dos EUA.
Então, também, o século 20 parecia sublinhar que a segurança dos EUA era inseparável da de outros países do Atlântico Norte. A existência de impérios europeus garantiu que as guerras entre as grandes potências da Europa — as Guerras Napoleónicas, a primeira Guerra Mundial e a segunda guerra mundial – logo se transformassem em guerras mundiais. A NATO foi a forma como os Estados Unidos dominaram e geriram a região euro-atlântica na Guerra Fria. A dissolução da NATO ou uma retirada dos EUA da mesma libertaria, sem dúvida, os europeus para renovarem as suas discussões e iniciarem mais uma guerra que poderia não se confinar à Europa.
Assim, a NATO teve de ser mantida em actividade. A maneira óbvia de conseguir isso era encontrar um novo papel não europeu para a organização. A NATO, dizia-se, teve de sair “da área ou do negócio”. Por outras palavras, a aliança teve que ser reaproveitada para projetar poder militar além dos territórios dos seus Estados Membros da Europa Ocidental e da América do Norte.
Em 1998, a NATO entrou em guerra com a Sérvia, bombardeando-a em 1999 para separar o Kosovo dela. Em 2001, em resposta aos ataques terroristas do 11 de setembro contra Nova Iorque e Washington, juntou-se aos EUA na ocupação e tentativa de pacificar o Afeganistão. (a Ucrânia contribuiu com tropas para esta operação da NATO, apesar de não ser membro da aliança.) Em 2011, a NATO mobilizou forças para criar uma mudança de regime na Líbia.
Os golpes e a rebelião dos ucranianos de língua russa
Em 2014, houve um golpe anti-russo bem preparado, patrocinado pelos EUA, em Kiev. (alegadamente, em 2014, várias agências do governo dos EUA haviam comprometido um total acumulado de US $5 mil milhões ou mais para subsídios políticos e educação em apoio à mudança de regime na Ucrânia.) Depois disso, os ultranacionalistas ucranianos proibiram o uso oficial do russo e de outras línguas minoritárias no seu país e, ao mesmo tempo, afirmaram a intenção da Ucrânia de se tornar parte da NATO.
Entre outras consequências, a adesão da Ucrânia à NATO colocaria a base naval russa de 250 anos na cidade de Sebastopol, na Crimeia, sob o controle da NATO e, portanto, dos EUA. A Crimeia era de língua russa e votou várias vezes para não fazer parte da Ucrânia. Assim, citando o precedente da intervenção violenta da NATO para separar o Kosovo da Sérvia, a Rússia organizou um referendo na Crimeia que apoiou a sua reincorporação na Federação Russa. Os resultados foram coerentes com as votações anteriores sobre a questão.

Entretanto, em resposta à proibição da Ucrânia do uso do russo em escritórios do governo e educação, as áreas predominantemente de língua russa na região de Donbass do país tentaram separar-se. Kiev enviou forças para reprimir a rebelião. Moscovo respondeu apoiando as reivindicações dos falantes de russo ucraniano pelos direitos das minorias garantidos tanto pela Constituição Ucraniana pré-golpe como pelos princípios da organização para a segurança e Cooperação na Europa (OSCE). A NATO apoiou Kiev contra Moscovo. Seguiu-se uma escalada da guerra civil entre os ucranianos. Isso logo evoluiu para uma intensificação da guerra por procuração na Ucrânia entre os Estados Unidos, a NATO e a Rússia.
As negociações em Minsk, capital da Bielorrússia, mediadas pela OSCE com apoio francês e alemão, mediaram um acordo entre Kiev e Moscovo sobre um pacote de medidas, incluindo:
- um cessar-fogo,
- retirada de armas pesadas da linha de frente,
- libertação de prisioneiros de guerra,
- reforma constitucional na Ucrânia concedendo autogoverno a certas zonas do Donbass, e
- o restabelecimento do controlo de Kiev sobre as fronteiras das zonas rebeldes com a Rússia.
O Conselho de segurança das Nações Unidas subscreveu estes Termos. Representaram a aceitação de Moscovo de que as províncias de língua russa na Ucrânia continuariam a fazer parte de uma Ucrânia unida, mas federalizada, desde que gozassem de uma autonomia linguística ao estilo do Quebeque. Mas, com o apoio dos EUA, a Ucrânia recusou-se a cumprir o que tinha acordado. Anos mais tarde, os franceses e os alemães admitiram que os seus esforços de mediação em Minsk tinham sido um estratagema destinado a ganhar tempo para armar Kiev contra Moscovo e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky (tal como o seu antecessor no cargo, Petro Poroshenko) confessou que nunca tinha planeado implementar os acordos (a este respeito ver Scott Ritter “Merkel revela a duplicidade do Ocidente”).
Moscovo e o alargamento da NATO
Em 1990, no contexto da reunificação alemã, da dissolução do Pacto de Varsóvia e do abandono, pela Rússia, da sua esfera de influência político-económica na Europa Central e Oriental, o Ocidente tinha várias vezes prometido, de forma um tanto astuta, mas solenemente, não preencher o vazio estratégico resultante, expandindo a NATO para leste.
Mas à medida que a década de 1990 prosseguia, apesar da falta de entusiasmo por parte de alguns outros membros da NATO, os Estados Unidos insistiram em fazer exactamente isso. O alargamento da NATO apagou constantemente o cordão sanitário da Europa Oriental de Estados neutrais independentes que os sucessivos governos de Moscovo consideravam essenciais para a segurança russa. À medida que ex-membros do Pacto de Varsóvia entraram na NATO, armas, tropas e bases dos EUA apareceram nesses territórios. Em 2008, num movimento final para estender a esfera de influência dos EUA até às fronteiras da Rússia, Washington persuadiu a NATO a declarar a sua intenção de admitir a Ucrânia e a Geórgia como membros.
O destacamento para o leste das forças dos EUA colocou lançadores de defesa contra mísseis balísticos na Roménia e na Polónia. Estes eram tecnicamente capazes de reconfiguração rápida para montar ataques de curto alcance em Moscovo. A sua implantação alimentou os temores russos de um ataque surpresa decapitador dos EUA.
Se a Ucrânia entrasse na NATO e os EUA aí fizessem implantações comparáveis, a Rússia teria apenas cerca de cinco minutos de aviso de um ataque a Moscovo. O papel da NATO na separação do Kosovo da Sérvia e nas operações de mudança de regime e pacificação dos EUA no Afeganistão e na Líbia, bem como o seu apoio às forças anti-russas na Ucrânia, convenceram Moscovo de que já não podia descartar a NATO como uma aliança puramente defensiva.
Já em 1994, sucessivos governos russos tinham começado a alertar os EUA e a NATO de que a continuação da expansão da NATO — especialmente para a Ucrânia e a Geórgia — obrigaria a uma resposta enérgica. Washington estava ciente da determinação russa de fazer isso de várias fontes, incluindo relatórios dos seus embaixadores em Moscovo.
Em fevereiro de 2007, o presidente russo Vladimir Putin, falando na Conferência de segurança de Munique, declarou:
“Penso que é óbvio que a expansão da NATO … representa uma provocação séria … e temos o direito de perguntar: contra quem se destina esta expansão? E o que aconteceu com as garantias que os nossos parceiros ocidentais fizeram após a dissolução do Pacto de Varsóvia?”

Em 1 de Fevereiro de 2008, o Embaixador Bill Burns, agora diretor da Agência Central de Inteligência, advertiu num telegrama enviado desde Moscovo que, sobre este assunto, os russos estavam unidos e sérios. Burns estava tão fortemente convencido sobre as consequências da expansão da NATO na Ucrânia que deu ao seu telegrama a linha de assunto, “Nyet significa Nyet” (“não significa não.”)
Não obstante, em Abril de 2008, a NATO convidou a Ucrânia e a Geórgia a aderir. Moscovo protestou que a sua
“a adesão à aliança é um enorme erro estratégico que teria consequências muito graves para a segurança pan-europeia.”
Em Agosto de 2008, como que para sublinhar este ponto, quando uma Geórgia encorajada procurou alargar o seu domínio a regiões minoritárias rebeldes na fronteira russa, Moscovo entrou em guerra para consolidar a sua independência.
Guerra Civil e por procuração na Ucrânia
Menos de um dia após o golpe de estado norte-americano que instalou um regime anti-russo em Kiev em 2014, Washington reconheceu formalmente o novo regime.
Quando a Rússia anexou a Crimeia e a guerra civil eclodiu com os falantes de russo da Ucrânia, os Estados Unidos apoiaram e armaram os ultranacionalistas ucranianos cujas políticas alienaram a Crimeia e provocaram os separatistas de língua russa.
Os Estados Unidos e a NATO iniciaram um esforço multibilionário para reorganizar, reciclar e reequipar as forças armadas de Kiev. O propósito declarado era permitir que Kiev reconquistasse o Donbass e, eventualmente, a Crimeia.
O exército regular da Ucrânia estava então decrépito. Os ataques iniciais de Kiev contra falantes de russo nas regiões leste e sul da Ucrânia foram em grande parte conduzidos por milícias ultranacionalistas.
Antes da decisão dos EUA e da NATO de ajudar a Ucrânia contra os separatistas apoiados pela Rússia, essas milícias eram comumente identificadas como neonazis nos media ocidentais. Eles professavam ser seguidores de Stepan Bandera – que agora foi adotado como uma figura nacional reverenciada por Kiev.
Bandera foi famoso pelo seu extremo nacionalismo ucraniano, fascismo, anti-semitismo, xenofobia e violência. Ele e os seus seguidores foram supostamente responsáveis pelo massacre de 50.000-100.000 polacos e por colaborar com os nazis no assassinato de um número ainda maior de judeus. Depois de ter rebentado a guerra por procuração EUA/NATO, apesar da sua exibição contínua de trajes e símbolos nazis nos seus uniformes e seus laços com grupos neonazis noutros países, os media ocidentais deixaram de caracterizar essas milícias como neonazis.
Em 2015, soldados russos estavam a lutar ao lado dos rebeldes de Donbass. Uma guerra por procuração não declarada dos EUA/NATO com a Rússia tinha começado.

Ao longo dos oito anos seguintes — durante os quais a guerra civil Ucraniana continuou — Kiev construiu um exército treinado pela NATO de 700.000 homens – sem contar um milhão de reservas — e endureceu-o na batalha com os separatistas apoiados pela Rússia. Os regulares ucranianos somavam apenas um pouco menos do que os então 830.000 militares da Rússia no ativo. Em oito anos, a Ucrânia tinha adquirido uma força maior do que qualquer outro membro da NATO que não os Estados Unidos ou a Turquia, superando em número as forças armadas da Grã-Bretanha, França e Alemanha juntas. Não surpreendentemente, a Rússia viu isso como uma ameaça.
Entratanto, à medida que as tensões com a Rússia aumentavam, no início de 2019 os Estados Unidos retiraram-se unilateralmente do Tratado de força nuclear intermediária (INF), que proibia a implantação na Europa de mísseis lançados desde o solo com alcance de até 3.420 milhas. A Rússia condenou isso como um ato “destrutivo” que alimentaria riscos de segurança.
Apesar das actuais dúvidas por parte de alguns outros membros da NATO, por insistência americana, a NATO continuou periodicamente a reiterar a sua oferta de incorporar a Ucrânia como membro, fazendo-o mais uma vez em 1 de Setembro de 2021. Nessa altura, depois de milhares de milhões de dólares em treino e transferências de armas dos EUA, Kiev julgou que estava finalmente pronta para esmagar a rebelião dos seus falantes de russo e os seus aliados russos. No final de 2021, a Ucrânia intensificou a pressão sobre os separatistas de Donbass e mobilizou forças para montar uma grande ofensiva contra eles programada para o início de 2022.
Moscovo Exige Negociações
Mais ou menos na mesma época, em meados de dezembro de 2021, 28 anos após o primeiro aviso de Moscovo a Washington, Putin emitiu uma exigência formal de garantias de segurança por escrito para reduzir as aparentes ameaças à Rússia do alargamento da NATO, restaurando a neutralidade Ucraniana, proibindo o estacionamento de forças dos EUA nas fronteiras da Rússia e restabelecendo limites à implantação de mísseis de alcance intermediário e curto na Europa.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo apresentou então a Washington um projecto de Tratado que incorporava estes Termos — o que continha exigências semelhantes apresentadas pelo ex-presidente russo Boris Yeltsin em 1997. Ao mesmo tempo, aparentemente tanto para sublinhar a seriedade de Moscovo como para combater a ofensiva planeada de Kiev contra os separatistas do Donbass, a Rússia reuniu tropas ao longo das suas fronteiras com a Ucrânia.
Em 26 de Janeiro de 2022, os EUA responderam formalmente que nem eles nem a NATO concordariam em negociar a neutralidade ucraniana ou outras questões semelhantes com a Rússia. Alguns dias depois, o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, expôs o seu entendimento das posições americana e da NATO numa reunião do Conselho de segurança da Rússia da seguinte forma:
“Os nossos colegas ocidentais não estão preparados para aceitar as nossas principais propostas, principalmente aquelas sobre a não expansão da NATO para o leste. Esta exigência foi rejeitada com referência à chamada política de portas abertas do bloco e à liberdade de cada Estado escolher a sua própria forma de garantir a segurança. Nem os Estados Unidos, nem a NATO propuseram uma alternativa a esta disposição fundamental.”

Moscovo queria negociações, mas, na sua ausência, estava preparada para ir à guerra para remover as ameaças às quais se opunha. Washington sabia disso quando rejeitou as conversações com Moscovo. A recusa Americana de negociar foi uma decisão inequívoca de aceitar o risco de guerra em vez de explorar qualquer compromisso ou acomodação com a Rússia.
Os Serviços de inteligência dos EUA e aliados começaram imediatamente a divulgar informações que pretendiam descrever operações militares russas iminentes no que descreveram como uma tentativa de detê-las. (A “operação militar especial” montada pela Rússia tinha pouca semelhança com as previsões específicas apresentadas nesta guerra de informação, que parece ter sido concebida tanto para reunir apoio à Ucrânia e aumentar o seu moral como para dissuadir a Rússia.)
(continua)
O autor: Chas W. Freeman, Diplomata aposentado e funcionário público veterano dos EUA que serviu em muitos cargos superiores, incluindo como Secretário Adjunto da Defesa para os Assuntos de Segurança Internacional, Embaixador dos EUA na Arábia Saudita, Diretor para os Assuntos Chineses no Departamento de Estado dos EUA, e como principal intérprete dos EUA durante a visita histórica do Presidente Nixon à China em 1972.


